projectos / projects

 

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português / english

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Risks Edition, The Global Risks Landscape, Catagreena & Raquel Pedro ( no. VII . 2016 )

A tempestade que vem / The Coming Storm, Catagreena & Raquel Pedro ( no. VIII . 2016-17 )

Água / Water, Ilda Teresa de Castro ( no. VIII . 2016-17 )

Celofane Green / Cellophane Green, Catagreena & Raquel Pedro ( no. IX . 2017-18 ) 

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Celofane Green 

12 colagens (um díptico) em tamanho A4 e A5, 2016

Entre o final de 2015 e o verão 2016, Catagreena & Raquel Pedro realizaram várias colagens, entre as quais quatro séries, cada uma delas cingida a 12 composições, por ordem de realização: A Tempestade que vem[1], Celofane Green, XII estampas de digressão botânica científica[2] e Vegeta Mundi.

Em Celofane Green (a série que aqui se apresenta) são reciclados restos de materiais acumulados no decorrer do trabalho de investigação realizado pela dupla de autoras. Trata-se de composições de Raquel Pedro a partir de imagens impressas a preto e branco e que resultam essencialmente de um respigar de fotografias, mas também de gravuras que inicialmente serviram de base para a composição do trabalho de desenho. O método de trabalho orgânico das artistas levou-as a deslocar a sua prática ecléctica, de uma primeira fase em que privilegiaram o desenho, para a colagem. Concentraram-se nesta ultima exclusivamente durante um ano a explorar, por um lado, todo o potencial adivinhado nos referidos restos e, por outro, a possibilidade da existência do seu trabalho em formato digital, num site[3]. Às composições de Raquel Pedro realizadas a partir dos “restos” foram acoplados recortes de celofane verde por Catagreena, dando continuidade literal ao jogo de cocriação e composição da dupla. Desta forma, foram criadas composições singulares, cada imagem podendo ser apreciada como uma espécie de haïku.

Indo ao essencial, Celofane Green reflecte a imagem verde fazendo eco a uma ecologia superficial: o oportunismo na capitalização e o marketing ecológico, tão presente nos meios de comunicação, embalagens, comércio, etc. Uma muito falsa estética verde[4], ou a sua instrumentalização a que se dá o nome geralmente Greenwashing mas também verdolâtrie ou enfer vert. São conceitos de diferentes áreas – Greenwashing (marketing), ou a verdolâtrie[5] (Alain Roger, paisagismo), L’Enfert Vert[6] (Tomjo, política) – que conduzem a uma mesma ideia de abuso da imagem “verde”, muitas vezes na busca de uma imagem superficial “naturalista”, mas pouco ou nada ecológica, com o intuito de alimentar interesses financeiros ou como argumentação politicamente correcta para convencer e controlar o consumidor e o eleitorado. É um facto com o qual nos deparamos quotidianamente. Reconhecemos, apesar de tudo, que este “teatro verde” é, ao mesmo tempo, sintoma de que algo está definitivamente e simbolicamente em marcha e que, talvez, independentemente das intenções “não éticas”, este contribui para a construção de um imaginário que é determinante para uma transição ecológica, a mudança de paradigma efectivamente necessária.

[1] publicada no número VIII da animalia.vegetalia.mineralia, https://animaliavegetaliamineralia.org/2016/12/05/ano-iii-year-iii-numero-viii-number-viii-inverno-2016-17-winter-2016-17/),

[2] publicada na ES:CALA#9, https://escalanarede.com/2016/10/19/xii-estampas-de-digressao-botanica-cientifica/

[3] https://catagreenaxraquelpedro.wordpress.com

[4] que se distingue da Esthétique Verte descrita por Loïc Fel na sua obra homónima publicada por Éditions Champ Vallon em 2009.

[5] O termo verdolâtrie que podemos traduzir por “verdolatria” é um neologismo utilizado por Alain Roger em Court Traité du Paysage, Paris: Gallimard, 1997.

[6] L’enfert vert. Un projet pavé de bonnes intentions é o título completo (e muito sugestivo) de um livro de TOMJO, L’Échappée, 2013)

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Cellophane Green 

12 collages (one diptych) A4 and A5, 2016

Between late 2015 and summer 2016 Catagreena & Raquel Pedro made several collages, including four series, each one with 12 compositions: The coming storm[1], Cellophane Green, XII prints of scientific botanical digression[2] and Vegeta Mundi.

In Cellophane Green (the series presented here), remains of materials are recycled, materials accumulated in the course of the research work carried out by the artists. What we can see here are compositions of Raquel Pedro from images printed in black and white which result essentially from a collection of photographs, but also from engravings that initially served as a basis for the composition of drawing. The organic method of work of this artists led them to shift their eclectic practice from drawing to collages. They’ve been concentrated exclusively on collage practice for a year, exploring on one hand the full potential of remained material and on the other the possibility of the existence of their work in digital format, on a website[3]. Catagreena added pieces of green cellophane to the compositions of Raquel Pedro made from this “remains”, giving literal continuity to the game of co-creation and composition of the pair. In this way, unique compositions have been created, each image can be appreciated as a sort of haiku.

Cellophane Green reflects the green image echoing a superficial ecology: the opportunism in capitalist marketing of ecological image, so present in the media, packaging, commerce – a fake green aesthetic[4], or its instrumentalization, the so called Greenwashing but also greenolatrie or green hell. These are concepts of different areas – Greenwashing (marketing), or greenolatrie[5] (Alain Roger, landscaping), green hell[6] (Tomjo, politics) – that lead to the same idea of the abuse of a ‘green’ image, often in search for a superficial “naturalistic” image, but very little or not ecological at all, feeding financial interests or used as a politically correct argument to convince and control the consumer and the electorate. It is a fact that we encounter every day. We recognize, though, that this “green theatre” is at the same time, a symptom that something is definitely and symbolically in motion and perhaps regardless of “unethical” intentions, this contributes to the construction of an imaginary that is determinant for an ecological transition, the necessary paradigm shift.

[1] Published in the animalia.vegetalia.mineralia VIII, https://animaliavegetaliamineralia.org/2016/12/05/ano-iii-year-iii-numero-viii-number-viii-inverno-2016-17-winter-2016-17/),

[2] published in ES:CALA#9, https://escalanarede.com/2016/10/19/xii-estampas-de-digressao-botanica-cientifica/

[3] https://catagreenaxraquelpedro.wordpress.com

[4] which differs from the Esthétique Verte described by Loïc Fel in his homonymous work published by Éditions Champ Vallon in 2009.

[5] The term greenolatrie which we translate from verdolatrie in French, is a neologism used by Alain Roger in Court Traité du Paysage, Paris: Gallimard, 1997.

[6] L’enfert vert. Un projet pavé de bonnes intentions is the complete (and quite suggestive) title of a book by Tomjo (L’Échappée, 2013).

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Catagreena (Catarina Marto) & Raquel Pedro colaboram desde 2012 quando decidiram juntar práticas de colagem e desenho para a realização de uma residência conjunta em Vila Nova de Cerveira. Destacam-se as exposições Montes de Montes na Galeria Má Arte, Aveiro 2014, Risco e Incerteza Galeria Municipal Palácio Ribamar, Algés 2015 e Ubiquidade do Natural na Câmara Municipal de Lisboa, Campo Grande, 2015. catagreenaxraquelpedro.wordpress.com

Catagreena (Catarina Marto) & Raquel Pedro have been working together since 2012, when they decided to join the practice of collage and drawing for a residency at Vila Nova de Cerveira. Selected exhibitions: Montes de Montes (Hills of Hills) at Galeria Má Arte, Aveiro 2014, Risco e Incerteza (Risk and Uncertainty) at Galeria Municipal Palácio Ribamar, Algés 2015 and Ubiquidade do Natural (Ubiquity of the Natural) Câmara Municipal de Lisboa, Campo Grande, 2015. catagreenaxraquelpedro.wordpress.com

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Água / Water

ilda teresa castro . 2016

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Projecto de pesquisa sobre a Água. Este conjunto de 105 fotografias capta diferentes momentos no fluxus da maré à beira-mar, registando uma multiplicidade de formas, desenhos, contornos, marcas na areia, proliferação de musgos e fungos, texturas e colorações, numa diversidade de estados e metamorphoses que facilmente passam despercebidos na relação contemporânea do humano com o mundo natural. A recolha da riqueza gráfica e visual destes registos procura lembrar quanto a contemplação tende a ser uma capacidade esquecida e desvalorizada sendo, porém, potencialmente enriquecedora e reveladora de universos, por vezes, insuspeitados.

Water research project. This set of 105 photographs captures different moments in the flow of the tide by the sea, registering a multiplicity of shapes, patterns, contours, marks in the sand, mosses and fungi proliferation, textures and colorations, in a diversity of states and metamorphoses that easily pass unnoticed in the contemporary human relationship with the natural world. The collection of the graphical and visual richness of these records seeks to remember how contemplation tends to be a forgotten and devalued capacity, however potentially enriching and revealing universes, sometimes unsuspected.

 

* Ilda Teresa Castro artista pluridisciplinar, no seu trabalho mais recente assume um cruzamento entre arte e ecologia − arte e ciência, com enfoque no domínio ecocritico, ambiental e animal. Conjuga práticas artísticas distintas: desenho, fotografia, webdesign, joalharia, escultura e filme. Investigadora pós-doc no AELab – Laboratório de Estética e Filosofia das Práticas Artísticas do IfilNova,  com o projecto “Paisagem e Mudança − Movimentos”, apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Fundadora e editora da plataforma e jornal online  AnimaliaVegetaliaMineralia, realiza filmes e instalações ecocriticas. Publicou Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015). Doutorada em Ciências da Comunicação/Cinema e Televisão, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Prossegue investigação em Estudos Fílmicos e Ecocriticismo. (ver também exposições/exhibitions)

* Ilda Teresa Castro is a multidisciplinary artist, her most recent work assumes a cross between art and ecology — art and science, with a focus on the ecocritical, environmental and animal domain. It combines different artistic practices: drawing, photography, webdesign, jewelery, sculpture and film. Researcher in the AELab – Laboratory of Aesthetics and Philosophy of Artistic Practices at IfilNova Institute of Philosophy, Castro is developing the Postdoctoral project “Landscape and Change – Movements”, with support by the FCT. Founder and editor of the online journal and homonym platform AnimaliaVegetaliaMineralia she makes films and ecocritic instalations.  PhD in Communication Sciences, Faculty of Humanities and Social Sciences, Universidade NOVA de Lisboa, she published the book Eu Animal − argumentos para um novo paradigma – cinema e ecologia (2015) [I Animal – arguments for a new paradigm– cinema and ecology (2015)] and continues making research in Film Studies and Ecocriticism. (see also exposições/exhibitions).

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A tempestade que vem

The Coming Storm

Catagreena & Raquel Pedro

Colagens realizadas a partir de recortes do relatório Global Risks 2015 (10th Edition) por World Economic Forum e de cópias de paisagens (sobras de imagens impressas que serviram de base em trabalhos anteriores de desenho). Procurou-se atribuir rugosidade e expressividade a termos e conceitos de um documento tecnocrata que fala de catástrofes de forma lisa e fria, questionando desta forma a sua eloquência ou (insuficiente) consequência.

No decorrer dos 12 dias da COP21 (Conferência sobre o clima em Paris, de 30 de Novembro a 11 de Dezembro 2015), estas 12 colagens foram “postadas” nas páginas do facebook, uma por cada dia da conferência, fazendo assim uma reza ou uma exposição lenta ou uma acção simbólica de apoio à COP (Conference of Parties).

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The Coming Storm is a group of collages carried through from clippings of the Global Risks 2015 (10th Edition) report, by World Economic Forum and of copies of landscapes (leftovers of images printed that had served of base in previous works). It was meant to attribute some roughness and expressiveness to the terms and concepts of a technocrat document that speaks of catastrophes in a smooth and cold form, though questioning its eloquence or (insufficient) consequence.

In elapsing of the 12 days of the COP21 (Conference on the climate in Paris, 30 of November – 11 of December 2015), these 12 collages have been posted the pages of facebook of the authors, one per each day of the conference, thus making a kind of prayer or a slow exposition or a symbolic support to the COP (Conference of Parties).

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Risks Edition, The Global Risks Landscape

Catagreena & Raquel Pedro

Caderno de colagens realizadas a partir de cópias de paisagens (sobras de imagens impressas que serviram de base para desenho, em trabalhos anteriores*) e de recortes do relatório Global Risks 2015 (10th Edition) pelo World Economic Forum – um documento tecnocrata que mapeia os riscos globais, constitui-se como uma base de informação para criar linhas de orientação para o investimento e a política, para tal monitoriza o globo e devolve a catástrofe sob forma estatística num atraente design de visualização de informação, actualizando a informação anualmente. Prolongamos livremente o gesto lírico. *Agradecemos aos autores das imagens recortadas.

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Notebook of collages made from copies of landscapes (leftovers of printed B&W images*, that were the basis for drawing on previous work) and clippings from the report Global Risks 2015 (10th Edition) by the World Economic Forum – a technocrat document that maps the global risks, it is constituted as an information base to create guidelines for investment and policy, for such, it monitors the globe and returns the catastrophe in statistical form in an attractive information display design, updating information annually. We freely extended the lyrical gesture. * Our gratitude to the authors of trimmed images.

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Catagreena (Catarina Marto) & Raquel Pedro colaboram desde 2012 quando decidiram juntar práticas de colagem e desenho para a realização de uma residência conjunta em Vila Nova de Cerveira. Destacam-se as exposições Montes de Montes na Galeria Má Arte, Aveiro 2014, Risco e Incerteza Galeria Municipal Palácio Ribamar, Algés 2015 e Ubiquidade do Natural na Câmara Municipal de Lisboa, Campo Grande, 2015. catagreenaxraquelpedro.wordpress.com

Catagreena (Catarina Marto) & Raquel Pedro have been working together since 2012, when they decided to join the practice of collage and drawing for a residency at Vila Nova de Cerveira. Selected exhibitions: Montes de Montes (Hills of Hills) at Galeria Má Arte, Aveiro 2014, Risco e Incerteza (Risk and Uncertainty) at Galeria Municipal Palácio Ribamar, Algés 2015 and Ubiquidade do Natural (Ubiquity of the Natural) Câmara Municipal de Lisboa, Campo Grande, 2015. catagreenaxraquelpedro.wordpress.com

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