estudos animais / animal studies

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português / english

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Estudos Críticos Animais na Europa (Dossier) Critical Animal Studies in Europe

– conversa com Richard Twine sobre o Centro de Estudos Humanos-Animais (CfHAS) e os Estudos Críticos Animais / interview with Richard Twine on The Centre for Human Animal Studies (CfHAS) and on Critical Animal Studies, Ilda Teresa de Castro

(entrevista / interview – no. X . 2018-2019)

Estudos Críticos Animais na Europa (Dossier) Critical Animal Studies in Europe

– conversa com Tereza Vandrovcová sobre a Associação Europeia para os Estudos Criticos Animais (EACAS) / interview with Tereza Vandrovcová on the European Association for Critical Animal Studies (EACAS), Ilda Teresa de Castro

(entrevista / interview – no. X . 2018-2019)

Os académicos não devem considerar-se à parte – conversa com Rod Benisson, a propósito da Minding Animals International Incorporated, da Conferência Minding Animals e dos Estudos Animais / Academics should not consider themselves as apart – interview with Rod Benisson on the Minding Animals International Incorporated, on Minding Animals Conferences and on Animal Studies, Ilda Teresa de Castro

(entrevista / interview – no. V . 2015)

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Estudos Criticos Animais na Europa (Dossier) Critical Animal Studies in Europe

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Conversa com Richard Twine* por Ilda Teresa de Castro*

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A descrição do Centro de Estudos Humanos-Animais, CfHAS, refere que o Centro é “um fórum interdisciplinar de investigação e actividades relacionadas com as complexas relações materiais, éticas e simbólicas entre humanos e outros animais. Reúne estudiosos das artes e humanidades, ciências sociais e ciências naturais, com o objetivo de repensar as nossas relações com os animais no sentido de criar mudanças sociais, políticas, ambientais, éticas e culturais significativas. O CfHAS promove investigação interdisciplinar, desafiando o pensamento e as abordagens antropocêntricas (centradas no ser humano) e reconhecendo os interesses dos animais. Actualmente, a investigação no CfHAS move-se em torno dos seguintes temas principais: mudança climática e sustentabilidade; saúde e bem-estar; práticas representacionais e compreensão cultural; conflitos ecológicos; intersecionalidade e justiça social.” Como iniciador da Associação Europeia para os Estudos Críticos Animais (ver entrevista com Tereza Vandrovcová – abaixo) e co-director do Centro de Estudos Humano-Animais (CfHAS) da Edge Hill University, qual é a importância e quais os objectivos dos Estudos Críticos Animais [ECA] e dos Estudos Humanos-Animais, hoje em dia, num momento em que enfrentamos os desafios ecológicos do Antropoceno_Capitaloceno?

Os Estudos Criticos Animais têm hoje mais importância do que nunca, na medida em que são a única área académica que põe em causa os pressupostos do pensamento antropocêntrico e especista. É uma voz indispensável no âmbito da crise ecológica, na medida em que, de certa forma, a explica, atribuindo-a ao surgimento da mercantilização dominante da maioria das espécies de animais não humanos. [Os ECA também rejeitam o conceito do Antropoceno por ser demasiado vago para exprimir as especificidades e as múltiplas razões do surgimento da perda da biodiversidade e das alterações climáticas]. As intenções ou os objetivos dos ECA devem ser no sentido de mudar práticas em relação aos outros animais, em todas as vertentes das sociedades, de promover uma compreensão interseccional da crise em termos de capitalismo, imperialismo, patriarcado e especismo, e de difundir uma compreensão crítica do projecto humanista ocidental. Um objetivo mais específico, em termos de crise ecológica, é tornar clara a relevância das relações entre humanos e animais para compreender o surgimento das alterações climáticas e a resposta a estas. E isto deve reflectir-se na comunicação com os activistas, o facto de as alterações climáticas serem de extrema importância na questão dos direitos dos animais. Assim, por exemplo, não deve haver distinção entre “ser vegano pelos animais” e ser vegano por “razões ambientais”.

A Introdução de The Rise of Critical Animal Studies – From the Margins to the Centre (Routledge, 2014), organizado em parceria com Nik Taylor (Flinders University, Austrália) refere que “os ECA têm as suas raízes institucionais no lançamento do Centre for Animal Liberation Affairs, em 2001, que se tornou mais tarde, em 2007, no Critical Animal Studies (ICAS). Desde então, tanto os ECA enquanto área de estudo como o ICAS enquanto instituição cresceram consideravelmente. Este último tem agora extensões na América do norte, América latina, África, Europa e Oceânia, servindo um âmbito alargado de académicos e activistas.” É possível avaliar objetivamente o impacto dos ECA na exploração animal e na mudança efectiva de práticas, regulamentações e disposições legislativas?

Essa é uma boa pergunta e, no entanto, é tentador responder com um simples “não”. “Avaliar objetivamente o impacto dos ECA na exploração animal” seria uma tarefa quase impossível. Penso que é cedo demais para sabermos. Mas ficaria surpreendido se os ECA ainda não tivessem tido um papel relevante na mudança da forma de pensar de muitos académicos e no desafio a académicos de estudos animais com uma posição menos crítica. Também criou oportunidades e legitimou o trabalho de jovens investigadores da área, como os doutorandos. Penso que o ramo ‘vegan studies’  começa também a ter um papel importante na normalização do debate sobre o veganismo. Creio que os ECA começam a ter impacto, mas não quero exagerar. Ainda agora começámos, embora as questões que tratamos sejam muitíssimo urgentes.

Em “The Rise (and Fall) of Critical Animal Studies”, Steven Best começa por dizer “O súbito aumento dos programas de estudos animais, movendo o tema das margens para o mainstream, é tão louvável como lamentável. Se os estudos animais são uma força potencial de esclarecimento e mudança progressiva nas atitudes e políticas públicas para com os animais não humanos, os académicos que os apoiam estão condicionados a promovê-los dentro da rigidez das restrições institucionais e das intensas regras de normalização que frequentemente exigem conformidade, “neutralidade”, distanciamento descomprometido e ativismo dentro de limites restritos (…) ”. Quais são os riscos e dificuldades que os ECA enfrentam na academia e como se podem resolver?

Corremos o risco de sermos travados, diluídos, ou vistos como uma ameaça. A base de conhecimento dos ECA contesta os princípios mais elementares do pensamento humanista e antropocêntrico. Nunca poderia ser pacífico. É um desafio inserir a disciplina num programa. A mudança acontece quando os investigadores de ECA entram no quadro e, consequentemente, ganham mais influência. Ou quando são apoiados por entidades externas, particularmente se estas financiam a investigação. Ou quando começa a ser evidente que há estudantes interessados nos estudos críticos sobre as relações humano/animal. Se houver procura por parte dos alunos, os gestores são mais receptivos. Todas estas questões são contextualizadas pela lamentável mercantilização do ensino superior. No geral, esta questão transforma a instituição num espaço menos receptivo ao pensamento crítico, mais conservador, focado principalmente na empregabilidade dos alunos e na avaliação do desempenho institucional e estudantil. Este contexto funciona como uma restrição adicional à integração dos ECA na instituição.

*Richard Twine trabalha na intersecção entre os estudos críticos animais, a sociologia ambiental, os estudos de género e os estudos de ciência e tecnologia. É professor titular de Ciências Sociais na Edge Hill University, Reino Unido, bem como co-diretor do Center for Human / Animal Studies (CfHAS). O seu doutoramento, concluído em 2002, reuniu a crítica ecofeminista do dualismo com a de escritos sociológicos mais recentes, com o objectivo de aprofundar a base da interseccionalidade. É autor do livro Animals as Biotechnology – Ethics, Sustainability and Critical Animal Studies (Routledge 2010) bem como de artigos e capítulos de livros sobre estudos científicos, pós-humanismo, ecofeminismo, veganismo, bioética e estudos críticos animais. Também é co-editor com Nik Taylor (Universidade de Flinders, Austrália) de The Rise of Critical Animal Studies – From the Margins to the Center (Routledge, 2014). Entre 2002 e 2012, ocupou cargos de pesquisa na Universidade de Lancaster (especificamente no Centro ESRC para os Aspectos Económicos e Sociais da Genômica). Também trabalhou no Instituto de Educação em Londres e na Universidade de Glasgow. A sua pesquisa atual concentra-se principalmente nas relações entre as mudanças climáticas, as práticas alimentares e as relações humano/animal.

*llda Teresa de Castro é ecóloga, artista e investigadora. Realiza o pós-doutoramento (2013-2019) Paisagem e Mudança – Movimentos, com apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Doutorada em Ciências da Comunicação / Cinema e Televisão, na FCSH, da Nova de Lisboa, com uma tese sobre a participação do filme na sensibilização ecológica. É formada em Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, e em Peritos em Arte na Escola Superior de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva, Lisboa. É autora de vários ensaios e dos livros Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015); de uma trilogia de entrevistas sobre Cinema Português, Animação Portuguesa (2004); Cineastas Portuguesas (2001); Curtas Metragens Portuguesas (1999) e do cartoon book Não Fazer Nada É que É Bom 1991-2004 (2005). Enquanto ecoartista desenvolve projectos multidisciplinares num cruzamento entre arte, ecologia, filosofia e ciência com enfoque no domínio ecocritico, ambiental e animal. Os seus ecofilmes têm sido exibidos em ecofestivais e ecoconferências na Amazónia – Brasil, Panjim – Goa, Mexico City – México, Porto, Lisboa e Colares – Portugal. É co-autora da ópera multimedia Descartes Nunca Viu Um Macaco (2017). É a fundadora e editora da plataforma e revista online: ecomedia, ecocinema e ecocritica_animalia vegetalia mineralia.

tradução de maria carbonara e gabriel flores

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(Dossier) Animal Studies in Europe

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Interview with Richard Twine* by Ilda Teresa de Castro*

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The description of the CfHAS refers “The Centre for Human Animal Studies (CfHAS) is an interdisciplinary forum for research and activities that engage with the complex material, ethical and symbolic relationships between humans and other animals. CfHAS brings together scholars from the arts and humanities, social sciences and natural sciences to examine how rethinking our relations with animals can create meaningful social, policy, environmental, ethical and cultural change. CfHAS promotes interdisciplinary research that challenges anthropocentric (human-centred) thinking and approaches and recognises the interests of animals. Research at CfHAS currently revolves around these key themes: climate change and sustainability; health and well-being; representational practices and cultural understanding; ecological conflicts; intersectionality and social justice.” As an initiator of the European Association for Critical Animal Studies (see the interview with Tereza Vandrovcová – conferences) and co-director of the Centre for Human Animal Studies (CfHAS) at Edge Hill University, what is the significance and intentions of Critical Animal Studies and Human Animal Studies nowadays, when we are facing the ecological challenges of the Anthropocene_Capitalocene?

Critical Animal Studies is as significant as ever because it’s the only academic field which is contesting the assumptions of anthropocentric and speciesist thought. It is a very necessary voice in the midst of the ecological crisis because it explains that crisis partly in terms of the emergence of a dominant commodification of most nonhuman animal species. [CAS may also reject the concept of the Anthropocene because it is too general to convey the multiple and specific reasons why climate change and the biodiversity crisis have emerged]. The intentions or goals of CAS must be to change practices toward other animals at all scales of societies, to foster an intersectional understanding of crisis in terms of capitalism, empire, patriarchy and speciesism, and to disseminate a critical understanding of the Western humanist project. A more specific goal, in terms of the ecological crisis, is to make clear the relevance of human/animal relations to understanding the emergence and response to climate change. This also means communicating with activists that climate change is a hugely significant animal rights issue. So for example, there should be no distinction between ‘being vegan for the animals’ and being vegan for ‘environmental reasons’.

The Introduction of The Rise of Critical Animal Studies – From the Margins to the Centre (Routledge, 2014) co-edited with Nik Taylor (Flinders University, Australia) says “CAS can trace its institutional roots to 2001 and the launching of the Centre for Animal Liberation Affairs, which later became the Institute for Critical Animal Studies (ICAS) in 2007. Since then, both CAS as a field of study, and ICAS as an institution have grown considerably; the latter now has North American, Latin American, African, European and Oceanic arms, which cater to a broad range of scholars and activists.” Is it possible to objectively evaluate the Critical Animal Studies impact on animal exploitation and effective changes in practices, regulations and legal statutes?

This is a good question; however, it’s tempting just to answer this with a plain no. To ‘objectively evaluate the CAS impact on animal exploitation’ would be an almost impossible endeavour. I think it is too soon to know. However, I would be surprised if CAS has not already been effective in changing the thinking of many academics and in also challenging less critical animal studies scholars. It has also created opportunities and legitimised the work of young researchers, such as PhD students, in the field. I think the related offshoot ‘vegan studies’ has also begun to be important for normalising research discussion of veganism.  I think CAS has started to have an impact, but I wouldn’t want to overstate it. We are still young, even if the issues are incredibly urgent.

In “The Rise (and Fall) of Critical Animal Studies”, Steven Best begins by referring “The rapid surge in animal studies programs, moving it from the margins to the mainstream, is both laudable and lamentable. For as animal studies is a potential force of enlightenment and progressive change in public attitudes and policies toward nonhuman animals, its academic proponents can only advance it within tight institutional constraints and intensive normalising regimes that frequently demand conformity, “neutrality”, disengaged detachment, and activism within narrowly accepted limits (…)”. What are the risks and difficulties that the CAS face in academia and how can they be solved?

The risks are that it will be blocked, that it will be diluted, that it will be seen as threatening. The knowledge base of CAS is contesting major tenets of humanist and anthropocentric thought. This was never going to be a smooth ride. It’s challenging to get it on to the curriculum. Change seems to happen when CAS researchers gain permanent academic positions and thus more influence. It also happens when they are supported by outside bodies, especially if they can contribute research funding. It also happens when it becomes apparent that students want to engage with critical knowledge about human/animal relations. If there is student demand, managers are more likely to listen. All of these issues are contextualised by the regrettable marketisation of higher education. Overall, this makes the academy a less welcoming space for critical thinking and a more conservative space focussed mostly on the employability of students and the measuring of student and academic performance. This context acts as a further constraint on the academic embedding of CAS.

*Richard Twine works at the intersection of critical animal studies, environmental sociology, gender studies and science and technology studies. He is Senior Lecturer in Social Sciences at Edge Hill University, UK as well as Co-Director of the Centre for Human/Animal Studies (CfHAS). His PhD, completed in 2002, brought together the ecofeminist critique of dualism with that found in much recent sociological writings in order to further probe the basis for intersectionality. He is the author of the book Animals as Biotechnology – Ethics, Sustainability and Critical Animal Studies (Routledge 2010), as well as several articles and book chapters on science studies, posthumanism, ecofeminism, veganism, bioethics, and critical animal studies.  He is also co-editor with Nik Taylor (Flinders University, Australia) of The Rise of Critical Animal Studies – From the Margins to the Centre (Routledge, 2014). Between 2002 and 2012 he held research positions at Lancaster University (specifically the ESRC Centre for Economic and Social Aspects of Genomics). He has also worked at the Institute of Education in London and the University of Glasgow. His current research primarily centres on the relationships between climate change, food practices and human/animal relations.

*Ilda Teresa de Castro is an ecologist, artist and researcher. She is doing the postdoctoral researcher (2013-2019)  Landscape and Change – Movements, with support by the Foundation for Science and Technology. PhD in Communication Sciences/Cinema and Television at Faculty of Social and Human Sciences, at NOVA University of Lisbon with a thesis which deals with the part films play in the construction of an ecocritical perception. She is graduated in Cinema Studies at Superior School of Theater and Cinema in Lisbon, and in Art Experts at Superior School of Decorative Arts, Foundation Ricardo do Espírito Santo Silva in Lisbon. She is the author of several essays as well as the book Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (I Animal – arguments for a new paradigm – cinema and ecology, 2015); a trilogy of interviews on Portuguese Cinema, Animação Portuguesa, (Portuguese Animation Movies, 2004); Cineastas Portuguesas (Portuguese Women´s Cinema, 2001); Curtas Metragens Portuguesas (Portuguese Short-Films, 1999) and the cartoon book Não Fazer Nada É que É Bom 1991-2004 (To Do Nothing At All – That’s The Life!, 2005). As ecoartist she develops multidisciplinary projects  at a crossroad between art, ecology, philosophy and science, focusing on the ecocritic, environmental and animal domain. As a ecocinema filmmaker and video artist, she has had his works screened in ecofestivals and ecoconferences in Amazonia – Brasil, Panjim – Goa, Mexico City – Mexico, Porto, Lisboa and Colares – Portugal. She is co-author of the multimedia opera Descartes Never Saw A Monkey (2017). She is the founder and editor of the online ecomedia, ecocinema and ecocritic platform and journal_animalia vegetalia mineralia. 

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Estudos Animais na Europa (Dossier) Animal Studies in Europe

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Conversa com Tereza Vandrovcová* por Ilda Teresa de Castro*

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A Declaração de Missão da EACAS é bastante explícita: “O principal objectivo da Associação Europeia para os Estudos Críticos Animais (EACAS) é reunir estudiosos europeus de Estudos Críticos Animais (CAS) e activistas interessados no campo de Estudos Críticos Animais. Juntos, queremos eliminar o domínio e opressão dos animais (inclusive os humanos) e transformar o ensino superior num ambiente mais inclusivo para a consideração de todas as espécies. O s Estudos Críticos Animais constituem o primeiro campo académico a defender o desmantelamento do complexo animal-industrial e o veganismo.” (Declaração de Missão da EACAS)

Como e quando surgiu o EACAS organizado como um grupo? Como surgiu o projecto, se espalhou e se desenvolveu desde as primeiras ideias?

Inicialmente, o Centro de Assuntos de Libertação Animal, que mais tarde mudou de nome para Instituto de Estudos Críticos Animais (ICAS), foi fundado em 2001, nos EUA. Depois de alguns anos, os fundadores encorajaram o estabelecimento de departamentos regionais em todo o mundo e foi assim que o Instituto de Estudos Críticos Animais da Europa foi fundado. Após alguns anos de cooperação com a ICAS, chegamos à conclusão de que queríamos ser independentes e, portanto, em 2015, fundamos a Associação Europeia para os Estudos Críticos Animais (EACAS).

A primeira conferência teve lugar em 2010 em Liverpool, seguida de Praga em 2011, Karlsruhe em 2013, Lisboa em 2015, Lund em 2017 e no próximo ano será em Barcelona (2019). Como se organizam as interconexões por toda a Europa? A declaração de missão tem sido alcançada ao longo destes anos?

A EACAS não tem nenhum status oficial como por exemplo um registo ONG, é apenas um colectivo de pessoas com objetivos académicos e activistas similares. Temos muito trabalho pela frente para eliminar a opressão animal mas a primeira parte da declaração já foi alcançada porque criamos uma rede funcional não hierárquica de académicos e activistas de CAS que se comunicam e cooperam entre si.

É possível avaliar a evolução do interesse nos CAS pela academia desde a fundação da EACAS? O que está a acontecer e o que falta fazer?

Não posso falar por toda a Europa mas na República Checa vejo o aumento do interesse pelos CAS, pelo menos, entre os estudantes. Eu gostaria que alguns desses estudantes se tornassem académicos e que sua paixão pela defesa dos animais não desmaiasse. Precisamos de mais cursos universitários, de artigos e de outras formas de difundir a ideia de libertação animal ao nível académico. Também precisamos de cooperar com os activistas e de lhes fornecer conhecimento útil numa linguagem abrangente.

No campo dos CAS, quão importante é construir relações entre a academia, de um lado, e o activismo, os políticos e a sociedade em geral, de outro? Qual o papel dos estudiosos e pesquisadores nas transformações filosóficas e sociológicas sobre os valores da sociedade humana?

A cooperação entre a academia, o activismo e a política é crucial, porque um dos problemas mais comuns dos Estudos Animais é o de criar teoria-pela-teoria e retirar-se para a denominada “torre de marfim”. Em contraste, o objetivo dos estudiosos dos CAS é o de vincular a teoria à prática, e a academia à comunidade. Em relação às transformações filosóficas e sociológicas, um dos aspectos mais importantes é a desconstrução das oposições binárias socialmente construídas entre animais-humanos e não-humanos, e iluminar as dicotomias relativas entre cultura e Natureza, civilização e selva, e outras hierarquias dominadoras que enfatizam os limites históricos colocados pela humanidade.

Um dos aspectos que distingue o EACAS de outras organizações no mesmo domínio de estudos e acção, é uma prática de participação conjunta na circulação da informações entre membros e a apresentação dos membros numa mesma plataforma online comum, não hierárquica. Essa postura recusa o alinhamento tradicional em pirâmide, e ajusta -se a uma atitude mais progressista de cooperação e participação. A declaração de missão também refere: “Juntos queremos eliminar a dominação e a opressão dos animais (incluindo humanos) (…)”. Estamos a viver um tempo histórico em que, tal como nas relações inter-espécies, é necessário rever os modelos de relações intra-espécies?

Sim, o CAS recusa as estruturas hierárquicas e promove uma compreensão holística da interconexão das opressões, tais como o especismo, o sexismo, o racismo e outras ideologias hierárquicas. Tal como o Professor Steve Best (co-fundador da ICAS) contextualiza nos seus artigos desde 2009, vivemos numa época incrível, singular, sem precedentes, de fazer-ou-morrer, que coloca as mais extremas obrigações e exigências que não podemos ignorar. A revolução de que este planeta necessita tão desesperadamente depois de dez mil anos de “civilização” deve envolver, entre outras coisas, uma transcendência do antropocentrismo, do especismo, do patriarcado, do racismo, do classismo, da homofobia, dos incapacitados e dos preconceitos e hierarquias de todos os tipos.

*Tereza Vandrovcová é académica na University of New York em Praga (UNYP) onde leciona Psicologia Social, Sociologia e Animais na Sociedade Humana: Perspectivas Psicológicas. Também ensina introdução aos Estudos Animais na Charles University (Praga) e na Universidade Masaryk (Brno). Os seus interesses de investigação incluem os estudos críticos animais, a psicologia do consumo de carne e a sociologia da ciência. Em 2011, publicou o livro Animal como objecto experimental: uma reflexão sociológica (em checo) e co-organizou a segunda Conferência Europeia de Estudos Críticos Animais, em Praga. Em 2012, tornou-se  “Tyke Scholar of Year” do Instituto de Estudos Críticos Animais e, entre 2013 e 2015, foi Directora Regional do Institute for Critical Animal Studies da Europa. Em 2017, terminou o seu Ph.D. em Sociologia pela Faculdade de Letras da Charles University ( (Praga, República Tcheca) com a tese “Animais como objectos de laboratório: análise do discurso do poder” (em tcheco). É co-fundadora da Sociedade Vegana Checa (Česká veganská společnost) e do EACAS.

*llda Teresa de Castro é ecóloga, artista e investigadora. Realiza o pós-doutoramento (2013-2019) Paisagem e Mudança – Movimentos, com apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Doutorada em Ciências da Comunicação / Cinema e Televisão, na FCSH, da Nova de Lisboa, com uma tese sobre a participação do filme na sensibilização ecológica. É formada em Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, e em Peritos em Arte na Escola Superior de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva, Lisboa. É autora de vários ensaios e dos livros Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015); de uma trilogia de entrevistas sobre Cinema Português, Animação Portuguesa (2004); Cineastas Portuguesas (2001); Curtas Metragens Portuguesas (1999) e do cartoon book Não Fazer Nada É que É Bom 1991-2004 (2005). Enquanto ecoartista desenvolve projectos multidisciplinares num cruzamento entre arte, ecologia, filosofia e ciência com enfoque no domínio ecocritico, ambiental e animal. Os seus ecofilmes têm sido exibidos em ecofestivais e ecoconferências na Amazónia – Brasil, Panjim – Goa, Mexico City – México, Porto, Lisboa e Colares – Portugal. É co-autora da ópera multimedia Descartes Nunca Viu Um Macaco (2017). É a fundadora e editora da plataforma e revista online: ecomedia, ecocinema e ecocritica_animalia vegetalia mineralia.

tradução de ilda teresa de castro

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(Dossier) Animal Studies in Europe

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Interview with Tereza Vandrovcová* by Ilda Teresa de Castro*

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The description of the EACAS Mission Statement is quite explicit in its primary focus: The main goal of European Association for Critical Animal Studies (EACAS) is to bring together european CAS scholars and activists who are interested in the field of Critical Animal Studies. Together we want to eliminate the domination and oppression of animals (humans included), and to transform higher education into a more inclusive environment for considering all species. Critical Animal Studies constitutes the first academic field to advocate for the dismantling of the animal-industrial complex, and for veganism.” (EACAS Mission Statement).

How and when EACAS emerged and organised as a group? How did the project raised, spread and developed since the first ideas?

At first, the Center on Animal Liberation Affairs which later changed name to the Institute for Critical Animal Studies (ICAS) was founded in 2001 in USA. After some years the founders encouraged establishing of the regional chapters around the world and that is how the Institute for Critical Animal Studies, Europe was founded. After few years of cooperation with ICAS we came to conclusion that we wanted to be independent and therefore in 2015 we founded European Association for Critical Animal Studies (EACAS).

The first conference took place in 2010 in Liverpool, followed by Prague (2011), Karlsruhe (2013), Lisbon (2015), Lund (2017) and next year in Barcelona (2019). How is it organised in its interconnections throughout Europe? Is the mission statement being achieved over these years?

The EACAS does not have any official status such as registered NGO, it is just a collective of people with the similar academic and activist goals. We have a lot of work ahead in order to eliminate animal oppression but the first part of the statement has been already achieved because we created functional non-hierarchical network of CAS scholars and activists who communicate and cooperate with each other.

Is it possible to evaluate the evolution of interest in CAS by the academia since the foundation of EACAS? What is going on and what remains to do?

I cannot speak for the whole Europe but in Czechia I see a rise of the interest in CAS at least among students. I wish that some of these students will become academics and that their passion for animals will not faint. We need more university courses, articles and other ways of spreading the idea of animal liberation on the academic level. Also we need to cooperate with activists and to provide them the useful know-how in comprehensive language.

In the field of CAS how important is to build relations between academia on one hand and activism, policy makers and society at large on the other hand?  What is the role of scholars and researches on the philosophical and sociological transformations on the values of human society?

The cooperation between academia, activism and politics is crucial because one of the problem of mainstream Animal Studies is that it often creates theory-for-theory and it closes itself to the so called “ivory tower”. In contrast, the aim of CAS scholars is to link theory to practice and the academy to the community. Regarding the philosophical and sociological transformations, one of the important roles is to deconstruct the socially constructed binary oppositions between human and nonhuman animals but also to illuminate related dichotomies between culture and nature, civilization and wilderness and other dominator hierarchies to emphasize the historical limits placed upon humanity.

A strong aspect that distinguishes EACAS from other organisations with a similar domain is a praxis of joint participation in the circulation of information among members, or in the presentation of members on a same common online platform not hierarchical. This posture refuses the traditional pyramid alignment and fits a more progressive attitude of cooperation and participation. The mission statement also says “Together we want to eliminate the domination and oppression of animals (humans included) (…)”. Are we living a historical time in which, as in inter-species relations, its necessary to review the models of intra-species relations?

Yes, CAS refuses the hierarchical structures and advances a holistic understanding of the interconnection of oppressions, such that speciesism, sexism, racism and other hierarchical ideologies. As prof. Steve Best (co-founder of ICAS) lays down in his article from 2009, we live in this most incredible, singular, unprecedented, do-or-die era that places the most extreme obligations and demands on us that we cannot ignore. The revolution that this planet so desperately needs after ten thousand years of “civilization” must involve, among other things, a transcendence of anthropocentrism, speciesism, patriarchy, racism, classism, homophobia, ablism, and prejudices and hierarchies of all kinds.

*Tereza Vandrovcová is an academic (teacher and course guarantor) at the University of New York in Prague (UNYP) where she teaches Social Psychology, Sociology and Animals in Human Society: Psychological Perspectives. She also teaches introduction to Animal Studies at the Charles University (Prague) and Masaryk University (Brno). Her research interests include critical animal studies, psychology of meat consumption and sociology of science. In 2011 she published a book called Animal as an Experimental Object: a Sociological Reflection (in Czech) and she co-organized the second European Critical Animal Studies Conference in Prague. In 2012 she became the Institute for Critical Animal Studies ‘Tyke Scholar of Year’ and between 2013 and 2015 she was a Regional Director of the Institute for Critical Animal Studies, Europe. In 2017 she finished her Ph.D. in Sociology from the Faculty of Arts, Charles University (Prague, Czech Republic) with thesis called “Animals as Laboratory Objects: Analysis of the Power Discourse.” (in Czech). She is a co-founder of Czech Vegan Society (Česká veganská společnost) and EACAS.

*Ilda Teresa de Castro is an ecologist, artist and researcher. She is doing the postdoctoral researcher (2013-2019)  Landscape and Change – Movements, with support by the Foundation for Science and Technology. PhD in Communication Sciences/Cinema and Television at Faculty of Social and Human Sciences, at NOVA University of Lisbon with a thesis which deals with the part films play in the construction of an ecocritical perception. She is graduated in Cinema Studies at Superior School of Theater and Cinema in Lisbon, and in Art Experts at Superior School of Decorative Arts, Foundation Ricardo do Espírito Santo Silva in Lisbon. She is the author of several essays as well as the book Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (I Animal – arguments for a new paradigm – cinema and ecology, 2015); a trilogy of interviews on Portuguese Cinema, Animação Portuguesa, (Portuguese Animation Movies, 2004); Cineastas Portuguesas (Portuguese Women´s Cinema, 2001); Curtas Metragens Portuguesas (Portuguese Short-Films, 1999) and the cartoon book Não Fazer Nada É que É Bom 1991-2004 (To Do Nothing At All – That’s The Life!, 2005). As ecoartist she develops multidisciplinary projects  at a crossroad between art, ecology, philosophy and science, focusing on the ecocritic, environmental and animal domain. As a ecocinema filmmaker and video artist, she has had his works screened in ecofestivals and ecoconferences in Amazonia – Brasil, Panjim – Goa, Mexico City – Mexico, Porto, Lisboa and Colares – Portugal. She is co-author of the multimedia opera Descartes Never Saw A Monkey (2017). She is the founder and editor of the online ecomedia, ecocinema and ecocritic platform and journal_animalia vegetalia mineralia. 

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Os académicos não devem considerar-se à parte

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Conversa com Rod Benisson* a propósito da Minding Animals International Incorporated, da Conferência Minding Animals e dos Estudos Animais

por Ilda Teresa de Castro*

No domínio transdisciplinar dos Estudos Animais, a Minding Animals International Incorporated trabalha para promover o desenvolvimento dos Estudos Animais a nível internacional e para ajudar a estabelecer protecções legais e morais para todos os animais não-humanos. Tem como patronos, o Professor e Prémio Nobel da literatura em 2003, John Maxwell Coetzee, autor da obra ficcional The Lives of Animals (1999), mais tarde integrada em Elizabeth Costello (2003);  Jill Robinson MBE, pioneira na defesa animal na Ásia desde 1985 e amplamente reconhecida como especialista mundial na cruel indústria dos ursos, fundou a Animals Asia em 1998; e o Professor Peter Singer, filósofo ético, autor de Libertação Animal (1975), presidente da Associação Internacional de Bioética, e do Grande Ape Project, um esforço internacional para obter os direitos básicos para os chimpanzés, gorilas e orangotangos.

A Minding Animals International Incorporated (MAI) apresenta como finalidade e objetivos principais: reavaliar a relação entre os movimentos dos animais e do ambiente à luz das alterações climáticas e de outras ameaças e preocupações conjuntas; analisar a forma como os seres humanos identificam e representam os animais não-humanos na arte, literatura, música, ciência, meios de comunicação e no filme; analisar de que modo, ao longo da história, a objectificação (coisificação) dos animais não-humanos e da Natureza, na ciência e na sociedade, na religião e na filosofia, tem levado ao abuso dos animais não-humanos e como isso tem sido interpretado e avaliado; estudar como a vida dos seres humanos e dos seus companheiros não-humanos domesticados estão interligadas, e como a ciência, a medicina humana e a veterinária, utilizam essas conexões importantes; investigar como o estudo dos animais e da sociedade pode informar melhor tanto o estudo científico dos animais e a comunidade activista e legal (advocacia); quanto como a ciência e o activismo comunitário e a advocacia, podem informar o estudo académico de animais não-humanos e a sociedade.

A Conferência Minding Animals (MAC), como conceito, pretende fazer avançar a transdisciplina emergente dos Estudos Animais (também conhecidos como Estudos Humanos Animais, Animais e Sociedade, e Estudos Críticos Animais), tanto na academia quanto na comunidade em geral. No sentido de consolidar a sua transdisciplinaridade, as conferências MAC envolvem as ciências e as humanidades, as advocacias do ambiente e dos animais, e procuram envolver estas advocacias com as burocracias governamentais e as instituições de ensino superior. Estas conferências são realizadas a cada três anos em diferentes instituições de ensino superior.

No seguimento da Conferência Minding Animals (MAC3) que teve lugar em Delhi em Janeiro último, na Jawaharlal Nehru University (JNU), coloquei algumas questões a Rod Benisson, um dos fundadores da organização.

Rod, começo por perguntar, o que é a Minding Animals International Incorporated?

A Minding Animals International Incorporated (MAI) abre caminho ao campo transdisciplinar dos Estudos Animais em todas as suas variantes – os Estudos Animais, a Antrozoologia, os Estudos Animais Criticos, e assim por diante – no sentido de sensibilizar para a protecção dos animais. Neste contexto, a protecção dos animais incorpora o ambientalismo, a libertação animal, os direitos dos animais, a protecção dos animais selvagens, o bem-estar animal e a justiça dos animais (não necessariamente por esta ordem).

Qual o principal enfoque da MAI e como funciona?

A MAI tem por objectivo facilitar o discurso entre as várias áreas deste campo transdisciplinar em rápido desenvolvimento – que integra as artes e a literatura, os estudos feministas e queer, o direito e as políticas públicas, as ciências humanas e os estudos culturais – por forma a melhorar o estatuto dos animais não-humanos e decrescer a sua exploração. Como tal, o MAI facilita a investigação em Estudos Animais enquanto condutor de políticas e acções não-governamentais.

A estrutura e a acção da MAI funcionam como uma ponte entre a academia e a advocacia …

Sim, a MAI actua como uma ponte entre a academia e a advocacia, e é uma rede de mais de 3000 académicos, artistas, activistas e advogados, dedicados ao estudo e protecção de toda a vida planetária através do avanço dos Estudos Animais. É organizada num Conselho de nove directores, e tem em funcionamento vários Comités Consultivos.

Integra também vários grupos que actuam em diferentes partes do mundo, incluindo a Austrália, a África do Sul e toda a Europa, nomeadamente a Alemanha, Dinamarca, Noruega e Itália. O MAI está também incorporado no estado norte-americano de Delaware e é isento, ao abrigo do imposto de renda federal dos Estados Unidos, sob a secção 501 (com) (3) do Internal Revue Code. Como tal, e como instituição de caridade oficial, todas as doações feitas ao MAI Inc. nos EUA se qualificam a receber dedutibilidade fiscal.

A MAC3, em Nova Delhi, tem sido muito participada, com cerca de 200 delegados de 30 países. Qual a importância da escolha da Índia para este terceiro encontro e qual a relação estabelecida com as escolhas anteriores?

É importante para a Minding Animals Internacional mover-se em redor do globo. Foi uma decisão tomada pelo Conselho do MAI que a conferência tri-anual, sendo viável, seja realizada em continentes e culturas diferentes. Newcastle foi escolhida por ser a localização do fundador da organização, Utrecht foi a escolha de 2012, e Nova Delhi a de 2015.

Durante o encontro do Conselho do MAI em Delhi, foram oficialmente aprovados grupos internacionais do Minding Animals, na China, França, México, Nova Zelândia, USA e Reino Unido. Que mais valias podem trazer aos Estudos Animais, considerando a disseminação de ideias e de actividades?

A Minding Animals Internacional considera o apoio ao desenvolvimento de grupos nacionais de Estudos Animais, parte integrante do desenvolvimento dos Estudos Animais como transdisciplina crescente e de transição.

Além destes grandes encontros tri-anuais, a MAI apoia a realização de conferências e seminários em universidades de todo o mundo. Será o caso em Abril, em Birmingham, Inglaterra, em Junho, em Erlagen, na Alemanha, em Setembro, em Stavanger, Noruega e em Outubro, em Lisboa, Portugal. Como perspectiva a evolução do interesse nos Estudos Animais por parte da academia desde a fundação do MAI?

O MAI espera ter sido essencial para o desenvolvimento dos Estudos Animais enquanto campo transdisciplinar. Temos assistido ao desenvolvimento exponencial dos Estudos Animais desde a fundação do MAI após a primeira Conferência Minding Animals, em Newcastle, em 2009 (que era, na verdade, também a 3ª Conferência de Estudos Animais na Austrália).

No domínio dos Estudos Animais, qual a importância da construção de relações entre o mundo académico e o activismo, os decisores políticos e a sociedade em geral?

Os académicos não devem considerar-se à parte da sociedade, mas sim, uma parte dela. A MAI vê o desenvolvimento dos Estudos Animais como um campo académico vital para o activismo e desenvolvimento de políticas, e para a sociedade de um modo geral.

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Dr Rod Benisson, fundador e presidente do conselho da Minding Animals, esteve envolvido na protecção animal desde o final da década de 1970, das linhas mais recuadas até à imersão profunda no activismo pelos direitos animais. Académico durante 13 anos, agora administra uma equipa dedicada de cientistas ambientais numa empresa de engenharia e consultoria ambiental, com base no Hunter Valley, na costa leste da Austrália. A sua tese de doutoramento intitulada Inclusão Ecológica examinou as inter-relações que existem entre animais humanos e não-humanos, com especial atenção para o caráter histórico dessas inter-relações. Tem um forte interesse na intersecção da protecção dos animais e do ambiente, nomeadamente na razão pela qual alguns animais humanos visualizam alguns animais não-humanos e plantas como pragas ferozes, ervas daninhas ou invasivas, como estando de algum modo “fora do lugar”.

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Academics should not consider themselves as apart

Interview with Rod Benisson* on the Minding Animals International Incorporated, on Minding Animals Conferences and on Animal Studies.

by Ilda Teresa de Castro

In the transdisciplinar domain of Animal Studies, Minding Animals International Inc. works to further the development of animal studies internationally and to help establish legal and moral protections for all nonhuman animals. They have three prominent Patrons, Professor John Maxwell Coetzee, 2003 Nobel Price in Literature, author of The Lives of Animals (1999) a fictionalized lecture, later absorbed into Elizabeth Costello (2003); Jill Robinson MBE, a pioneer of animal welfare in Asia since 1985, widely recognised as the world’s leading expert on the cruel bear bile industry, she founded Animals Asia in 1998; and Professor Peter Singer, ethical philosopher author of Animal Liberation (1975), President of the International Association of Bioethics, and of The Great Ape Project, an international effort to obtain basic rights for chimpanzees, gorillas and orangutans.

Minding Animals International Incorporated (MAI) present as main purpose and objectives: to reassess the relationship between the animal and environmental movements in light of climate change and other jointly-held threats and concerns; to examine how humans identify and represent nonhuman animals in art, literature, music, science, and in the media and on film; how, throughout history, the objectification of nonhuman animals and nature in science and society, religion and philosophy, has led to the abuse of nonhuman animals and how this has since been interpreted and evaluated; to examine how the lives of humans and companion and domesticated nonhuman animals are intertwined, and how science, human and veterinary medicine utilise these important connections; how the study of animals and society can better inform both the scientific study of animals and community activism and advocacy; and how science and community activism and advocacy can inform the academic study of nonhuman animals and society.

The Minding Animals Conference (MAC) as a concept was devised to advance the emerging transdiscipline of Animal Studies (also known as Human Animal Studies, Animals and Society, and Critical Animal Studies) both within the academy and the broader community.  To build on its transdisciplinarity, MACs engage the sciences and the humanities, environmental and animal advocacies, and each MAC will strive to engage advocacies with government bureaucracies and tertiary institutions.  Each conference is held every three years at various tertiary institutions.

Following the Minding Animals Conference (MAC3) held in Delhi last January, in the Jawaharlal Nehru University (JNU), I ask some questions to Rod Benisson, one of the founders of the organization.

Rod, thank you for this interview. May I ask you what is the Minding Animals International Incorporated?

Minding Animals International Incorporated (MAI) provides an avenue for the transdisciplinary field of Animal Studies in all its guises (Human Animal Studies, Anthrozoology, Critical Animal Studies and so on) to be more responsive to the protection of animals.  It is recognised that animal protection in this context encapsulates environmentalism, animal liberation, animal rights, wildlife protection, animal welfare and animal justice (in no particular order of importance).

Which is the main focus of the MAI and how it works?

MAI aims to enable discourse between the various interests (from the arts, literature, feminist studies, queer studies, law and public policy, to the humanities and cultural studies) within this rapidly developing transdisciplinary field in ways that will improve the status of non-human animals and alleviate nonhuman animal exploitation.  As such, MAI facilitates research in Animal Studies as a conduit of non-governmental politics and action.

The structure and action of the MAI is a bridge between academia and advocacy …

Yes. MAI acts as a bridge between academia and advocacy and is a network of more than 3,000 academics, artists, activists and advocates, dedicated to the study and protection of all planetary life through the advancement of Animal Studies. Is organised by a Board of nine Directors, and has several functioning Advisory Committees. Minding Animals also has several groups operating in various parts of the globe, including Australia, Southern Africa and across Europe, including but not limited to Germany, Denmark, Norway and Italy. MAI is also an incorporated body in the US State of Delaware and is exempt under the US Federal Income Tax under Section 501(c)(3) of the Internal Revenue Code.  As such, and as an official charity, all donations made to MAI Inc. in the USA qualify to receive tax deductibility.

The MAC3 is well attended, with about 320 delegates from 35 countries. Why the choice of India for this third meeting and what the relationship established with previous choices in Newcastle, Australia the first and in Utrecht, the second?

It is important for Minding Animals International to move around the globe – there was a decision made by the Board to move the tri-annual conference to a different continent and culture as was often feasible.  Newcastle was chosen as it was where the founder of the organisation was located, Utrecht provided the winning 2012 bid, and New Delhi won the 2015 bid.

During the meeting of the Board of MAI that occur in the MAC3, a number of Minding Animals Groups were officially approved, included India, China, France, Mexico, New Zealand, USA and UK. What kind of changes it may take to the Animal Studies considering the spread of ideas and activities?

Minding Animals International considers the development of national based Animal Studies support groups as integral to the development of Animal Studies as growing and transitional transdiscipline.

In addition to these major meetings, the MAI supports the holding of conferences and seminars in universities all over the world, as will be the case in April in Birmingham, England, in June in Erlagen, Germany, in September in Stavanger, Norway, and in October in Lisbon, Portugal. What do you think is the evolution of interest in Animals Studies by the academia since the foundation of MAI?

MAI hopes that it has been integral to the development of Animal Studies as a transdisciplinary field.  The organisation has seen the exponential development of animal studies even since its foundation after the first MA Conference in Newcastle in 2009 (which was in fact also the 3rd Australian Animal Studies Conference).

In the field of Animal Studies, how important can be to build relations between academia on one hand and activism, policy makers and society at large on the other hand?

Academics should not consider themselves as apart from society, but a part of it. MAI sees the development of Animal Studies as an academia field as vital for activism, policy development and for society, more generally.

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Dr Rod Benisson, founder and chair of the board of Minding Animals has been involved in animal protection issues since the late 1970s, from the sidelines to being deeply immersed in animal rights activism. He was a sessional academic for 13 years and now manages a dedicated and tight-knit team of environmental scientists in an engineering and environmental consulting firm based in the Hunter Valley on Australia’s eastern seaboard. His doctoral thesis was entitled Ecological Inclusion and examined the interrelationships that exist between human and nonhuman animals, with particular attention drawn to the historical nature of those interrelationships. He has a strong interest in the intersection of animal and environmental protection, particularly the rationale of why some human animals view some nonhuman animals and plants as pests, feral, weeds or invasive, as being somehow ‘out of place’.

Ano II. Número V. Primavera 2015. Year II . Number V . Spring 2015

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The Rise (and Fall) of Critical Animal Studies Ascensão (e Queda) da Crítica em Estudos Animais por / by Steven Best

“The rapid surge in animal studies programs, moving it from the margins to the mainstream, is both laudable and lamentable. For as animal studies is a potential force of enlightenment and progressive change in public attitudes and policies toward nonhuman animals, its academic proponents can only advance it within tight institutional constraints and intensive normalizing regimes that frequently demand conformity, “neutrality”, disengaged detachment, and activism within narrowly accepted limits (…)”

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Bonobos foram pela primeira vez documentados usando antigas ferramentas pré-agrícolas, quebrando ossos e usando lanças como armas de ataque.

Os biólogos documentaram grupos de bonobos realizando ações complexas para extrair alimentos – uma característica que tem sido até agora considerada como uma vantagem evolutiva exclusiva dos pré-humanos arcaicos.

Data : 30 Novembro 2015

Fonte : Universidade de Haifa

Pela primeira vez, um estudo científico observou bonobos (uma raça análoga aos chimpanzés), fazendo uso sofisticado de antigas ferramentas pré-agrícolas de um modo semelhante ao que até agora tem sido considerada prerrogativa de hominídeos pré-humanos arcaicos e outros membros do género Homo. Entre outras conclusões, um bonobo foi observado pela primeira vez a fazer e usar lanças num ambiente social com a finalidade de ataque e defesa. “Eu acredito que este estudo vai alterar os nossos preconceitos culturais sobre as capacidades inerentes e potenciais dos bonobos e chimpanzés”, diz Itai Roffman do Instituto de Evolução da Universidade de Haifa, que realizou o estudo (enquanto destinatário da Adams Fellowship da Academia Nacional de Ciências e Humanidades de Israel).

mais info aqui

video do estudo :

preparation and use of varied natural tools for extractive foraging by bonobos

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© Itai Roffman

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Bonobos documented for first time using ancient pre-agricultural tools, breaking bones, and using spears as attack weapons

Biologists have documented groups of bonobos performing complex actions to extract food — a characteristic that has hitherto been regarded as an exclusive evolutionary advantage of archaic pre-humans.

Date: November 30, 2015

Source: University of Haifa

For the first time, a scientific study has observed bonobos (an analogous race to chimpanzees) making sophisticated use of ancient pre-agricultural tools in a manner similar to that which has hitherto been considered the prerogative of archaic pre-human hominins and other members of the Homo genus. Among other findings, a bonobo was observed for the first time making and using spears in a social setting for the purpose of attack and defense. “I believe that the current study will break down our cultural hang-up as humans concerning the inherent capabilities and potential of bonobos and chimpanzees,” says Itai Roffman of the Institute of Evolution at the University of Haifa, who undertook the study (as a recipient of the Adams Fellowship from the Israel National Academy of Sciences and Humanities).

more info here

video of the study :

preparation and use of varied natural tools for extractive foraging by bonobos

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Peixes podem mostrar febre emocional: foi induzida hipertermia pelo stress em peixes-zebra

 

Saber se os peixes são seres sensíveis continua a ser uma questão não resolvida e controversa. Entre as características que se pensa reflectirem um nível baixo de sensibilidade nos peixes, está a incapacidade de mostrarem hipertermia induzida por stress (SIH) – um aumento transitório da temperatura corporal em resposta a uma variedade de factores de stress. Isto é, uma resposta de febre real, muitas vezes referida como “febre emocional’. Tem sido sugerido que a capacidade de manifestar febre emocional evoluiu apenas em amniotes (mamíferos, aves e répteis), associada com a evolução da consciência nestes grupos. De acordo com este ponto de vista, a falta de febre emocional nos peixes reflete uma falta de consciência. Neste artigo, relatamos um estudo no qual (…) peixe-zebra tem claramente a capacidade de mostrar febre emocional. Embora a ligação entre emoção e consciência ainda esteja em discussão, esta descoberta remove um argumento fundamental para a falta de consciência em peixes.

 

Publicado 25 Novembro 2015.DOI: 10.1098/rspb.2015.2266 artigo aqui . Zebrafish-aquarium.--011

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Fish can show emotional fever : stress-induced hyperthermia in zebrafish

 

Whether fishes are sentient beings remains an unresolved and controversial question. Among characteristics thought to reflect a low level of sentience in fishes is an inability to show stress-induced hyperthermia (SIH), a transient rise in body temperature shown in response to a variety of stressors. This is a real fever response, so is often referred to as ‘emotional fever’. It has been suggested that the capacity for emotional fever evolved only in amniotes (mammals, birds and reptiles), in association with the evolution of consciousness in these groups. According to this view, lack of emotional fever in fishes reflects a lack of consciousness. We report here on a study in which six zebrafish groups with access to a temperature gradient were either left as undisturbed controls or subjected to a short period of confinement. The results were striking: compared to controls, stressed zebrafish spent significantly more time at higher temperatures, achieving an estimated rise in body temperature of about 2–4°C. Thus, zebrafish clearly have the capacity to show emotional fever. While the link between emotion and consciousness is still debated, this finding removes a key argument for lack of consciousness in fishes.

 

Published 25 November 2015.DOI: 10.1098/rspb.2015.2266

 

article here

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Bird brain? Birds and humans have similar brain wiring

“A researcher from Imperial College London and his colleagues have developed for the first time a map of a typical bird brain, showing how different regions are connected together to process information. By comparing it to brain diagrams for different mammals such as humans, the team discovered that areas important for high-level cognition such as long-term memory and problem solving are wired up to other regions of the brain in a similar way. This is despite the fact that both mammal and bird brains have been evolving down separate paths over hundreds of millions of years.”

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photo Xavier Allard

You may have more in common with a pigeon than you realise, according to new research

(17 July 2013)  Imperial College London

Professor Murray Shanahan: “Birds have been evolving separately from mammals for around 300 million years, so it is hardly surprising that under a microscope the brain of a bird looks quite different from a mammal. Yet, birds have been shown to be remarkably intelligent in a similar way to mammals such as humans and monkeys.”
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Onur Güntürkün, Martin Wild, Toru Shimizu, Verner P. Bingman, Murray Shanahan. Large-scale network organization in the avian forebrain: a connectivity matrix and theoretical analysis.

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Frontiers in Computational Neuroscience, 2013; 7 DOI: 10.3389/fncom.2013.00089

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A Revolution in Our Understanding of Chicken Behavior

“What we’ve learned about the avian brain and behavior in just the last 15 years contradicts hundreds of years of misinformed views about chickens and other birds. Much of what was previously thought to be the exclusive domain of human / primate communication, brain and cognitive function, and social behavior is now being discovered in chickens and other birds. It’s nothing short of a revolution in our understanding of chickens!”

 

by Robert Grillo

 

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The Chicken Challenge – What Contemporary Studies Of Fowl Mean For Science And Ethics

by Carolynn L. Smith , Jane Jonhson (August, 2012)

“abstract – Studies with captive fowl have revealed that they possess greater cognitive capacities than previously thought. We now know that fowl have sophisticated cognitive and communicative skills, which had hitherto been associated only with certain primates. Several theories have been advanced to explain the evolution of such complex behavior. Central to these theories is the enlargement of the brain in species with greater mental capacities. Fowl present us with a conundrum, however, because they show the behaviors anticipated by the theories but do not have the expected changes in the brain. Consequently fowl present two challenges of interest to us here. One is a scientific challenge to explain their remarkable capabilities. The other is an ethical challenge regarding our treatment of animals with higher cognitive skills”

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Descobertos nas aves os fundamentos da empatia

 

The foundations of empathy are found in the chicken

 

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photo Marj Beach

 

Estudo sobre as mentes de galinhas domésticas, realizado na Universidade de Bristol, pelo grupo de pesquisa do Bem-Estar e Comportamento Animal, da Faculdade de Ciências Veterinárias, financiado pela Iniciativa Welfare BBSRC Animal, e publicada online na revista Proceedings da Royal Society B (http://rspb.royalsocietypublishing.org/)

 

Este foi o primeiro estudo a demonstrar que as aves possuem um dos importantes atributos que sustentam a empatia, e o primeiro a utilizar métodos comportamentais e fisiológicos para medir essas características nas aves.

 

A study by academics at the University of Bristol’s Animal Welfare and Behaviour research group in the School of Veterinary Sciences, funded by the BBSRC Animal Welfare Initiative, published online in the Proceedings of the Royal Society B (http://rspb.royalsocietypublishing.org/).

 

The study is the first to demonstrate that birds possess one of the important attributes that underpins empathy, and the first study to use both behavioural and physiological methods to measure these traits in birds.

 

(9 March 2011) in Bristol University

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India Bans Animal Dissecation on Universities

Índia Acaba com a Dissecação Animal nas Universidades

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“In an unprecedented move aimed at removing cruelty from higher education, India has banned dissection and experimentation on animals at the nation’s universities. Instead, students will learn about anatomy through humane alternatives, like computer simulators that replicate the experience without requiring any animals be killed.

According to an estimate from PETA India, the ban will save the lives of 19 million animals every year.

India’s University Grants Commission (UGC), which ordered an immediate end to training methods lethal to animals in both undergraduate and postgraduate programs, says the decision came about over concerns that too many animals were being taken from the wild.”

Stephen Messenger (7 August 2014) in The Dodo

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Polvo Fêmea Protege Os Seus Ovos Durante 53 Meses. Depois, Morre.

Octopus Cares For Her Eggs For 53 Months, Then Dies.

by / por Ed Yong

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Graneledone boreopacifica caring for her eggs in Monterey Canyon (MBARI, 2007)

“For many a female octopus, laying eggs marks the beginning of the end. She needs to cover them and defend them against would-be predators. She needs to gently waft currents over them so they get a constant supply of fresh, oxygenated water. And she does this continuously, never leaving and never eating.

When the eggs hatch, she dies, starving and exhausted. As biologist Jim Cosgrove says, “No mother could give more”.”

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in Deep-Sea Octopus (Graneledone boreopacifica) Conducts the Longest-Known Egg-Brooding Period of Any Animal

article research by Bruce Robison, Brad Seibel, Jeffrey Drazen

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Griffin o papagaio cinza parece entender os benefícios da partilha

Um estudo que investiga a capacidade dos papagaios cinzentos compreenderem a noção de partilha sugere que eles possam aprender os benefícios da reciprocidade.

 

publicado por Marie Daniels – PR Officer da Universidade de Lincoln, em 26 de Fevereiro de 2014.

 

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Griffin the grey parrot appears to understand benefits of sharing

 

 

A study into whether grey parrots understand the notion of sharing suggests that they can learn the benefits of reciprocity.

 

published by Marie Daniels – PR Officer, University of Lincoln on 26th February 2014.

 

The team: Franck Péron, Luke Thornberg, Brya Gross, Suzanne Gray, Irene M. Pepperberg. Human-grey parrot (Psittacus erithacus) reciprocity: a follow-up study. Animal Cognition. DOI 10.1007/s10071-014-0726-3

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Elefantes asiáticos ( Elephas maximus ) tranquilizam os outros que se encontram em perigo

“O contato direccionado de espectadores não envolvidos para com os outros em perigo, muitas vezes chamado de consolo, é raro no reino animal, e até agora só demonstrado nos grandes macacos, nos cães e nos corvos . Enquanto que o contexto agonístico típico de tal contato é relativamente raro no seio das famílias naturais elefante, outras causas de sofrimento pode desencadear respostas semelhantes na consideração pelos outros. Num estudo realizado num campo de elefantes na Tailândia, descobrimos que os elefantes se filiavam significativamente mais com os outros através de contato físico directo e de comunicação vocal após um evento angustiante do que em períodos de controle . Além disso, os espectadores filiados que manifestam correspondência ao comportamento e estado emocional do primeiro indivíduo angustiado, sugerem o contágio emocional. As respostas iniciais de socorro foram esmagadoramente dirigidas a estímulos ambíguos, tornando-se difícil determinar se os espectadores reagiram ao indivíduo angustiado ou se mostravam uma resposta atrasada ao mesmo estímulo. No entanto, a direccionalidade dos contactos e a sua natureza sugerem fortemente atenção para com os estados emocionais de indivíduos da mesma espécie. O comportamento dos elefantes é, portanto, melhor classificado, com as respostas similares de consolação em macacos, possivelmente baseado na evolução convergente de capacidades de empatia”.

Plotnik JM, de Waal FB. (2014) Asian elephants (Elephas maximus) reassure others in distress. PeerJ 2:e278

Filme Suplementar 1

Antes do início deste clip, uma vítima, JK (o primeiro em off) emite burburinhos e rugidos em resposta a um estímulo identificável (o rugido de um elefante touro num acampamento próximo não relacionado). MP, o espectador emite burburinhos em resposta e então inicia contacto correndo em direção a JK. Estabelece contato físico, tocando no rosto de JKs rosto após uma sequência de silvos. Ambos os indivíduos vocalizam enquanto com as trombas tocam um no outro. Nessa interação, as vocalizações mais notáveis são burburinhos, trombetas e silvos. Além disso, ambos os elefantes colocam as suas trombas na boca do outro.

(tradução ildateresacastro)

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Asian elephants (Elephas maximus) reassure others in distress

“Contact directed by uninvolved bystanders toward others in distress, often termed consolation, is uncommon in the animal kingdom, thus far only demonstrated in the great apes, canines, and corvids. Whereas the typical agonistic context of such contact is relatively rare within natural elephant families, other causes of distress may trigger similar, other-regarding responses. In a study carried out at an elephant camp in Thailand, we found that elephants affiliated significantly more with other individuals through directed, physical contact and vocal communication following a distress event than in control periods. In addition, bystanders affiliated with each other, and matched the behavior and emotional state of the first distressed individual, suggesting emotional contagion. The initial distress responses were overwhelmingly directed toward ambiguous stimuli, thus making it difficult to determine if bystanders reacted to the distressed individual or showed a delayed response to the same stimulus. Nonetheless, the directionality of the contacts and their nature strongly suggest attention toward the emotional states of conspecifics. The elephants’ behavior is therefore best classified with similar consolation responses by apes, possibly based on convergent evolution of empathic capacities.”

Plotnik JM, de Waal FB. (2014) Asian elephants (Elephas maximus) reassure others in distress. PeerJ 2:e278

Supplemental Movie 1

Prior to the start of this clip, a victim, JK (at first off-camera) rumbles and roars in response to an identifiable stimulus (a bull elephant roaring in a nearby, unrelated camp).MP, the bystander rumbles in response, then initiates contact by running toward JK. She makes physical contact by touching JKs face following a chirp sequence. Both individuals vocalize when within trunks reach of each other. In this interaction, the most notable vocalizations are rumbles, trumpets, and chirps. Also, both elephants put their trunks to or in each others mouths.

(published 18 February 2014)
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