ecomedia

português / english

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Modos e Maneiras no Capitaloceno – conversa com J. Baird Callicott / Modes and Manners in the Capitalocene – interview with J. Baird Callicott, Ilda Teresa de Castro

(entrevista / interview – no. X . 2018-2019)

A Internet como Controvérsia: Lo and Behold, Reveries of the Connected World, Werner Herzog (2016) /  The Internet as Controversy: Lo and Behold, Reveries of the Connected World, Werner Herzog (2016), Diana Soeiro

(ensaio / essay – no. IX . 2017-2018)

Sobre Media e Ecocriticismo: entrevista com Salma Monani e Steve Rust sobre Estudos EcoMedia / On Media and Ecocriticism: interview with Salma Monani and Steve Rust concerning Ecomedia Studies, Ilda Teresa de Castro

(entrevista / interview – no. VIII . 2016-2017)

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Modos e Maneiras no Capitaloceno

conversa com J. Baird Callicott

por Ilda Teresa de Castro

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© John Baird Callicott

No seu artigo “A Ciência como Filosofia Natural”[i], publicado em Portugal em 2004,  refere, “Em apenas quatro ou cinco centenas de anos o mundo ocidental abandonou a crença num universo orgânico e geocêntrico, deixando para trás uma economia rural, agrária e um sistema social feudal. Em seu lugar, emergiu a crença num universo-relógio, bem como economias de mercado e democracias industriais.”

Neste tempo presente que vivemos, trágico em desequilíbrios ecológicos e climáticos, é quase inevitável pensarmos sobre as fundações do Antropoceno e sobre as repercussões da cisão imposta pelo pensamento mecanicista e depois, industrial e capitalista. Esse modelo, veio substituir a anterior visão do mundo como cosmos organizado e espaço de ligação em interdependência e positividade recíproca. É também inevitável pensarmos sobre o futuro a curto e a médio prazo.

Podemos esperar que o caos instalado venha remodelar a avidez do progresso humanista e refrear o abuso sobre o não-humano, evitando o colapso da Natureza como a conhecemos? Ou estaremos mesmo em transmutação, num processo sem retorno no qual a espécie humana, a mais destruidora de todas as espécies, condena e está condenada a desaparecer ou a transformar-se numa outra coisa disforme, num mundo apocalíptico?

Boa pergunta, ambos os cenários são possíveis. Receio que o último seja mais provável do que o primeiro. No entanto, as alternativas que coloca, não são exaustivas. Existe um leque de possibilidades entre elas. A resposta actual, do nacionalismo autoritário e da xenofobia, sugerem um cenário futuro incipiente com a adaptação fragmentada a um mundo mais intenso, relegando alguns países e povos para o destino sombrio  da fome ou de outras morbidades associadas à seca, ao aumento abrupto do nível do mar, e a todos as outras desagradáveis consequências de um planeta mais vigoroso.

Gosto que sublinhe “a Natureza como a conhecemos”, pois Gaia ou a própria biosfera, não estão em perigo como nós estamos. Já sofreu muitas mudanças, algumas bastante violentas, e não apenas sobreviveu como floresceu. A Natureza como a conhecemos está em perigo e como essa é a Natureza à qual estamos adaptados, também estamos em perigo.

Esse último cenário, é um futuro distópico possível para povos e países sujeitos a alterações do mundo natural provocadas por práticas nocivas que foram e são globais. Qual deveria ser a resposta ética, à escala humana, perante esse destino forçado para alguns?

É uma questão difícil. A resposta ética, à escala humana, às consequências desiguais e injustas da mudança climática global, existe para as pessoas que são capazes de fazer tudo o que podem para ajudar as que sofrerão com essas consequências. Mas as escalas não são humanas. As escalas actuais são políticas e as escalas proporcionais são globais.  A ética climática deve ser holística em relação aos pacientes morais (países) e aos agentes morais (outros países). Mas a ética mainstream do clima, tem sido individualista não-regenerativa, uma forte tradição herdada do Iluminismo. Tanto quanto sei, aparte algumas vozes solitárias na Ética Ambiental, poucos filósofos morais têm fornecido uma análise do que pode significar para um país ou nação, ter deveres e obrigações para com outros países ou nações. Não estou a dizer que tais noções não façam sentido. Estou a dizer, pelo contrário, que não há, a suportar tais conceitos, uma teoria que seja comparável, digamos, à teoria de Kant que apoia os deveres e as obrigações dos agentes morais individuais para com os pacientes morais individuais. A escala ética proporcional ao fenómeno da mudança climática global, é global. Isso implica que um agente moral global adequado seria um governo global com responsabilidades iguais para todos os seus cidadãos? Não sei. Tanto quanto sei, os filósofos morais não começaram a explorar o que está implícito.

Que medidas podem ser tomadas e qual o papel que a Ciência, sendo uma das principais forças de influência e decisão do mundo pós-moderno, deveria assumir?

O papel tradicional da Ciência, na Filosofia da Ciência, tem sido puramente epistémico, não normativo. Factos, Ciência. Valores, Ética. Ser, Ciência. Dever, Ética. Acho que a distinção em si falha tragicamente e abordo-a longamente no meu livro Pensando Como um Planeta – este assunto é fácil de encontrar na tabela analítica de conteúdos. A política climática deve basear-se na ciência e os cientistas devem ter voz na formulação de políticas, uma voz forte e decisiva. A política deixada inteiramente aos políticos é, como vemos tão dolorosamente nos EUA, um desastre.

A Ciência como Filosofia Natural que originalmente nos tempos mais antigos, perspectivava a esfera humana como um microcosmo estruturalmente idêntico ao macrocosmo natural (Callicott, 2004), foi esquecida com a instituição e prevalência do paradigma mecanicista que remonta à revolução científica do século XVII e regeu a modernidade até aos nossos dias. Poderá o medo da catástrofe antropocénica anunciada contribuir para uma revalorização da Ciência como Filosofia Natural, apesar de todas as estruturas de pensamento-acção instaladas? Teremos ainda topos no antigo sentido grego de lugar, para acolher a Filosofia Natural e a Ciência como Filosofia Natural, no seio das nossas sociedades?

Essa ideia da Ciência como Filosofia Natural do nosso tempo − ou desde o tempo da Ciência − tem estado na minha mente ultimamente. Estou a preparar um artigo orientado por esse tema para o próximo Congresso Mundial de Filosofia de Pequim – que anexo: Ciência, Tecnologia e o Eu Ecológico. E houve recentemente uma troca no Facebook sobre a relação entre Ciência e Filosofia (assunto sobre o qual a maioria das pessoas pensa como sendo um conflito ou uma competição, na qual os cientistas desrespeitam a filosofia). A Filosofia que alguns cientistas descartam como “morta” é a única filosofia com que entram em contacto – a filosofia “analítica” anglo-americana, seca e desengajada, que domina prestigiosos departamentos universitários britânicos e americanos – que se tornou virada para dentro e intelectualmente isolada; e que está, de facto,  numa espiral de morte.

É minha opinião que, seja ou não reconhecido, o mundo moral e social humano reflecte, de microcosmo a macrocosmo, o mundo natural. Em particular, a Filosofia Natural mecanicista/atomística é espelhada na sociedade constituída por átomos sociais individuais, numa competição de soma-zero. Pelo menos, na tradição ocidental, é assim. E agora temos uma nova Filosofia Natural. Onde está, então, o novo microcosmo humano? A sua sugestão é a de que está a ser reprimido por forças económicas e políticas poderosas. Sim, é verdade. Mas aconteceu o mesmo também com a Filosofia Natural atomista/mecanicista e o microcosmo humano da Igreja – tome-se o caso de Galileu como exemplo. A iminente crise climática quebrará o domínio das forças da repressão? Espero que sim. Mas a que custo?

Nesse mesmo artigo, refere que o novo paradigma pós-industrial, o novo modelo tecnológico, electrónico, pós-moderno, é a Filosofia Natural sistémica e que pode ser uma esperança eficaz mais adequada aos sistemas ecológicos naturais. Passados estes anos de evolução e disseminação tecnológica, continua a ponderar o mesmo?

Ainda pondero o mesmo mas com menos optimismo e menos esperança do que antes.

Em meados do sec. XX, com a emergência da Cibernética e o avanço da Informática, previu-se um futuro em que as tecnologias libertariam os humanos de grande parte das suas tarefas, simplificando o modus vivendi e libertando horas de trabalho que seriam ocupadas em tempo útil de vida para aplicar consoante o livre arbítrio de cada um. O lazer, a contemplação, o contacto com a Natureza, a convivência saudável, eram actividades que estavam em agenda para ser tomadas. A Revolução Cibernética libertar-nos-ia de alguns pesos da Revolução Industrial. Passadas várias décadas, estamos agora nesse futuro imaginado mas essas estimativas não se confirmam. O número de horas de trabalho não diminuiu e essa libertação continua adiada para a grande maioria da população. O que pode ter corrido mal para a não concretização dessas previsões?

Ainda há muita especulação sobre robôs e outros dispositivos capazes de assumir todo o trabalho, deixando as pessoas livres para fazerem o que quiserem. Na minha opinião, esse é um futuro assustador. O trabalho dá às pessoas dignidade, identidade e orgulho na realização. Sem trabalho, a maioria das pessoas não faz coisas criativas. Vêem televisão, jogam videogames, tomam drogas, brincam com os telemóveis. . . basicamente, ficam insatisfeitas e levam vidas sem sentido. É claro que algumas usarão o lazer com sabedoria e criatividade mas a partir das evidências que temos de pessoas já libertadas do trabalho, a grande maioria será muito prejudicada por não ter trabalho a fazer.

Nota

[i] in Éticas e políticas Ambientais, (org.) Cristina Beckert, Maria José Varandas, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2004, pp.169-180

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* J. Baird Callicott é conhecido como o principal expoente contemporâneo da Ética da Terra, de Aldo Leopold. Em resposta à mudança climática global, elaborou a Ética da Terra Aldo Leopold, publicada no livro Pensando Como Um Planeta (OUP 2013). Leccionou  o primeiro curso do mundo em Ética Ambiental, em 1971, na Universidade de Wisconsin-Stevens Point. O seu ensino na Universidade do Norte do Texas, incluiu cursos de graduação e pós-graduação em Filosofia da Grécia Antiga e Teoria Ética, além de Filosofia Ambiental. Aposentou-se de University Distinguished Research Professor e de Regents Professor of Philosophy da Universidade do Norte do Texas, em 2015. É co-Editor Principal da Enciclopédia de Ética Ambiental e Filosofia. Publicou e editou dezenas de livros, artigos e capítulos de livros sobre filosofia e ética ambiental em revistas e enciclopédias. Foi Presidente da Sociedade Internacional de Ética Ambiental, do Departamento de Filosofia e Religião da Universidade do Norte do Texas, e Bioethicist-in-Residence da Universidade de Yale.  A sua pesquisa avança simultaneamente em quatro frentes principais: Ética Ambiental Teórica; Ética e Filosofia Ambiental Comparativa; Filosofia da Ecologia e Política de Conservação; e Biocomplexidade do Meio Ambiente, e Sistemas Naturais e Humanos Acoplados (patrocinados pela National Science Foundation).

*llda Teresa de Castro é ecóloga, artista e investigadora. Realiza o pós-doutoramento (2013-2019) Paisagem e Mudança – Movimentos, com apoio da FCT. Doutorada em Ciências da Comunicação / Cinema e Televisão, na FCSH, da Nova de Lisboa, com uma tese sobre a participação do filme na sensibilização ecológica. É formada em Cinema na ESTC de Lisboa, e em Peritos em Arte na ESAD da FRESS, Lisboa. É autora de vários ensaios e dos livros Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015); de uma trilogia de entrevistas sobre Cinema Português, Animação Portuguesa (2004); Cineastas Portuguesas (2001); Curtas Metragens Portuguesas (1999) e do cartoon book Não Fazer Nada É que É Bom 1991-2004 (2005). Enquanto ecoartista desenvolve projectos multidisciplinares num cruzamento entre arte, ecologia, filosofia e ciência com enfoque no domínio ecocritico, ambiental e animal. Os seus ecofilmes têm sido exibidos em ecofestivais e ecoconferências na Amazónia – Brasil, Panjim – Goa, Mexico City – México, Porto, Lisboa e Colares – Portugal. É co-autora da ópera multimedia Descartes Nunca Viu Um Macaco (2017). E fundadora e editora da plataforma e revista online: ecomedia, ecocinema e ecocritica_animalia vegetalia mineralia.

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Modes and Manners in the Capitalocene

interview with J. Baird Callicott

by Ilda Teresa de Castro

© John Baird Callicott

In one of your articles published in Portugal in 2004, “Science as Natural Philosophy”[i] you state that “In just four or five hundred years the Western world has abandoned belief in an organic and geocentric universe, leaving behind a rural, agrarian and feudal social system. In its place emerged the belief in a clock universe, as well as market economies and industrial democracies.”

In this tragic present times of ecological climatic change and global warming, it is almost inevitable to reflect on the foundations of the Anthropocene, on the repercussions of the split imposed by mechanistic, industrialist and capitalist thinking. This new model replaced the earlier view of the world as an orderly cosmos of connected space in interdependence and reciprocal positivity. It is also inevitable to think about the short and medium term future.

Can we expect the installed Anthropocenic chaos to reshape the greed of humanistic progress, to restrain the abuse over the nonhuman avoiding the collapse of Nature as we know it? Or, are we really in a transmutation process of no return in which the most destructive of all species (the human one) condemns and is doomed to disappear, to become something else deformed in an apocalyptic world?

Good question: Both scenarios are possible. The latter is more likely, I fear, than the former. The alternatives you pose however are not exhaustive. There is a range of possibilities in between. The current response, authoritarian nationalism and xenophobia, suggest a nascent future scenario—fragmented adaptation to a more energetic world, leaving some countries and peoples to the grim fate of starvation or other morbidities associated with drought, precipitous sea-level rise, and all the other untoward consequences of a more energetic planet.

I am glad you say “nature as we know it.” For Gaia or the biosphere itself is in no danger from us. It has undergone many changes, some quite violent, and has not only survived but flourished. Nature as we know it is imperiled and, since that is the nature to which we are adapted, we too are imperiled.

A dystopic future is indeed a probability for people and countries affected by natural world changes brought about by harmful practices that have been (and still are) global. What should be the ethical, human-scale response to this forced fate for some? 

The first is a tough question. The ethical, human-scale response to the unequal and unjust consequences of global climate change is for those who are able to do all they can to help those who will suffer from those consequences. But the scales are not human. The current scales are political and the proportionate scales are global. Therefore climate ethics must be holistic in regard to both moral patients (countries) and moral agents (other countries). But mainstream climate ethics has been unregenerately individualistic, a strong tradition inherited from the Enlightenment. As far as I am aware, apart from some lonely voices in environmental ethics, few moral philosophers have provided an analysis of what it might mean for a country or nation to have duties and obligations to other countries or nations. I am not saying that such such notions are nonsensical. I am saying, rather, that there has no theory supporting such concepts that would be comparable to, say, Kant’s theory supporting the duties and obligations of individual moral agents to individual moral patients. The ethical scale proportionate to the phenomenon of global climate change is global. Does that imply that an adequate global moral agent would be a global government with equal responsibilities to all its citizens. I do not know. As far as I am aware, moral philosophers have not begun to explore what is implied.

What measures can be taken and what role science should play as one of the main forces of influence and decision in the postmodern world?

The traditional role of science, in the philosophy of science, has been purely epistemic, not normative. Facts, science. Values, ethics. Is, science. Ought, ethics. I think the distinction itself is tragically flawed and I address it at length in my book Thinking Like a Planet—easy to find where in the analytic table of contents. Climate policy should be based on science and scientists should have a voice, a strong and decisive voice, in policy making. Policy left entirely to politicians is, as we see so painfully in the US, a disaster.

This natural philosophy that originally in ancient times looked at the human sphere as a microcosm structurally identical to the natural macrocosm (Callicott, 2004) was forgotten with the institution and prevalence of the mechanistic paradigm that dates back to the scientific revolution of the 17th century and ruled the modernity to the present day. Is it possible that the fear of the announced anthropocentric catastrophe contribute to a revaluation of science as a natural philosophy despite all the structures of thought-action installed? Will we still have topos in the ancient Greek sense of place, to shelter and accept natural philosophy and science as natural philosophy within our societies?

This idea of science as the natural philosophy of our time — or ever since the time of science — has been much on my mind lately. I am preparing a paper driven by that theme for the upcoming World Congress of Philosophy in Beijing — which I attach : Ciência, Tecnologia e o Eu Ecológico. And there was recently an exchange on Facebook concerning the relationship of science and philosophy (which most people think of as in some sort of conflict or competition, in which scientists disrespect philosophy). The philosophy that some scientists do dismiss as “dead” is the only philosophy that they come in contact with—dry, disengaged, self-absorbed Anglo-American analytic “philosophy” that dominates prestigious British and American university departments—which has turned inward and has become intellectually isolated; and which is indeed in a death spiral.

It is my opinion that, whether acknowledged or not, the human moral and social world reflects as microcosm to macrocosm the natural world. In particular, the mechanistic/atomistic natural philosophy is mirrored in the society constituted by individual social atoms in zero-sum competition. In other words, at least in the Western tradition, it is ever thus. And so now we have a new natural philosophy, so where is the new human microcosm? Your suggestion is that it is being repressed by powerful economic and political forces. To be sure it is. But so was the atomic/mechanistic natural philosophy and its human microcosm by the Church—take the case of Galileo as a case in point. Will the looming climate crisis break the grip of the forces of repression? Hopefully it will. But at what cost?

“Science as Natural Philosophy” also state that the new postmodern paradigm, the new postmodern electronic technological model, is systemic natural philosophy and that it may be an effective hope more adequate to natural ecological systems.After these years of evolution and technological dissemination are you still pondering the same?

I am still pondering the same but less optimistically and hopefully than before.

After the middle of sec. XX with the emergence of cybernetics and the advancement of computing, a future was predicted in which technologies would liberate humans from most of their tasks, simplifying the modus vivendi and freeing up hours of work that would be occupied in useful life to apply according to the free will of each one. Leisure, contemplation, contact with Nature, the healthy living were activities that were on the agenda to be taken up. The Cybernetic Revolution would free us of some weights of the Industrial Revolution. After several decades, we are now in this future imagined and these estimates are not confirmed. The number of hours worked has not diminished and this release is delayed for the vast majority of the population. What could have gone wrong for the non-fulfilment of these forecasts?

There is still a great deal of speculation that robots and other devices will do all the work and people will be free to do what they wish. In my opinion, that is a frightening future. Work gives people dignity, identity, and pride of accomplishment. Without work, most people do not do creative things. They watch TV, play video games, take drugs, play with their phones . . . basically stay insufferably bored and lead meaningless lives. Of course some people will use their leisure wisely and creatively, but, from the evidence we have of people already freed from work, the vast majority will be greatly harmed by having no work to

Note

[i] in Éticas e políticas Ambientais, (org.) Cristina Beckert, Maria José Varandas, Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa, 2004, pp.169-180

* J. Baird Callicott retired as University Distinguished Research Professor and Regents Professor of Philosophy at the University of North Texas in 2015.  He is co-Editor-in-Chief of the Encyclopedia of Environmental Ethics and Philosophy and author/editor of a score of books and author of dozens of journal articles, encyclopedia articles, and book chapters in environmental philosophy and ethics.  Callicott has served the International Society for Environmental Ethics as President and Yale University as Bioethicist-in-Residence, and he has served the University of North Texas Department of Philosophy and Religion as chair.  His research goes forward simultaneously on four main fronts: theoretical environmental ethics; comparative environmental ethics and philosophy; the philosophy of ecology and conservation policy; and biocomplexity in the environment, coupled natural and human systems (sponsored by the National Science Foundation).  Callicott is perhaps best known as the leading contemporary exponent of Aldo Leopold’s land ethic and has elaborated an Aldo Leopold Earth ethic, Thinking Like a Planet (OUP 2013), in response to global climate change.  He taught the world’s first course in environmental ethics in 1971 at the University of Wisconsin-Stevens Point.  His teaching at University of North Texas included graduate and undergraduate courses in ancient Greek philosophy and ethical theory in addition to environmental philosophy.

* Ilda Teresa de Castro is an ecologist, artist and researcher. She is doing the postdoctoral researcher (2013-2019)  Landscape and Change – Movements, with support by the FCT. PhD in Communication Sciences/Cinema and Television at FCSH, at NOVA University of Lisbon with a thesis which deals with the part films play in the construction of an ecocritical perception. She is graduated in Cinema Studies at ESTC in Lisbon, and in Art Experts at ESAD, FRESS in Lisbon. She is the author of several essays as well as the book I Animal – arguments for a new paradigm – cinema and ecology, 2015 (portuguese); a trilogy of interviews on Portuguese Cinema, Portuguese Animation Movies, 2004 (portuguese); Portuguese Women´s Cinema, 2001 (portuguese); Portuguese Short-Films, 1999 (portuguese) and the cartoon book To Do Nothing At All – That’s The Life!, 2005 (portuguese). As ecoartist she develops multidisciplinary projects  at a crossroad between art, ecology, philosophy and science, focusing on the ecocritic, environmental and animal domain. As a ecocinema filmmaker and video artist, she has had his works screened in ecofestivals and ecoconferences in Amazonia – Brasil, Panjim – Goa, Mexico City – Mexico, Porto, Lisboa and Colares – Portugal. She is co-author of the multimedia opera Descartes Never Saw A Monkey (2017). She is the founder and editor of the online ecomedia, ecocinema and ecocritic platform and journal_animalia vegetalia mineralia. 

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A Internet como Controvérsia

Lo and Behold, Reveries of the Connected World, Werner Herzog (2016)

por Diana Soeiro*

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sobre Herzog

Nascido em 1942 na Alemanha (Munique), Werner Herzog, entre 1962 e 2016, realizou 68 filmes e documentários. Trabalhou também como argumentista, actor, autor e encenador de ópera. Tendo começado a sua carreira com a realização de curtas e ficção, dos anos 90 em diante, começou a trabalhar cada vez mais o formato de documentário e a opção parece ter sido acertada, já que se poderia dizer que estes, são os trabalhos que lhe garantiram, ao longo dos anos, uma audiência fiel.

Os assuntos que Herzog escolhe para os seus documentários ou são controversos ou, mesmo não sendo, pela abordagem que escolhe ter, tornam-se. Ao realizar um documentário, há uma regra não-dita que o realizador deve ser “invisível”, tal como num filme de ficção, de forma a poder comunicar a visão mais verdadeira e realista possível do assunto. Herzog, quebra esta regra frequentemente, optando por aparecer, ele mesmo, como personagem — normalmente, ele faz a personagem do realizador que faz perguntas e desenvolve a sua pesquisa para preparar o documentário. O que é mostrado ao espectador é, o que se poderia dizer ser, o trabalho preparatório que antecede o documentário que passa a ser o próprio documentário. O resultado é uma perspectiva honesta, próxima, íntima e emocional do processo de um realizador que prepara o seu documentário.

Herzog está consciente que esse método, enquanto realizador de documentários, tem uma dupla consequência: por um lado, ele está a fazer um documentário sobre um determinado assunto que quer partilhar com a audiência, por outro, está a fazer um documentário acerca da relação que ele próprio estabelece com o assunto, e com as pessoas que participam no documentário, à medida que o projecto avança. O resultado é um documentário que é, no sentido mais tradicional, um documento sobre o assunto que trata e também, uma memória autobiográfica viva. Esta dupla abordagem deixa uma impressão forte no espectador. Se é uma abordagem mais, ou menos, realista do que uma abordagem convencional, é debatível mas, para o melhor ou para o pior, é certamente muito humana e feita na primeira pessoa.

Um dos seus trabalho mais recentes, Lo and Behold, Reveries of the Connected World (2016), não é excepção a este método. No entanto, a questão que pode ocorrer, conhecendo o trabalho de Herzog é: porque é que o seu décimo sexto documentário é acerca de um assunto tão pouco sofisticado como a internet (“the connected world”)? Porque é que Herzog, aos setenta anos de idade, estaria interessado num fenómeno tão comum? O que é que há de controverso nisso? É confuso. O que pensar? Para descobrir, temos de ver o filme.

© Magnolia Pictures

O que é a Internet?

Uma característica que está sempre presente nos filmes de Herzog é o quão visível ele torna a sua curiosidade. Torna-se visível ao escolher-se a si próprio como personagem: o realizador que prepara um documentário. Ele nunca facilita a vida daqueles que entrevista e não hesita em provocar, durante as filmagens aqueles com quem interage, procurando conferir uma espontaneidade e vivacidade honesta ao seus documentários.

Assim, a primeira coisa que Herzog nos relembra é que é possível sermos curiosos relativamente à Internet — o que é uma sensação estranha porque nós usamos a Internet como se já soubéssemos tudo o que há para saber acerca dela. Mas quem é que ele vai provocar/ entrevistar? Quem é que está por detrás da Internet? Não é um fenómeno de uma rede global que está em todo o lado, em qualquer sítio, sempre? Normalmente estamos ocupados a usá-la (e talvez ocupados a criticá-la com ao facto de ser demasiado lenta) mas raramente pensamos em questionar o que é que ela é. Tomamos o seu conteúdo, pela sua identidade e a coincidência entre ambas não é de todo óbvia.

O que é a Internet? De repente, a questão emerge como se o sujeito da questão fosse qualquer coisa de completamente novo. Usamo-la em todo o mundo mas não sabemos o que é: devemos preocupar-nos? Esta é a premissa do documentário.

Durante o filme, Herzog aborda diferentes perspectivas sobre a interacção com a Internet. A de pessoas comuns que lidam com os efeitos da Internet e a de cientistas — que, curiosamente, também parecem lidar mais de perto com os “efeitos” da Internet do que propriamente ter algum controlo sobre as suas “causas”.

Nesse sentido, Lo and Behold, permite termos uma ideia das preocupações que vários campos da ciência têm relativamente à Internet, quais são as tendências de investigação e que futuros cenários podemos antecipar? O documentário é prova que em 2016, ninguém parecia saber muito acerca da complexidade da Internet, mesmo que no futuro tentemos dizer “nós sempre soubémos”.

O que aprendemos logo na cena de abertura do documentário é que a Internet, seja lá o que for, é qualquer coisa que foi inventada por humanos. Isto é importante porque nos lembra que temos uma responsabilidade a assumir. Não existiu sempre, como eventualmente podemos ter a sensação, já que é quase impossível imaginarmos, hoje, o mundo sem ela. ‘Nasceu’ numa determinada altura e num sítio e o documentário começa por revelar ao espectador ‘o local de nascimento da Internet’: Universidade da Califórnia, Los Angeles (UCLA), 22:30h, 29 de Outubro de 1969. Há também registo dos que estavam na ‘sala de partos’, que é hoje tida por templo.

A primeira comunicação que tentaram foi entre dois computadores dentro da Universidade (host to host) e tentaram escrever “log”, sabendo que o computador escreveria automaticamente “in”. Pressionaram a tecla “l” e a informação chegou ao outro lado, e o mesmo aconteceu com a tecla “o”. Mas quando pressionaram a tecla “g”, o servidor falhou. (Aparentemente, algumas coisas não mudam…) Facto é que, nesse dia, pela primeira vez, foi possível usar um sistema de comunicação de longa distância que usou um protocolo partilhado que permitia ligar, num só, todos os sistemas de comunicação, e a primeira palavra comunicada foi “lo”. “Lo and behold”, alguns pensaram — que literalmente significa “olha e vê”, e mal se sabia que a Internet se iria tornar em algo que ia ser olhado e observado… Premonitório, dizem alguns.

© Magnolia Pictures

Como é que mantemos a Internet e como é que a protegemos?

O que quer que seja a Internet, é importante fazermos um esforço para perceber melhor o que é, dada que a sua relevância a nível mundial está mais do que estabelecida. A pergunta inicial que orienta Herzog é: “Como é que mantemos a Internet a funcionar? Como é que a protegemos?”

Para responder a esta questão, ele apresenta-nos exemplos em que ‘a glória da Internet’ foi responsável pela criação de novas moléculas que contribuíram para o avanço da cura da SIDA e do cancro; no avanço de um sistema de educação global ao qual mais pessoas têm acesso; na criação de carros autónomos e; na criação de uma equipa robot de futebol que tem por objectivo ganhar à equipa vencedora do FIFA 2050.

No entanto, também nos mostra o lado negro da Internet: vidas privadas que foram violadas e que geram situações para as quais não há um enquadramento legislativo; vidas que quase foram destruídas pelos jogos online e; aqueles que sofrem fisicamente por não suportarem os efeitos da radiação e dos níveis electromagnéticos no espaço circundante, e que procuram abrigo em sítios isolados, tornando-se eremitas da vida moderna.

Herzog também aborda a questão da internet-of-things, em que cada vez mais, diariamente, fazemos depender tarefas diárias do uso da Internet. Mas o que é que aconteceria se deixasse de haver Internet? E se, num dos ciclos em que há mais actividade solar, uma das suas tempestades fosse forte o suficiente para destruir o nosso sistema de comunicação global? Da pequena a grande escala… seria isto o fim da civilização? Teríamos comida e seríamos capazes de sobreviver?

Pirataria informática. O esbater da fronteira entre vida digital e vida corpórea. Segurança nacional. Ciber-guerra. Tudo isto é uma ameaça crescente — ainda que um dos maiores piratas informáticos de sempre, “Erik Weisz”, ao ser entrevistado por Herzog, diga: “As pessoas são o elo mais fraco em questões de segurança, não a tecnologia”. Dá que pensar.

Onde quer que estejamos e onde quer que pensemos ir, a Internet estará sempre connosco. A Internet é parte do plano que tem por objectivo estabelecer uma colónia em Marte, tal como imaginada por Elon Musk, da empresa Space X. Nesse sentido, há provas fortes que há um interesse indubitável em manter e proteger a Internet. É o nosso presente, será o nosso futuro e há uma forte possibilidade de vir a ser todo o nosso passado.

© Magnolia Pictures

Vivemos em tempos de guerra sem, no entanto, estarmos conscientes disso?

A segunda questão orientadora do documentário é posta pelo próprio Herzog: “O teórico de guerra, [Carl von] Clausewitz (1780-1831) disse: ‘Às vezes, a guerra sonha-se a si própria’ é possível dizer que a Internet começa a sonhar-se a si própria?”

A questão é altamente relevante e os vários entrevistados do documentário têm muitas reacções diferentes. A imaginação é sempre um assunto difícil e quando tem por referencia máquinas e tecnologia, não fica mais fácil. A questão é: se a Internet é capaz de atingir um certo grau de independência nas tarefas que desempenha, vai trabalhar a nosso favor ou contra nós?

A Internet vai ter a sua própria consciência? Um conjunto de regras seu? Tomará as suas próprias decisões? Será que a decisão de como é que essas comunicações ocorrem vão sair das mãos dos seres humanos? É uma possibilidade… Não temos ideia do que é que vai acontecer à Internet e ainda assim estamos no ponto em que (quase) tudo pode ser feito por máquinas ligadas à Internet.

A dada altura, um dos visionários da Internet entrevistados, Danny HiIlis (cientista computacional) que trabalhou no projecto da Internet desde o início, afirma que a Internet é “uma revolução tecnológica e teológica”. Esta é talvez a observação mais relevante relativamente à Internet e deve ser levada muito a sério. Altera os nosso padrões morais e a nossa definição do que é ser humano. Muda quem somos, tecnológica, cultural e moralmente. A que é que corresponde exactamente esse mudança? Isso, não sabemos e talvez seja o mais difícil de prever. Parece que estamos a seguir o rasto da tecnologia, em vez do contrário. Talvez por isso Hillis acrescente que no futuro, quando os historiadores estudarem esta era, se vão referir a ela como “a Idade Média digital” porque muitas coisas aconteceram muito depressa e todos os registos estarão perdidos. Toda a informação está em emails e plataformas web às quais não haverá acesso.

No fim, Herzog informa-nos sobre três perspectivas diferentes da Internet, todas elas igualmente importantes e não mutuamente exclusivas: 1) o futuro da Internet é tornar-se cada vez mais imiscuída com o nosso meio-circundante, interagindo com todos os nossos sentidos, ao ponto de se tornar invisível — tal como aconteceu com a eletricidade. A Internet vai evoluir no sentido da invisibilidade; 2) A Internet é uma inimiga do pensamento crítico. Cada vez mais pessoas dependem da Internet para tomar decisões e as máquinas olham para números e não para ideias, o que é arriscado; 3) Vão as crianças precisar da companhia de outros humanos no futuro? Será que os robots e a Internet vão ser companhia suficiente? Soa terrível mas é uma possibilidade.

© Magnolia Pictures

Cuidado com a Internet. Estar consciente da Internet

O documentário de Herzog é relevante no nosso contexto cultural porque contribui para a nossa consciência relativamente à Internet. Normalmente estamos demasiado ocupados a usá-la para que possamos reflectir acerca dela. Mas enquanto ainda temos a situação sob controlo (temos?) é importante percebermos o que é a Internet e, mais ainda, o que que nós queremos que ela seja. Podemos ainda decidir isso ou já é tarde demais?

A Internet é um assunto controverso. Afinal, Herzog cumpriu as expectativas do espectador, no que diz respeito à qualidade habitual dos assuntos que escolhe. É importante ser lembrado que existe controvérsia relativamente à Internet, ainda que o seu uso, cada vez mais, seja trabalhado para ser confortável, fluído e para nos fazer não pensar — como se ‘máquina’ e mente fossem um. O dia em que pensarmos que não há nada de controverso acerca da Internet é o dia em que paramos de tomar decisões acerca dela. É controversa e deve continuar a ser.

Abraçar a ideia de ‘máquina’ e mente como um só, ao ponto de nos tornarmos dominados por isso — por uma coisa que não sabemos o que é — soa perigoso. O problema é que parece que não temos ideia de quem é que está encarregado da Internet, e muito menos como abrandar o processo ou alterar a direcção da sua evolução. Neste momento, a Internet está a sonhar-se a si própria, imaginando e reproduzindo-se a alta velocidade. Nós já sabemos isso e, às vezes, isso joga a nosso favor, outras, não. Devemos estar conscientes, para ter cuidado. Como Sun Tzu, general e estratega militar Chinês afirmou, no seu muito conhecido A Arte da Guerra (Cap.3): “Diz-se que se conheces os teus inimigos e se te conheces a ti próprio, não vais estar exposto ao perigo em cem batalhas que venham…”

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* Diana Soeiro é Investigadora de Pós-doutoramento em Filosofia no Instituto de Filosofia da Nova – IFILNOVA/ Universidade Nova de Lisboa (Portugal). http://pt.linkedin.com/in/dianasoeiro

 imagens a partir da página oficial do documentário http://www.loandbehold-film.com

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The Internet as Controversy:

Lo and Behold, Reveries of the Connected World, Werner Herzog (2016)

by Diana Soeiro*

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on Herzog

Born in 1942 in Germany (Munich), Werner Herzog has, between 1962 and 2016, directed sixty eight films and documentaries. He has also worked extensively as screenwriter, actor, author, and opera director. Having started his film career working in shorts and feature films, from the 1990s onward he grew increasingly fonder of documentaries and the option seems to have fit him well, since it could be said that these are the items that have granted him a faithful audience over the years.

The topics Herzog chooses to approach in his documentaries are either controversial or, even when they are apparently not, due to his particular perspective become so. When directing a documentary there is an unspoken rule that the director should be “invisible”, just like in a feature film, in order to offer the most truthful and realistic version of the topic he/ she has chosen. Herzog often breaks this rule, opting instead to feature himself as character, being that character usually that of the director who asks questions and does his research in order to prepare the documentary. What is shown to the viewer is, therefore, what we could say to be the preparatory work for a documentary that becomes the documentary itself. The result is a raw, honest, up-close, intimate, and emotional inside perspective of the process of a director preparing his documentary.

Herzog is aware that his method as a documentary director, is twofold: on one hand he is doing a documentary on a specific topic that he aims to share with the audience, and on the other hand, he is doing a documentary about the relation that he himself establishes with the topic and with the people that participate in the documentary, as he goes along. In the end, the documentary is both conventional documentation (a reference concerning the topic he focuses on) and an autobiographic living memory. Usually this double-approach makes a strong and unusual impression in the viewer. If it is one that is more, or less, realistic than a traditional approach is debatable but, for better or for worse, it is for sure a very human and first-person approach.

One of his most recent works, titled Lo and Behold, Reveries of the Connected World (2016), is no exception to this approach. However, the one question that may occur knowing Herzog’s work is: why is it that his sixteenth documentary is about something so unsophisticated as the Internet (“the connected world”)? Why would Herzog, at seventy-years of age, be interested in such a widespread phenomena? What is controversial about that? It is confusing. What should we make of it? We have to watch it in order to find out.

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What is the Internet?

A characteristic that is always present in Herzog’s films is how visible he makes his own curiosity. It becomes visible when he chooses to be himself a character: the director who prepares for a documentary. He never makes it easy for those he interviews and he does not hesitate to provoke on camera those he features, in order to provide a spontaneous and honest spark to his documentary.

Consequently, the first thing that Herzog reminds us is that it is possible to be curious about the Internet — which is a funny feeling since we use the internet as we already know everything there is to know about it. But whom will he provoke/ interview? Who is behind the Internet? Is not the world-wide-web a phenomenon that is everywhere, anywhere, all the time? Usually we are busy using it (and perhaps complaining about how slow it is) but it seldom occurs to us to question it. We take its content for its identity and the coincidence of the two both it is not obvious at all.

What is the Internet? Suddenly the question occurs as if the subject of the question is fully new. We use it worldwide but we do not know what it is: should we worry about this? This is the premise of the documentary.

Throughout the film, Herzog approaches different perspectives both from common people who deal with the effects of the Internet and from scientists — who, curiously enough, also appear to dwell more on the ‘effects’ side of the Internet than on the shaping of its ‘cause’.

In this sense, Lo and Behold provides an overview of some of the topics being discussed in several scientific fields today and what future scenarios can we expect. The documentary will be a living proof that in 2016 no one seemed to know much about the encompassing complexity of what we call the internet, though in the future we may try to claim that “we always knew”.

What we learn from the opening scene of the documentary is that the Internet is something that humankind has invented. This is important for the sake of accountability. It was not always here — as we may now have the feeling since it would almost be impossible to imagine a world without it. It was ‘born’ at a time and a place and the documentary begins with the viewer being shown the ‘birth place of the internet’: University of California, Los Angeles (UCLA), 10:30pm, 29 October 1969. There are also records of those who were in the ‘delivery room’ which is now like a shrine.

The first communication attempted was between two computers (host to host) inside campus and they tried to write “log” knowing that the computer would automatically add “in”. They pressed the key “l” and it came through, the “o” and it also came through, and when they pressed “g”, the server break down. (Apparently, some things don’t change…) The fact is, that on that day, for the first time, they were able to use a distance communication system that used a shared protocol that allowed connecting all communication systems into one, and the word communicated was “lo”. “Lo and behold”, some thought — that literally means “look and see”, and boy… would the Internet become something to be looked at and be seen… Premonitory, some say.

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How do we keep the Internet running and how do we guard it?

Whatever the internet is it seems relevant to make an effort to understand it better since its global relevance nowadays is inexorably established. Herzog’s initial guiding question is: “How do we keep it running? How do we guard it?”

In order to address this question he presents us examples where ‘the glory of internet’ has allowed us create new molecules that contribute to AIDS’ and cancer’s cure, to better our global education system making it more widely available, to build autonomous cars, and to create a robot football team that aims to beat FIFA’s winner in 2050.

However, we are also shown the dark side of the internet: private lives who were violated having those who fell victim of it no legal protection, life’s who were almost destroyed due to online gaming, and also many who physically suffer due to radiation and electromagnetic levels present in our surrounding environment, who look for shelter in isolated places becoming modern life hermits.

Herzog also addresses the question of the internet-of-things, where we rely daily tasks to the Internet. What would happen if there was no Internet? What if, in one of the cycles where there is a lot of solar activity, and lot of solar flares take place, one of them was strong enough to destroy our main global communication system? From a small scale to a large scale… would it be the end of civilization? Would we have food and be able to survive?

Hacking. The blur of digital and physical life. National security. Cyber-war. All of these are increasingly a threat —though one of the biggest hackers ever, “Erik Weisz”, being interviewed by Herzog, wisely reminds us: “People are the weakest link in security, not technology”. Food for thought indeed.

Wherever we are and wherever we think about going, the Internet will be with us. The Internet is part of the plan to establish a colony in Mars, as imagined by Elon Musk’s company Space X. In that sense, there is strong evidence that there is an doubtless interest in guarding and protecting the Internet. It is our present, it will be our future, and there is a strong probability that it will become all of our past.

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Do we live at a time of war and yet, we are unaware of it?

The second guiding question of the documentary is posed by Herzog himself: “Prussian war theoretician, [Carl von] Clausewitz (1780-1831) said: ‘Sometimes war dreams of itself’ could it be that the Internet starts to dream of itself?”

The question is highly relevant and interviewers in the documentary have very different reactions to it. Imagination is never an easy topic and when applied to machines and technology it does not get any easier. The question is: if the Internet is able to achieve a certain degree of independence, will it work for us, with us or against us?

Will the Internet have its own consciousness? Will it have its own set of rules? Will it make its own decisions? Will the decisions about how communications take place get out of the hands of humans? It is a possibility… The point is: we have no idea what will happen to the internet and yet we are getting to a point that (almost) everything can be done by machines ran by the Internet.

At one point, one of the Internet visionaries, Danny Hillis (computer scientist) who worked in the Internet project since the beginning, states that the Internet is a “revolution in technology and theology.” This is perhaps the most relevant observation concerning the Internet and should be taken very seriously. It changes morals and our definition of what it means to be human. It changes us technologically, culturally, and morally. To what exactly does this correspond? That, we do not know and is perhaps the hardest to predict. We seem to be tagging along technology instead of the other way around. Perhaps that is why Hillis, wisely adds that in the future, historians who will study this era, will refer to it as “the digital dark age” because a lot of things happened very fast but all the records will be lost. All the information is in emails and web platforms to which no one will have access.

In the end, Herzog informs us of three different perspectives on the Internet, perhaps all of them equally important: 1) the future of the Internet is that it becomes increasingly embedded in our environment, interacting with all our senses, becoming invisible — just like electricity. Internet will evolve in order to become invisible; 2) The Internet is an enemy of critical thinking. More and more people depend on the Internet to take decisions and machines, look at numbers instead of ideas, which is risky; 3) Will children need the companionship of other humans in the future? Will robots or the Internet’s companionship be sufficient? Sounds terrible but it is a possibility.

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Beware of the Internet. To be aware of the Internet

Herzog’s documentary is relevant in our current cultural context since it contributes to increasing our awareness concerning the Internet. We are usually too busy using it to reflect about it. But while we are still in control (are we?) it is relevant that all of us understand what the Internet is and, more importantly, what do we want it to be. Can we still decide on that or is it already too late?

The Internet is a controversial topic. Herzog has fulfilled the viewer’s expectations after all, when it comes to his choice of subjects. It is important to be reminded that there is controversy when it comes to the Internet, as much as its use is increasingly confortable, fluid and conceived not to makes us think — as if mind and ‘machine’ are one. The day we think that there is nothing controversial about the Internet is the day we stop making decisions about it. It is controversial and it should remain controversial.

To fully embrace mind and ‘machine’ as one, to the point that we end up being run by it — by something we do not know what it is — it sounds dangerous. The problem is that we seem to have no idea of who is in charge of it, much less know how to slow it down or change its course. At this point the Internet is already dreaming of itself, imagining and reproducing itself at high speed. We already know that and, at times, what it comes up with is on our side and, at times, it is not. Be aware to beware. As Sun Tzu, the Chinese general and military strategist stated in his widely known book The Art of War (Ch.3): “It is said that if you know your enemies and know yourself, you will not be imperiled in a hundred battles…”

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* Diana Soeiro is a Philosophy Postdoctoral Research Fellow at Nova Institute of Philosophy – IFILNOVA/ Universidade Nova de Lisboa (Portugal). http://pt.linkedin.com/in/dianasoeiro

images taken from the documentary’s official website http://www.loandbehold-film.com

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Sobre Media e Ecocriticismo

entrevista com Salma Monani* e Steve Rust* sobre Estudos EcoMedia

por Ilda Teresa de Castro*

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No momento em que esta entrevista for publicada, o site EcomediaStudies.org já terá encerrado. O post “Farewell and Thank You”, de Steve Rust em 11 de Abril, revelava ter sido essa a decisão tomada por ele e por Salma Monani (co-fundadora). Para todos os que ao longo dos últimos sete anos se habituaram a receber na caixa do correio email variada informação ecomedia vinda desta fonte, esta foi uma surpresa inesperada. EcomediaStudies.org foi uma importante inspiração para a plataforma AVM e posso imaginar que o tenha sido para muitas outras pessoas. Territórios onde os campos do ecocriticismo, ecomedia e estudos de ecocinema emergem e estabelecem as suas raízes, provavelmente reconhecem com sensibilidade o trabalho e as conexões que o EcomediaStudies.org desenvolveu durante estes anos.  Assinalo este momento, agradecendo a ambos a informação e a inspiração & também a disponibilidade para partilhar connosco, nesta breve conversa, o conhecimento que detêm sobre o campo Ecomedia, bem como respectiva evolução e situação actual. Muito obrigada, a Salma e a Steve.

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Salma e Steve, juntos fundaram em 2009, o EcomediaStudies.org [http://ecomediastudies.org] que tem sido um site de referência no território ecomedia online. Posso perguntar como surgiu a ideia e o projeto, e o que o moveu?

Steve: Tive pela primeira vez contacto com o trabalho da Salma em 2008 na conferência Film & History. No ano seguinte, depois de assistir a uma segunda excelente comunicação apresentada por ela na conferência ASLE 2009 (Associação para o Estudo da Literatura e Meio Ambiente), contactei-a e expressei o meu entusiasmo pelo seu trabalho e o meu interesse em encontrar formas de colaborarmos na construção do campo Media e Ecocriticismo. Para minha alegria (eu era ainda estudante na época), Salma ficou igualmente interessada nesse trabalho conjunto. A nossa primeira colaboração foi a apresentação de comunicações na conferência da SCMS (Sociedade de Cinema e Estudos Media) de 2010, em Los Angeles. Estabeleci contactos com todos os media ecocriticos em que no momento conseguia pensar e a resposta foi tão positiva que fomos capazes de organizar dois painéis de oradores, facto que realmente passou uma mensagem significativa à comunidade de Cinema e Media a que tínhamos chegado. Eu estava “nas estrelas” ao conhecer e trabalhar com Pat Brereton, David Ingram, Paula Willoquet-Maricondi, Adrian Ivakhiv e Leo Braudy. Um dia, durante um almoço, eu e Salma tivemos uma longa conversa que levou à fundação da EcomediaStudies.org (com a assistência técnica do parceiro de Salma, Dan Stone) e à nossa parceria com Sean Cubbit em Ecocinema Theory and Practice. A nossa declaração de missão permaneceu consistente ao longo dos quase sete anos que mantivemos o site activo: “A comunidade Ecomedia Studies (Estudos EcoMedia) visa facilitar abordagens interdisciplinares e inovadoras para o estudo dos meios de comunicação não-impressos aplicados ao discurso e à acção ambiental.” Naturalmente, muitas outras pessoas ao longo da última década têm vindo a trabalhar para que este crescimento aconteça. Estou feliz de que tenhamos sido capazes de desempenhar um pequeno (mas, espero, importante) papel neste processo.

Para mim, os termos-chave nesta missão são “comunidade” e “interdisciplinar”. Quando começámos, alguns estudiosos pioneiros de todo o mundo trabalhavam nesta área mas ainda não tinham aglutinado um verdadeiro subcampo. Ao envolver as pessoas na leitura de trabalhos uns dos outros e juntando-as em conferências, conversas, e-mails e publicações colaborativas, estou confiante de que tenhamos feito alguma diferença no acto de trazer este campo académico da periferia para um lugar principal. Os media ecocríticos são hoje um dos subcampos de crescimento mais rápido nos estudos media e nas ciências sociais e humanas. Para mim, este crescimento só foi possível devido ao interesse interdisciplinar nas intersecções de media e meio ambiente. O facto de o blog EcomediaStudies.org ter nascido de duas conferências, uma sobre ecocriticismo e outra sobre filme e media, sublinha-o. O ASLE acolheu os estudiosos de media e filme e estimulou a prossecução do nosso trabalho. De igual modo, o tipo de trabalho interdisciplinar que aconteceu entre os estudiosos das humanidades e da comunicação e ciências sociais, no SCMS, na IECA (Associação Internacional de Comunicação Ambiental), na AESS (Associação de Estudos Ambientais e Ciências) e em outros lugares, tem sido muito importante.

Salma: Eu acho maravilhoso que eu e Steve tenhamos descoberto o trabalho um do outro em 2008 e 2009. Steve era na época um estudante de pós-graduação e eu tinha acabado de terminar o meu doutoramento e começado a trabalhar em titularização condicional em Gettysburg College. Enquanto jovens investigadores, estávamos interessados nas sobreposições entre as preocupações ambientais e os filmes, e as nossas conversas ajudaram-nos a conectar as várias comunidades e redes. Sendo uma ferramenta on-line de acesso livre, o blog era um lugar perfeito para envolver e expandir esses links.

Para mim, o que é também importante é que, apesar de criarmos o blog a partir de interesses no cinema, o enquadramento que queríamos não era “… o estudo do cinema …” mas “o estudo dos meios de comunicação não-impressos”. E ao fazê-lo, estávamos a responder à predominância do enfoque nos media impressos que caracterizava o trabalho ecocritico da época (e.g. os estudos em comunicação prestavam atenção particular aos media impressos e os estudos literários com os seus focos tradicionais na prosa e na poesia) mas também estávamos a pensar em grande. O cinema constitui um continuum com outras formas visuais e auditivas, e com representações performativas dos media, e nós estávamos ansiosos por ver o campo desenvolver-se no sentido dessas conexões e no envolvimento com uma variedade de formas de arte que certamente não estavam sendo coerentemente engrenadas com a ecocritica dos media impressos.

Hoje, acho difícil a afirmação de que o engajamento ecocritico dos meios não-impressos seja negligenciado. Acredito que o site EcoMedia Studies bem como outros meios através dos quais eu e Steve estivemos em rede (conferências e contacto via e-mail com outros investigadores) tiveram um pequeno papel a desempenhar neste foco de mudança. No momento da sua criação, foi a ferramenta perfeita para forjar conexões, uma vez que o livre acesso on-line permite uma rede global. Penso que responde a uma necessidade e que ao longo dos anos tem servido um propósito valioso, já que académicos, cineastas e outros artistas de media não-impressos, têm manifestado interesse na sua presença e apreço pelos seus recursos.

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Como descrevem as evoluções e transformações a que assistiram e experimentaram no campo alargado dos EcoMedia ao longo destes sete anos?

Quando começamos o site, cerca de 2009, o campo estava numa fase muito incipiente, mas já prestes a aglutinar-se. Tal como escrevemos na nossa introdução a Ecocinema Theory and Practice (2013), “o início de um crescimento sem precedentes na crítica do eco-filme foi marcado pela publicação de cinco livros na viragem do século XXI”[i]. Até 2009, mais sete ou oito livros que exploram o cinema e o meio ambiente haviam sido publicados, incluindo a primeira colecção editada neste campo, The Landscape of Hollywood Westerns (2006), editado por Deborah Carmichael. E no momento em que nosso site entrou online, Adrian Ivakhiv tinha publicado “Green Film Criticism and its Futures” (ISLE, Summer 2008) o primeiro artigo sobre o “estado da arte”. Outras duas muito importantes colecções estavam a tomar forma, Chinese Ecocinema (2010), editado por Sheldon Lu e Jiayan Mi, e Framing the World: Explorations in Ecocriticism and Film (2010), editado por Paula Willoquet-Maricondi. O nosso objectivo era aproveitar o entusiasmo gerado por essas publicações e certificarmo-nos de que o diálogo pudesse evoluir e permanecer vibrante para que o campo não ficasse estagnado ou fosse apenas uma câmara de eco entre pessoas que concordavam umas com as outras. Queríamos que o nosso campo tivesse o mesmo tipo de competência e de alcance dinâmico a que assistiramos no desenvolvimento dos estudos media feministas, na teoria queer e nos estudos pós-coloniais e de raça, nos anos que se seguiram ao aparecimento desses campos.

Steve: Em termos de desenvolvimento do campo, acho que quatro transformações fundamentais, que prefiguram um futuro muito emocionante, tomaram forma ao longo dos últimos sete anos.

Em primeiro lugar, juntamente com o ecocriticismo mais amplo, o ecocriticismo dos media amadureceu para além do simples método de análise de textos e desenvolveu raízes profundamente teóricas. Basta olhar para alguns exemplos, para ver como os campos de envolvimento com a teoria crítica se aprofundaram. Por exemplo, Adrian Ivakhiv desenvolveu uma teoria abrangente do cinema e dos media no Ecologies of the Moving Image (2013) mas também a específica incidência sobre a teoria dos afectos (ver Moving Environments: Affect, Ecology, Emotion, and Film, 2014, editado por Alexa Weik von Mossner), a teoria do trauma (ver Eco-Trauma Cinema, 2014, editado por Anil Narine), e a do horror ecológico ( no especial conjunto de ensaios sobre Ecohorror, na edição de Verão de 2014, da ISLE, editada por Stephen Rust and Carter Soles e o novo livro sobre ecologia e o filme de terror de Robin L. Murray e Joseph K. Heumann).

Em segundo lugar, o campo está a começar (finalmente) a expandir-se para além do Cinema Americano e Europeu a tornar-se muito mais global. O trabalho de Salma sobre o filme indígena e os media, é um exemplo-chave deste movimento, como é o trabalho dos investigadores inspirados nas colecções Chinese Ecocinema (2009, editado por Sheldon Lu e Jiayan Mi) e Transnacional Ecocinema (2012, editado por Pietari Kääpä), no explorar de uma ampla gama de textos e de contextos de cinema e media de todo o mundo. À medida que escrevo, há esforços para envolver mais estudiosos dos Estudos Africanos, uma área de estudo sub-representada. A um nível pessoal, estou muito satisfeito com o facto de que o nosso livro recente Ecomedia: Key Issues, inclua bolseiros da televisão da Nova Zelândia, meios da comunicação social Chinesa, jogos de vídeo do Brasil e do México, assim como artistas americanos pouco explorados, no caso, a primeira cómica afro-americana, Jackie Ormes. Está a ser feito um esforço considerável para esta expansão de interesses. Paralelamente a esta globalização do campo, surgiu uma nova atenção especifica para a justiça ambiental e a necessidade de olhar para as pessoas tradicionalmente sub-representadas, colocadas nas posições mais precárias por governos, corporações e outros jogos de poder.

Em terceiro lugar, a tentativa de mover o campo da análise textual para diálogos mais profundos sobre o impacto eco-social e material da produção e do consumo dos media, tem sido muito encorajador. Um dos movimentos mais inovadores foi a viragem no sentido da pesquisa de audiências (ver, por exemplo, a edição do Inverno de 2014, Interactions on Ecocinema Audiences, editada por Pietari Kääpä). Em termos de materialidade, basta olharmos para o trabalho de Nadia Bozak, Richard Maxwell e Toby Miller, Nicole Starosielski e Lisa Parks, para vermos o quão importante é para nós o estudo dos impactos materiais da produção de media. Hunter Vaughan está actualmente prestes a publicar um estudo de fundo sobre a ecologia da produção no Hollywood clássico, que deve realmente colocar as pessoas a conversar sobre o assunto.

Em quarto lugar, embora a análise textual continue a ser uma parte vibrante do campo, o tipo de textos e de contextos que as pessoas estão analisando por estes dias, está a tornar-se cada vez mais interessante. Por exemplo, tendo os textos cinematográficos estado na primeira linha da nossa imaginação, este é um campo que está mudando rapidamente nos dias de hoje, cada vez mais pessoas estão olhando para uma grande variedade de meios não-impressos, incluindo televisão, jogos de vídeo, rádio, instalações de arte, arte digital, exposições, e muito mais.

Salma: Apesar de concordar absolutamente com tudo o que Steve listou acima, há um outro excitante desenvolvimento actual nos estudos ambientais com que os Estudos EcoMedia estão prontos a envolver-se. Refiro-me à recente coalescência entre as Ciências Humanas e as disciplinas Sociais, sob a égide das Humanidades Ambientais. Na edição inaugural do Journal of Environmental Humanities (Jornal de Letras Ambientais), Deborah Pássaro Rose e os seus co-autores, escrevem: “No centro da investigação ecocritica está uma motivação ecofilosófica para explorar questões fundamentais sobre a relação entre o pensamento humano, a linguagem e o ambiente em geral” ( 2012, 3). Os media podem ser entendidos como linguagem e as suas manifestações não-impressas são muitas, desde a fala humana ao canto dos pássaros, desde as fazendas de servidores às fazendas de formigas e de colmeias. A bolsa de estudos no emergente campo interdisciplinar das Humanidades Ambientais tem sido particularmente atenta aos entendimentos das relações multi-espécies e a uma ética do cuidado e da responsabilidade para com o mundo humano e não-humano, através da atenção às línguas dos seres, humanos e não-humanos. Os Estudos EcoMedia podem, creio eu, contribuir proveitosamente para este desenvolvimento, com a sua crescente atenção às ideias do afecto, ao reconhecimento do “outro”, e ao seu reconhecimento da “agência das coisas” materiais.

Ao todo, os Estudos EcoMedia nos últimos anos têm ampliado e aprofundado as suas preocupações e a sua presença. São agora parte integrante de comunidades como a Associação para o Estudo da Literatura e Meio Ambiente (ASLE) ou a Associação de Comunicação Ambiental Internacional (IECA). E a recente criação do Grupo de Especial Interesse dos Media e Meio Ambiente na Sociedade dos Estudos de Cinema e Media (SCMS), sugere a sua presença crescente na comunidade de estudos de cinema.

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É possível pontuar alguns dos momentos e influências mais importantes nesta evolução e processo (histórico)?

Steve: Para além da lista acima, eu tenho em mente um par de momentos-históricos-chave que influenciaram este campo. Em primeiro lugar, penso que a conversa científica e cultural sobre a mudança ambiental global (incluindo as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, o desmatamento, a urbanização, a corporização da agricultura, a poluição do ar e da água, etc.) tem aumentado durante o século XXI a tal um ponto, que as pessoas que de outra forma não teriam pensado sobre a importância dos Estudos EcoMedia, deram valor aos nossos esforços no sentido de alargar o diálogo a um número maior de pessoas. Ironicamente, o que tem sido ruim para o planeta tem sido bom para o campo de estudos em que estamos envolvidos porque, infelizmente, tornou-se muito fácil convencer as pessoas de quão ruins as coisas são e da importância dos media na compreensão da sociedade sobre o estado da planeta. Não gosto de admitir que o nosso campo tem beneficiado com a degradação do ambiente, mas é difícil ignorar a conexão.

Salma: Ao contrário de Steve, não estou certa de que se tenha tornado assim “tão fácil convencer as pessoas de como as coisas estão mal paradas”. As políticas partidárias e polarizadas da América tornaram particularmente difícil para algumas pessoas reconhecer a realidade da nossa maior crise ecológica, a climática. No entanto, penso que as rápidas mudanças nas tecnologias media nas últimas décadas, tornaram mais fácil convencer as pessoas do papel que os media desempenham na forma como nos envolvemos nos nossos mundos. É a visibilidade da mudança que faz com que seja mais difícil ignorar o impacto dos meios de comunicação nas nossas vidas − psicológica, socialmente e materialmente.

Steve: Em resposta a Salma, eu diria que levar as pessoas a fazer algo sobre estes problemas é o que me parece ser o verdadeiro desafio neste momento. As pessoas tendem a saber o que está a acontecer mas são complacentes sobre encontrar soluções. No entanto, eu vivo em Oregon, que tende a ser conhecido pelas suas políticas progressistas e pela sensibilização geral para as questões ambientais. Assim, definitivamente, posso ver porque razão temos diferentes pontos de vista sobre isto.

Salma: Sim, as coisas infelizmente são um pouco diferentes na minha zona, que é muito mais fortemente conservadora na sua base política e ideológica.

Tomando como referência a descrição originalmente usada no site, “O que podemos esperar dos Ecomedia como forma de arte, de defesa e de activismo?”, como ferramenta política ou pedagógica? Que papel pode desempenhar na sociedade actual?

Steve: Para mim o papel que o EcoMedia pode desempenhar em termos de arte, advocacia e activismo é muito definido pelo contexto específico. Os tipos de filmes que eu posso convencer os meus alunos a prestar atenção numa sala de aula, são bastante diferentes dos que atraem grandes audiências. Na sala de aula, temos audiências cativas “que podemos conquistar através do nosso carisma, a nossa paixão e nosso tempo estruturado. The Day After Tomorrow fez US$500 milhões em bilheteira mundial mas é ignorado nas salas de aula como sendo lixo media coorporativo. E, no entanto, pelo menos nos EUA, o seu lançamento em 2004 coincidiu e provavelmente ajudou a inspirar uma mudança significativa no entendimento público do aquecimento global. Tenho pensado muitas vezes, por exemplo, sobre o muito citado artigo “Toward an Eco-cinema”, que Scott MacDonald publicou pela primeira vez em 2004, em ISLE. Eu tentei mostrar um par desses eco-filmes experimentais em sala de aula, sem muito sucesso, enquanto Scott, porque ele é Scott, tem tido um enorme sucesso a conquistar as pessoas para apreciarem o ritmo muito lento da cinematografia minimalista dos filmes que ele descreve. Também sou muito cuidadoso, pelas razões que Andrew Hageman aponta de forma bastante eficaz na sua contribuição para a nosso livro Ecocinema Theory and Practice, em “Ecocinema and Ideology”, sobre as tentativas de usar o EcoMedia como ferramenta política ou pedagógica, porque todas as imagens podem ser manipuladas para fins de propaganda. Os meus pontos de vista sobre esta questão, como se pode imaginar pela minha resposta desconexa, estão em constante evolução. Vejo a necessidade de educar e inspirar as pessoas através dos media mas também sou desconfiado sobre qualquer sugestão de que certos textos ou técnicas possam “trabalhar” sobre as pessoas melhor do que outros.

Salma: É frequente que os produtores de EcoMedia codifiquem o seu trabalho como arte, activismo e defesa. Mas, como Steve, sugere, o modo como tal trabalho é descodificado nem sempre se traduz nas formas pretendidas, e às vezes, trabalho que não é codificado dentro do enquadramento da advocacia é lido como tal. Enquanto investigadores EcoMedia, devemos reconhecer estas discrepâncias e abraçá-las.

Ao mesmo tempo, o nosso papel como eco-investigadores e ecocriticos é pensar profundamente sobre questões de valor, de ética, de significado e responsabilidade. Por isso, mesmo se entendemos o activismo e a defesa como ideologicamente pesados, cabe-nos um envolvimento crítico com esses conceitos e agarrarmos o modo como o nosso trabalho se intercepta com a política do mundo. Se há uma lição pedagógica aqui, é a de que os Estudos EcoMedia não se podem desvincular do activismo ou da defesa; em vez disso, tem que ser implacavelmente auto-críticos nesse esforço. Talvez isto seja uma forma de activismo em si − promovendo uma posição pedagógica que recusa a complacência.

Steve: Salma marca aqui um ponto fantástico. Reconhecer como a arte e a crítica podem trabalhar em conjunto para a defesa e o activismo é um reconhecimento fundamental para o caminho a seguir.

Agora, que decidiram encerrar o site, partilham connosco porque razão decidiram concentrar-se “em outras formas de promover o estudo dos media e do ambiente”, e que formas e projectos têm em ideia?

Actualmente estamos a trabalhar no desenvolvimento de uma proposta para uma conferência em media e ambiente em 2018. Estamos também activos dentro de organizações académicas como a ASLE, a SCMS, e a IECA. O grupo de media e meio-ambiente na SCMS (atualmente liderado por Hunter Vaughan, Oakland University e Janet Walker, da Universidade da Califórnia, em Santa Barbara) está a tentar iniciar um diário, que incluiria também um site que seria uma melhoria do blog EcoMedia e, mais importante, procura envolver mais pessoas que contribuam para o manter.

Steve: Nos últimos tempos, tenho pensado especialmente sobre como as minhas práticas de ensino se cruzam com a minha pesquisa, algo que comecei recentemente a explorar num artigo intitulado “Teaching Climate Change and Film” que aparecerá no próximo volume de Teaching Climate Change in the Humanities. Entre uma carga horária pesada como instrutor de música sem-mandato, e a minha nova função como presidente na Digital Strategies Initiative da ASLE, estou continuamente a ser afastado da minha escrita ou a tentar conectar-me sempre que tenho tempo e espero poder continuar a publicar.

Salma: Eu tenho muita sorte em ter a oportunidade de disfrutar de uma licença de pesquisa no Rachel Carson Center for Environment and Society, em Munique, durante este ano, onde estou a trabalhar numa monografia intitulada Eco-visions in the Cinema of North America. É um projecto excitante, pois coloca em primeiro plano a diversidade do Ecocinema Indígena e está particularmente interessado em considerar o(s) modo(s) em que esse cinema nos ajuda a re-visionar os nossos imaginários ecológicos e sociais de duas formas distintas: 1) corrigindo as más-representações dos povos indígenas e dos entendimentos ambientais, no passado e no presente, e perpetuados por tanto cinema mainstream (e.g. como o tropo do “Índio ecológico”), e 2) ajudando-nos a re-imaginar (re-visionar) o que os nossos futuros ecológicos poderiam ser. Embora este projecto me tenha ocupado recentemente, também estou expectante com a publicação de um projecto recentemente concluído que co-edito (com Joni Adamson) Ecocriticism and Indigenous Studies: Conversations from Earth to Cosmos (Routledge, no prelo, 2016). Como o título sugere, a colecção coloca em diálogo o ecocriticismo e os Estudos Indígenas. Inclui ensaios de estudiosos em todas as disciplinas, de todo o mundo, e com interesses numa variedade de media − desde a literatura ao cinema, da ópera às marchas políticas, dos websites à arte da paisagem.

Hei-de regressar ao Gettysburg College e estou ansiosa, não só por ensinar as minhas aulas, mas também por trabalhar com dois seniores com teses avançadas. Estas colaborações com os alunos continuam a ajudar-me a pensar em como o EcoMedia é pertinente em muitos aspectos. Embora ambos os projetos sejam principalmente investigações científicas sociais, cada aluno usa o media para o ajudar a visualizar e contar uma história − um dos alunos estará a fazer um filme para registar as respostas de um sub-conjunto da comunidade migrante a uma iniciativa da fazenda local com a qual estão envolvidos, e o outro estará usando Sistemas de Informação Geográfica (GIS) para mapear e visualizar histórias de exposição a pesticidas em trabalhadores agrícolas migrantes.
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Ao longo destes anos, o que é que o EcomediaStudies.org [http://ecomediastudies.org] permitiu aprender sobre as comunidades EcoMedia on-line ?

Steve: Nós aprendemos que as comunidades on-line são tão fortes quanto as pessoas que nelas trabalham para as construir e manter. A internet tem reforçado bastante as nossas oportunidades de comunicarmos com pessoas que estão geograficamente dispersas. No entanto, pode ser difícil saber quem lê e segue o que estamos a fazer. Ter notícias tuas, por exemplo, foi uma grande surpresa para mim, pois até termos sido contactados por ti, eu não tinha a menor ideia de que soubesses do nosso trabalho ou que tivesses sido inspirada pelo nosso site. Ser visível na web é absolutamente essencial para a construção de uma comunidade global de estudiosos neste século. Eu aprendi que há limites para o layout estético dos blogs, por exemplo, e que um site mais dinâmico, mantido por um grupo maior de indivíduos comprometidos, será essencial para levar o campo até à próxima etapa; e é por isso que o esforço para fazer isso acontecer através do media SCMS e do grupo Media and Environment, é tão excitante neste momento. Além disso, tem sido difícil desenvolver este trabalho durante tanto tempo sem o apoio da minha instituição de origem. Enquanto professores não-permanentes, podemos sentir que os nossos esforços estão a ser negligenciados. Além disso, é importante lembrar que todos nós somos pessoas reais, com agendas muito ocupadas e assim sendo, mantermo-nos em contacto e encontrarmos maneiras de nos conectarmos no terreno, é essencial para produzirmos sentido a partir das comunidades on-line − pelo menos para mim − apesar das dificuldades da distância e do financiamento, que por vezes tornam essas conexões frágeis.

Salma: O site Estudos EcoMedia tem sido um trabalho de amor. O seu espírito é colaborativo, baseado na abertura do acesso-livre e na experiência do voluntariado, tanto em relação ao conteúdo do site, quanto na competência tecnológica. Esses ideais de colaboração, abertura de acesso e voluntariado, estão constantemente sob pressão dos sistemas institucionalizados mais formais que minam tais projetos. Por exemplo, em termos de conteúdo, eu não posso contabilizar quantas vezes tive potenciais colaaboradores preocupados por o blog não ter revisão por pares, e por isso, a partilha de ideias nele publicada não “contar” enquanto pontuação válida em termos de publicações, de promoção, de mérito académico, etc. Num mundo ideal, Steve e eu, na qualidade de co-fundadores mais activos poderíamos ter procurado financiamento para nos ajudar a promover o blog e fazer um esforço grande para “incrementar” o seu rigor académico, bem como o seu valor enquanto local público de humanidades, mas infelizmente, sendo relativamente jovens investigadores nós mesmos, esse empreendimento teria sido arriscado, pois não se encaixa favoravelmente dentro dos limites estabelecidos pelas exigências de trabalho do mandato convencional (contrato de ensino permanente).

Nesse sentido, o EcoMedia Studies sucumbiu aos sistemas que vinculam as ideias actuais de valor académico. Uma lição potencial a tirar é pensar o que tais comunidades online podem vir a ser e o que pretendemos delas. Se queremos que esses sites prosperem, precisamos de trabalhar com os sistemas com que eles se chocam − a nossa visão do blog era idealista, mas não necessariamente “estratégica”.

Apesar de o site on-line perder a sua dinâmica, o que é encorajador é que a comunidade que o tem aproveitado e que o ajudou a estabelecer, está agora a pensar em consonância com essas mesmas linhas, tanto de modo idealista (continuando a promover o desenvolvimento de um florescente campo de estudo) quanto estratégico (sobre qual o modo prático de alcançar esse desenvolvimento). As possibilidades de migração de alguns dos conteúdos do blog para a ASLE ou a IECA, que detêm maior credibilidade institucional, é emocionante; ao mesmo tempo, o processo mais formal de com eles (ASLE e SCMS) instituir SIG listservs, bem como o impulso actual para a criação de um jornal peer-reviewed, sublinham quanto a comunidade de Estudos EcoMedia não pode ser facilmente ignorada dentro da academia. Nesse sentido, o blog serviu uma das suas principais finalidades − desempenhou um papel no desenvolvimento desta presença alargada dos Estudos EcoMedia.

Finalmente, podemos argumentar que a presença de comunidades on-line reafirma um dos princípios fundamentais dos Estudos EcoMedia − a agência conjunta do humano e do não-humano na criação de mundos. O blog é tanto um factor de pessoas como de tecnologia e, uma vez que outros sites têm surgido on-line, como o Facebook e o listserv SIG para Media e Ambiente, as tecnologias facilitam a dinâmica das comunidades on-line.

Pós-script

Salma e Steve: Ilda, queremos agradecer as tuas perguntas. Dadas as nossas agendas lotadas, provavelmente não tivemos condições de articular as ideias em simultâneo. Estas questões trouxeram-nos ao sentimento de encerramento do blog. Este encerramento não significa um fim para nós mas sim a abertura de um próximo capítulo de trabalho neste campo dos Estudos EcoMedia, que não era sequer um campo quando iniciámos o blog.

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notas

[i] Jhan Hochman’s Green Cultural Studies: Nature in Film, Novel and Theory (1998); Gregg Mitman’s Reel Nature: America’s Romance with Wildlife on Film (1999); Derek Bousé’s Wildlife Films (2000); David Ingram’s Green Screen: Environmentalism and Hollywood Cinema (2000); and Scott MacDonald’s The Garden in the Machine: A Field Guide to Independent Films about Place (2001).

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*Salma Monani é Professora Associada no departamento de Estudos Ambientais do Gettysburg College’s. Enquanto estudiosa nas Humanidades, a sua investigação e ensino inclui explorações no ecocriticismo literário e no cine-ecocriticismo.  Co-editou, com Steve Rust e Sean Cubitt, Ecocinema Theory and Practice (Routledge/AFI 2013), e Ecomedia: Key Concepts (Routledge/Earthscan, 2015), e liderou a edição (com Joni Adamson) de Ecocriticism and Indigenous Studies (Routledge/Interdisciplinary Perspectives in Literature, no prelo 2016).  Também publicou a sua investigação que inclui explorações em filme e justiça ambiental, estudos de festivais do filme e eco-activismo indígena, em jornais como o  ISLE, The Journal of Nature and Culture, e Local Environment, e em diversas antologias.  Actualmente é writing fellow no Rachel Carson Center para o Ambiente e Sociedade em Munich, Germany.

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* Stephen Rust é instructor de carreira em Composição na Universidade de Oregon e professor afiliado no Programa de Estudos de Cinema.  É também instructor, a tempo parcial, em estudos de cinema na Universidade Estadual de Oregon. O seu trabalho explora as intersecções entre os media não impressos e a critica ambiental. Co-editou, com Salma Monani e Sean Cubitt, Ecocinema Theory and Practice (Routledge/AFI 2013), e Ecomedia: Key Concepts (Routledge/Earthscan, 2015). O seu ensaio mais recente “Teaching Climate Change and Film” será publicado no próximo volume Teaching Climate Change in the Humanities (Routledge, 2016). Actualmente participa no Conselho executivo da Associação para o Estudo da Literatura e do Meio Ambiente (ASLE).

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* Ilda Teresa Castro é investigadora no AELab – Laboratório de Estética e Filosofia das Práticas Artísticas do IfilNova. Pós-doc com o projecto “Paisagem e Mudança − Movimentos”, apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Fundadora e Editora da plataforma e jornal online  AnimaliaVegetaliaMineralia, Publicou Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015). Doutorada em Ciências da Comunicação/Cinema e Televisão, pela Universidade Nova de Lisboa. Prossegue investigação em Estudos Fílmicos, Ecocinema e Ecocriticismo. Inicialmente estudou Artes e Técnicas do Fogo para via de Belas-Artes, tendo optado por formação na Escola Superior de Cinema de Lisboa (ESTC) e em Peritos em Arte (CESE), na Escola Superior de Artes Decorativas (ESAD), da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva (FRESS) em Lisboa. Artista pluridisciplinar, o seu trabalho mais recente assume um cruzamento entre arte e ecologia com enfoque no domínio ecocritico, ambiental e animal. Conjuga práticas artísticas distintas: desenho, fotografia, webdesign, joalharia, escultura e filme. Realiza ecofilmes e instalações.

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tradução ilda teresa castro

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On Media and Ecocriticism

Interview with Salma Monani* and Steve Rust* concerning Ecomedia Studies

by Ilda Teresa de Castro*

By the time this interview is published, the website EcomediaStudies.org will be closed down, as was revealed by Steve Rust on the 11th of April, “Farewell and Thank You” post. This decision was made by him and Salma Monani (the co-founder). After seven years of getting used to receive varied information on my mailbox coming from them about ecomedia, this was an astonishing surprise. EcomediaStudies.org was a huge inspiration for the AVM platform and I can imagine that it was also for many more people. Territories where ecocriticism, ecomedia and ecocinema studies occur, and those who engage the fields will probably be greatful to the work and connections that EcomediaStudies.org established through these years. I signal this moment and want to acknowledge the information and inspiration that powered the site and also Steve and Salma’s availability to share with us in this brief conversation, their knowledge about the Ecomedia field, its evolution, and current situation. Many thanks to Salma and Steve.

Salma and Steve, you co-founded EcomediaStudies.org<http://ecomediastudies.org/> site — which has been a reference — in 2009. Can you tell us how it happens and what moves the idea and project?

Steve: I first came across Salma’s work in 2008, when I saw her present at the Film & History conference. After seeing her deliver another stellar presentation at the 2009 ASLE (Association for the Study of Literature and Environment) conference in 2009, I contacted her and expressed my enthusiasm for her work and my interest in finding ways that we might collaborate to build the field of media ecocriticism. To my delight (as I was a graduate student at the time), Salma was equally interested in working together. Our first collaboration was presenting papers at the 2010 SCMS (Society for Cinema and Media Studies) conference in Los Angeles. I reached out to as many media ecocritics as I could think of at the time and the response was so overwhelming that we were able to organize two panels of speakers, which really sent a message to the film and media community that we had arrived. I was star struck at meeting and working with Pat Brereton, David Ingram, Paula Willoquet-Maricondi, Adrian Ivakhiv, and Leo Braudy. Salma and I had a long conversation over lunch one day that led to the founding of EcomediaStudies.org (with the technical assistance of Salma’s partner, Dan Stone) and our partnership with Sean Cubbit on Ecocinema Theory and Practice. Our mission statement for the site remained consistent over the nearly seven years we actively maintained the site: “The Ecomedia Studies community seeks to facilitate interdisciplinary and innovative approaches to the study of non-print media as it applies to environmental discourse and action.” Of course, many other people over the past decade have been working to make this growth in the field happen. I’m just glad that we have been able to play a small (but hopefully important) role in this process.

For me, the key terms in this mission statement are community and interdisciplinary. When we started, a few pathbreaking scholars from across the globe had been doing work in this area but it had not yet coalesced into a true subfield. By engaging people in reading each other’s work and coming together through conferences, email conversations, and collaborative publications, I feel confident that we have made some difference in helping to bring our field from the periphery of academe into the mainstream. Today media ecocriticism is one of the fastest growing subfields in media studies and the humanities and social sciences more broadly. To me, this growth has only been possible due to the interdisciplinary interest in the intersections of media and environment. The fact that EcomediaStudies.org was born out of one conference on ecocriticism and another on film and media speaks to this fact. ASLE was welcoming to film and media scholars, providing encouragement to move ahead with our work. Similarly, the kind of interdisciplinary work happening between humanities, communications, and social science scholars at SCMS, the IECA (International Environmental Communication Association), AESS (the Association for Environmental Studies and Sciences), and elsewhere has been very important.

Salma: I think it was wonderful that Steve and I found each other’s work back in 2008 and 2009. While Steve was a graduate student, I had just finished my PhD and started on my tenure-track work at Gettysburg College. As young scholars, we were both interested in the overlaps between environmental concerns and film, and our conversations helped us link our various communities and networks. As an open-access online tool, the blog was a perfect place to engage and expand these links.

For me, what is also valuable is that despite the fact that Steve and I came to the blog with interests in cinema, we wanted to frame our blog not as “…the study of cinema…” but as “the study of non-print media.” In doing so, we were responding to the predominance of ecocritical work that at the time focused on print media (e.g. in communication studies, which paid attention to news print media in particular, and literary studies with its traditional foci on prose and poetry) but we were also thinking big picture. Cinema forms a continuum with other forms of visual, aural, and performative representations of media, and we were keen to see the field develop with a sense of these connections, and to engage with a variety of art forms that were certainly not being as coherently engaged by ecocritics as was print media.

Today, I think it is hard to make the same assertion that ecocritical engagement with non-print media is neglected. I believe the Ecomedia Studies site, and equally importantly, the other means by with Steve and I were networking (at conferences, through direct email contact with other scholars) has a small part to play in this shifting focus. At the time of its inception, it was the perfect tool to forge connections, as the online open-access allowed for a global network. I think it fit a need, and I think, over the years it has served a valuable purpose, as scholars, filmmakers, and other non-print media artists have been in touch and expressed interest in its presence, and appreciation for its resources.

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How do you describe the evolutions and transformations you have seen and experienced on large Ecomedia field along these seven years?

When we started the site back in 2009, the field was in a very nascent stage but was already poised to coalesce. As we write in our introduction to Ecocinema Theory and Practice (2013), “the beginnings of an unprecedented swell in eco-film criticism were marked by five book-length studies published at the turn of the twenty-first century”[i] (4). By 2009, seven or eight more books exploring cinema and environment had been published, including the first edited collection in the field, The Landscape of Hollywood Westerns (2006), edited by Deborah Carmichael. And at the time our site went live, Adrian Ivakhiv had published the first ‘state of the field’ article, “Green Film Criticism and its Futures” (ISLE, Summer 2008) two other very important edited collections were already taking shape, Chinese Ecocinema (2010), edited by Sheldon Lu and Jiayan Mi, and Framing the World: Explorations in Ecocriticism and Film (2010), edited by Paula Willoquet-Maricondi. Our goal was to harness the excitement about these publications and make sure that the conversation could evolve and remain vibrant so that the field did not become stagnant or an echo chamber for folks who all agreed with one another. We wanted our field to take on the same dynamic purview and scope as we have seen in the development of feminist media studies, queer theory, and postcolonial and race studies in the years since those fields first emerged.

Steve: In terms of the field’s development, I think four key transformations have taken shape over the past seven years that make the future very exciting.

First, along with ecocriticism more broadly, media ecocriticism has matured beyond simply a method of analyzing texts and has evolved deeply theoretical roots. One need only look to a few examples to see how the fields engagement with critical theory had deepened the conversation, for example Adrian Ivakhiv’s attempt to develop a comprehensive theory of film and media in Ecologies of the Moving Image (2013) or the specific focuses on affect theory (see Moving Environments: Affect, Ecology, Emotion, and Film, 2014, edited by Alexa Weik von Mossner), trauma theory (see Eco-Trauma Cinema, 2014, edited by Anil Narine), and ecological horror (see the special cluster of essays on Ecohorror in the Summer 2014 issue of ISLE edited by Stephen Rust and Carter Soles and the new book on ecology and horror film by Robin L. Murray and Joseph K. Heumann).

Second, the field is beginning (finally) to expand beyond American and European film to become much more global in scope. Salma’s work on indigenous film and media is a key example of this move as is the work of scholars who’ve been inspired by the collections Chinese Ecocinema (2009, edited by Sheldon Lu and Jiayan Mi) and Transnational Ecocinema (2012, edited by Pietari Kääpä) to explore a wide range of film and media texts and contexts from across the world. As we write, there are efforts to engage more African Studies scholars that much underrepresented area of study. On a personal level, I am quite pleased with the fact that our recent book, Ecomedia: Key Issues includes scholarship on New Zealand television, Chinese social media, Brazilian and Mexican video games, as well as underexplored American artists the first African American woman comic strip artist, Jackie Ormes. Across the field, considerable effort is being put into this expansion of interests. Alongside this globalizing of the field has come a new attention specifically to environmental justice and the need to look at traditional underrepresented folks put in the most precarious positions by governments, corporations, and other power players.

Third, the turn to move the field beyond textual analysis to deeper conversations about the eco-social and material impacts of media production and consumption has been very encouraging. One of the most innovate moves has been the turn toward audience research (see, for example, the Winter 2014 issue of Interactions on Ecocinema Audiences edited by Pietari Kääpä). In terms of materiality, one need only look at the work of Nadia Bozak, Richard Maxwell and Toby Miller, Nicole Starosielski, and Lisa Parks to see how valuable it is for us to study the material impacts of media production. Hunter Vaughan is currently nearing publication of a book length study of production ecology in classical Hollywood that should really get folks talking.

Fourth, while textual analysis remains a vibrant part of the field, the kinds of texts and context that folks are analyzing these days is becoming increasingly interesting. For example, while cinematic texts have been at the forefront of our imagination as a field that is changing quickly these days as more people are looking at a wide variety of non-print media, including television, video games, radio, art installations, digital exhibitions, and much more.

Salma: While I absolutely concur with all that Steve lists above, there is one other current exciting development in environmental studies that Ecomedia Studies is poised to engage with. This is the recent coalescing of humanities and social sciences disciplines under the umbrella of Environmental Humanities. In their inaugural issue of the Journal of Environmental Humanities, Deborah Bird Rose and her co-authors write: “At the heart of ecocritical enquiry is an ecophilosophical motivation to explore fundamental questions concerning the relationship between human thought, language and the wider environment” (2012, 3). Media can be understood as language, and its non-print manifestations are many, from human speech to bird song, from server farms to ant farms and beehives. The scholarship in the emerging interdisciplinary realm of Environmental Humanities has been particularly attentive to understandings of multi-species relations and an ethics of care and responsibility to both the human and the nonhuman world through attention to the languages of both humans and nonhumans. Ecomedia Studies can, I believe, contribute fruitfully to this development with its growing attention to ideas of affect, the recognition of “others,” and its acknowledgment of agency in material “things”.

In all, Ecomedia Studies has in the last few years broadened and deepened its concerns and its presence. It is now part and parcel of communities such as the Association for the Study of Literature and Environment (ASLE) and the International Environmental Communication Association (IECA), and the recent establishment of the Special Interest Group on Media and Environment at the Society of Cinema Studies and Media (SCMS) suggests its growing presence in the cinema studies community.

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May you point some of the most important moments and influences on this evolution and (historical) process?

Steve: Other than the above list, I have a couple of key historical moments in mind that have influenced the field. First and foremost, I feel that the scientific and cultural conversation about global environmental change (including climate change, biodiversity loss, deforestation, urbanization, the corporatization of agriculture, air and water pollution, etc) has escalated during the twenty-first century to such an extent that folks who had not otherwise thought about the importance of ecomedia studies have taken note of our efforts to bring more people into the conversation. Ironically, what’s been bad for the planet has been good for the field of study we’re engaged in because sadly, it’s become all too easy to convince people how bad things are and how obvious it is that our society’s understanding of the state of the planet is mediated through, well media texts. I don’t like admitting that our field has benefited from a worsening environment but it’s hard to ignore the connection.

Salma: Unlike Steve, I am not sure that it has become “all too easy to convince people how bad things are.” America’s partisan and polarized politics have made it particularly hard for some people to acknowledge the reality of our biggest ecological crisis, climate change. However, I do think that the rapid changes in media technologies in the past decades has made it easier to convince people of the part that media plays in how we engage our worlds. It’s the visibility of change that makes it harder to ignore the impact of media on our lives—psychologically, socially, and materially.

Steve: In response to Salma, I’d just say that it’s getting people to do something about these problems that I think is the real challenge right now. Folks tend to know it’s happening, they’re just complacent about finding solutions. Of course, I do live in Oregon, which tends to be known for its progressive politics and general awareness of environmental issues, so I can definitely see why we’d have differing views on this one.

Salma: Yes, sadly things are bit different in my neck of the woods, which is much more strongly conservative in its political and ideological base.

Using the words you used on the site description “What might we expect from ecomedia as a form of art, advocacy, and activism?” as well as political or pedagogical tool? What do you think the role of Ecomedia in today´s society is and/or may be?

Steve: To me the role that ecomedia can play in terms of art, advocacy, and activism is very context specific. The kinds of films that I can convince my students to pay attention to in class are quite different from the kinds that will draw large audiences. In the classroom we have ‘captive audiences’ that we can win over through our charisma, our passion, and our structured time. The Day After Tomorrow made about $500 million at the global box office but is disregarded in classrooms as corporate media trash. And yet, at least the US, its release in 2004 coincided and likely helped inspire a statistically significant shift in public understandings of global warming. I’ve often thought, for example, about the much-cited article “Toward an Eco-cinema” that Scott MacDonald first published in 2004 in ISLE. I’ve tried showing a couple of those experimental eco-films in class without much success, whereas Scott, because he’s Scott, has had tremendous success winning people over to appreciating the very slow pacing and minimalist cinematography of the films he describes. I’m also very wary, for reasons Andrew Hageman points out quite effectively in his contribution to our Ecocinema Theory and Practice book “Ecocinema and Ideology” of attempts to use ecomedia as a political or pedagogical tool because all images can be manipulated for propaganda purposes. My views on this question, as you may guess by my rambling answer, are constantly evolving. I see the need to educate and inspire people through media but I am also wary of any suggestion that certain texts or techniques can ‘work’ on people better than others.

Salma: It is often the case that the producers of ecomedia encode their work as art, activism, and advocacy. But, as Steve, suggests, how such work gets decoded does not always translate in ways intended, and sometimes work that is not encoded within advocacy frames is read as such. As ecomedia scholars, we must recognize these discrepancies and embrace them.

At the same time, our part as ecoscholars and ecocritics is to think deeply about questions of value, ethics, meaning, and responsibility, so even as we understand activism and advocacy as ideologically laden, it behooves us to engage critically with these concepts and to grapple with how our work interfaces with the politics of the world. If there is a pedagogical lesson here, it is that Ecomedia Studies cannot disengage from activism or advocacy; instead it has to be relentlessly self-critical in this endeavor. Perhaps that’s a form of activism in itself—promoting a pedagogical position that refuses complacency.

Steve: Salma makes a fantastic point here. Recognizing how art and criticism can work together for advocacy and activism is a key acknowledgement for the path ahead.


Now, that you decided to close down the site, do you share with us why you decided to focus “on other ways of promoting the Study of Media and Environment” and what ways and projects do you have on idea?

Currently we’re working on developing a proposal for a media and environment conference for 2018. We’re also active within such academic organizations as ASLE, SCMS, and the IECA. The media and environment group at SCMS (currently led by Hunter Vaughan, Oakland University and Janet Walker, University of California Santa Barbara) is trying to start a journal, which would also include a website that would be an improvement over the Ecomedia blog and most importantly involve more people contributing to maintaining it.

Steve: I’ve been thinking particularly of late about how my teaching practices intersect with my research, something I’ve recently begun to explore in an article titled “Teaching Climate Change and Film” that will appear in the forthcoming volume Teaching Climate Change in the Humanities. In between a heavy teaching load as a non-tenure track instructor, and my new role as chair if the Digital Strategies Initiative for ASLE, I’m continuing to plug away on my writing whenever I have the time and hope to keep publishing in the field.

Salma: I’ve been very lucky to have the opportunity to enjoy a research leave at the Rachel Carson Center for Environment and Society in Munich, Germany this year, where I am currently working on a monograph titled Eco-visions in the Cinema of North America. It’s an exciting project as it foregrounds the diversity of Indigenous ecocinema and is particularly interested in considering how such cinema helps us re-vision our ecological and social imaginaries in two ways—1) by correcting past and present (mis)representations of Indigenous peoples and environmental understandings perpetuated through so much mainstream cinema (e.g. like the trope of the ‘ecological Indian’), and 2) by helping us re-imagine (re-vision) what our ecological futures could look like. While this project has been occupying me recently, I am also looking forward to the publication of a recently completed project that is I’ve co-edited (with Joni Adamson) Ecocriticism and Indigenous Studies: Conversations from Earth to Cosmos (Routledge, forthcoming fall 2016). As the title suggests, the collection brings ecocriticism and Indigenous Studies into conversation. It includes essays by scholars across disciplines, from across the globe, and with interests in a variety of media—from literature to film, opera to political marches, websites to landscape art.

I’ll be back at Gettysburg College in fall and am looking forward not only to teaching my classes but also to working with two wonderful seniors on honors theses. These collaborations with students continue to help me think of how ecomedia is pertinent in many realms. While both projects are primarily social science investigations, each student engages with media to help visualize and tell a story − one student will be making a film as part of her work to record the responses of a sub-set of the migrant community to a local farm initiative with which they are involved, and the other will be using Geographic Information Systems (GIS) to map and visualize stories of pesticide exposure in migrant farm workers.

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What have you learned about ecomedia online communities due EcomediaStudies.org<http://ecomediastudies.org/> site along these years?

Steve: We’ve learned that online communities are only as strong as the folks that work together on the ground to build and maintain them. The internet has greatly enhanced our opportunities to communicate with folks who are geographically dispersed. However, it can be hard to know who is reading and following what you’re up to. Hearing from you, for example, came as a great surprise to me as I had no idea that you knew of our work or had been inspired by the site until you reached out to us. Being visible on the web is absolutely essential to building a global community of scholars in this century. I’ve learned that there are limits to the aesthetic layout of blogs, for example, and that a more dynamic website maintained by a larger group of committed individuals will be essential to taking the field to the next step, which is why the effort to make this happen through the SCMS Media and Environment group is so exciting right now. Additionally, it’s been hard to do this for so long without support from my home institution. As a non-tenure track faculty member, you can feel like your efforts are being overlooked. Beyond that though, it’s important to remember that we’re all real people with very busy schedules and so keeping in touch and finding ways to connect on the ground is essential to making meaning from online communities – at least for me – despite the difficulties of distance and funding to make those connections feel tenuous at times.

Salma: Ecomedia Studies has been a labor of love. Its spirit is collaborative, open-access, and based on volunteering expertise—both towards content on the site as well as technological expertise. These ideals of collaboration, open-access, and volunteerism are constantly under pressure from more formal institutionalized systems that undermine such projects. For example, in terms of content, I can’t say how many times I have had potential contributors worry that the blog is not peer reviewed, so sharing thoughts on it don’t “count” as valued for publications, promotion, merit, etc. In an ideal world, Steve and I, as the most active co-founders could have sought funding to help us promote the blog and push harder for “upping” its academic rigor as well as its value as a public humanities site, but sadly as relatively young scholars ourselves, this venture would have been risky as it does not fit favorably within the constraints set by the conventional tenure (tenure seeking) job requirements.

In that sense, Ecomedia Studies has buckled under the systems that bind our current ideas of academic value. One potential lesson then to take from the blog Ecomedia Studies is how we might think of how such online communities come to be and what we want of them. If we want such sites to thrive we need to work with the systems that they bump up against—our vision of the blog was idealistic, but not necessarily “strategic.”

While the online site has thus lost its mom entum, what is heartening is that the community it has tapped into and helped establish is now thinking along these very lines of being both idealistic (in continuing to push for the development of a burgeoning field of study) and strategic (in how to practically achieve this development). The possibilities of migrating some of the blog’s content to ASLE or IECA with more institutional credibility is exciting; at the same time, the more formalized process of instituting SIG listservs with (ASLE and SCMS) as well as the current push for a peer-reviewed journal all speak to how the Ecomedia Studies community cannot be easily ignored within academia. In that sense, the blog has served one of its key purposes—it has played a part in the development of this larger presence of Ecomedia Studies.

Finally, one might argue, that the presence of online communities reaffirms one of the key tenets of Ecomedia Studies—the conjoined agency of human and nonhuman in the making of worlds. The blog is both a factor of people and the technology, and as other Internet sites have come online, like Facebook, and the SIG listserv for Media and Environment, the technologies themselves facilitate the dynamics of online communities.

Post-script

Salma and Steve: Ilda, we want to thank you for your questions. Given our busy schedules, we probably won’t have taken the time to articulate these ideas together, all in one place. Your questions prompt us towards a sense of closure on the blog Ecomedia Studies. This closure doesn’t signify an end for us, but the next chapter to the work that goes on in this field of Ecomedia Studies, which was not even a field when we started the blog.

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notes

[i] Jhan Hochman’s Green Cultural Studies: Nature in Film, Novel and Theory (1998); Gregg Mitman’s Reel Nature: America’s Romance with Wildlife on Film (1999); Derek Bousé’s Wildlife Films (2000); David Ingram’s Green Screen: Environmentalism and Hollywood Cinema (2000); and Scott MacDonald’s The Garden in the Machine: A Field Guide to Independent Films about Place (2001).

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*Salma Monani is Associate Professor at Gettysburg College’s Environmental Studies department. As a humanities scholar her research and teaching include explorations in literary ecocriticism and cine-ecocriticism.  She is co-editor, with Steve Rust and Sean Cubitt, of Ecocinema Theory and Practice (Routledge/AFI 2013), and Ecomedia: Key Concepts (Routledge/Earthscan, 2015), and lead editor (with Joni Adamson) on Ecocriticism and Indigenous Studies (Routledge/Interdisciplinary Perspectives in Literature, forthcoming 2016).  She has also published her research, which includes explorations of film and environmental justice, film festival studies, and indigenous eco-activism, in journals such as ISLE, The Journal of Nature and Culture, and Local Environment, and in various anthologies.  She is currently a writing fellow at the Rachel Carson Center for Environment and Society in Munich, Germany.

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* Stephen Rust is a career instructor in Composition at the University of Oregon and affiliated faculty in the Cinema Studies Program. He is also a part-time instructor in film studies at Oregon State University.  His work explores the intersections of non-print media and environmental criticism.  He is co-editor or Ecocinema Theory and Practice (AFI/Routledge, 2012) and Ecomedia: Key Issues (Earthscan/Routledge, 2015) with Salma Monani and Sean Cubitt. His most recent essay, “Teaching Climate Change and Film” will appear in the forthcoming volume, Teaching Climate Change in the Humanities (Routledge, 2016). Stephen currently serves on the Executive Council of the Association for the Study of Literature and Environment. You can follow him at https://uoregon.academia.edu/StephenRust.

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Ilda Teresa Castro is a researcher in the AELab – Laboratory of Aesthetics and Philosophy of Artistic Practices at IfilNova Institute of Philosophy developing the Postdoctoral project “Landscape and Change – Movements”, with support by the FCT. Founder and editor of the online journal and homonym platform AnimaliaVegetaliaMineralia. Castro published the book Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015). PhD in Communication Sciences, Faculty of Humanities and Social Sciences, Universidade NOVA de Lisboa. Castro continues making research in Film Studies, Ecocinema and Ecocriticism. Began by studying Arts and Techniques of Fire for Fine Arts, having opted to gave it up for Cinema Studies and graduated from Lisbon Film School (ESTC) and Art Experts (CESE), School of Decorative Arts (ESAD), at Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva (FRESS) in Lisbon. A multidisciplinary artist, her most recent work assumes a cross between art and ecology — art and science, with a focus on the ecocritical, environmental and animal domain. It combines different artistic practices: drawing, photography, webdesign, jewelery, sculpture and film. Director of ecofilms and eco-instalations.

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