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Roubar_To Rob, Luanda Francine . 2023
(ano XII . no XV . 2025)
Expōnēre, Maille Colbert . 2019
(ano XII . no XV . 2025)
Mūtātiōnem, Maille Colbert . 2021
(ano XII . no XV . 2025)
AI IA AI, António Barros . 2024
(10 anos_10 years . no. XIV . 2024 – 2025)
De Profundis – ecologia e videodança oceânica, marta tomé e rui matoso . 2020
(no. 2023-2024)
Hope_Esperanza, ilda teresa castro . 2018
(no . 2018-2019)
Ecocídio / Ecocide, ilda teresa castro . 2017
(no. IX . 2017-2018)
Um Estendal na Horta do Baldio / Washing Line at Horta do Baldio, Teresa Vieira. 2016
(no. VIII . 2016-2017)
Diários de uma Pesquisa / Diaries of a Research, ilda teresa castro . 2016
(no. VII . 2016)
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Roubar _ To Rob
Luanda Francine . 11´. 2023
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O que é uma gaiola? O que se enjaula? O filme convida o espectador a conhecer uma gaiola não pelo lado de fora, mas pelo seu lado de dentro. Um deslizamento de lugar, de ponto de vista, por meio da tentativa de ocupar e habitar o espaço interno desse dispositivo, sentir sua atmosfera, seu efeito, seu campo material, seu poder de submeter, colonizar, roubar. Tencionando a posição de quem olha de fora e de quem olha de dentro, o filme conduz a uma zona de indiscernibilidade entre o humano e o animal, onde os animais podem emergir como sujeitos do olhar.
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What is a cage? What is caged? The film invites the viewer to get to know a cage not from the outside, but from the inside. A desire for a place, a point of view, through the attempt to occupy and inhabit the internal space of this device, to feel its atmosphere, its effect, its material field, its power to submit, colonize, steal. Tensioning the position of those who look from the outside and those who look from the inside, the film leads to a zone of indiscernibility between the human and the animal, where animals can emerge as subjects of the gaze.
*Luanda Francine é artista visual, psicanalista, pesquisadora em filosofia, é membra do coletivo de arte Coletiva Animalia e do AFECTA – Laboratório de Investigação e Criação Partilhada. Nasceu e cresceu em São Paulo e atualmente vive em Lisboa.
*Luanda Francine is a visual artist, psychoanalyst and philosophy researcher. She is a member of the art collective Coletiva Animalia and AFECTA – Laboratório de Investigação e Criação Partilhada. She was born and raised in São Paulo and currently lives in Lisbon.
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Expōnēre
Maille Colbert . 13´. 2019
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Exposição é viver num sistema. Exposição a vibrações. Exposição a partículas vibratórias. Expomos a nossa atmosfera ao aumento das emissões, e ela adelgaça-se e adensa-se de todas as formas erradas, expondo-nos por sua vez. Descascamos os sistemas e expomo-los. A palavra “expor” conota algo que falta, uma falta de proteção. Alude a uma queimadura, a uma radiação, a um incêndio. Uma estrutura desmorona-se. Uma estrutura regressa. Expōnēre é o termo latino para exposição. Expōnēre é a Parte 2, do projeto Come Kingdom Come, que era a Parte 1. Já não se trata de um futuro apocalítico. Exponere é o presente… imperativo, e passivo… numa língua do passado. Trata-se de sobrevivência. Trata-se de se agarrar a algo, mesmo no limbo.
Uma voz estranha conta um pouco da história, em pedaços escolhidos de um gerador aleatório… criando, repetindo, mudando, recriando. Sons de arquivos de vários tempos e lugares fazem o mesmo, todos sob eventos de medida catastrófica… um terramoto, um tsunami, um incêndio, uma extinção, uma fusão, um cancelamento, um silenciamento, uma tempestade solar. Os eventos são tecidos na história e num único Evento. Complexidade e interconexão, como uma composição ou ecologia. O som tece-se em sincronia com a imagem. A personagem move-se em reação ao som, afectando a imagem. O tríptico de imagens de várias fases de exposição direta à luz altera-se com o tempo, depois volta a pulsar com cigarras numa batida binaural, tudo a mudar para extremos… um tom para um lado continua a subir sem parar, um tom para a nossa direita continua a descer. Os nossos sentidos esforçam-se por dar sentido a isto à medida que a história termina.
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Não foi um evento, mas uma série de eventos, que fez com que as partículas vibrassem mais rapidamente, em estranhos padrões que mudavam rapidamente. Fronteiras e molduras, contentores e recipientes, linhas e divisões, vibraram em conjunto e esbateram-se.
A exposição é a inoculação, mas as doses já não eram suficientemente pequenas para serem ingeridas em segurança. Então ela foi para o subsolo, com os insectos, e os pássaros que aprenderam a voar de cabeça para baixo… embora não fossem muitos. Não havia muitos dela, não que a sobrevivência importasse, pois o que havia ainda a definia. Algumas cassetes, alguns textos, algumas fotografias parcialmente reveladas, muito tempo. Estava tudo amontoado, uma pilha de história no seu bunker para remexer e reorganizar de cada vez que decidia que era um novo dia. Ela tinha de proteger a pilha, a Guardiã da pilha. Ela não podia arriscar-se a ser exposta.
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Exposure is to live in a system. Exposure to vibrations. Exposure to vibrating particles. We expose our atmosphere to increased emissions, and it thins and thickens in all the wrong ways, exposing us in turn. We peel back systems and expose. It connotes something missing, a lack of protection. It alludes to a burning‑a radiation, a fire. A structure crumbles. A structure returns. Expōnēre is Latin for exposure. Expōnēre is Part 2, from the project Come Kingdom Come, which was Part 1. This is no longer about a future apocalyptic. Exponere is the present…imperative, and passive…in a language from the past. It is about survival. It’s about hanging on, to something, even in limbo.
An uncanny voice tells a bit of the story, in pieces chosen from a random generator…creating, repeating, shifting, recreating. Sounds from archives of various times and places do the same, all under events of catastrophic measure…an earthquake, a tsunami, a fire, an extinction, a meltdown, a cancellation, a silencing, a sun storm. The events are woven into the story and into one Event. Complexity and interconnection, like a composition or ecology. Sound weaves into the image in sync. The character moves in reaction to the sound, affecting the image. The triptych of images of various stages in direct exposure to light morph with time, then pulses again with cicadas in a binaural beat, everything shifting to extremes…one tone to one side continues upwards endlessly, one tone to our right continues down. Our senses work to make sense of this as the story concludes.
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It wasn’t one event, but a series of events, that sent particles vibrating faster, in strange rapidly changing patterns. Borders and frames, containers and vessels, lines and divisions, vibrated together and blurred.
Exposure is inoculation, but the doses were no longer small enough to be safely taken in. So she went underground, with the insects, and the birds that learned how to fly upside down…though there weren’t many of those. There weren’t many of her, not that survival mattered, as what was still around to define her. Some tapes, some text, some partially developed photos, a lot of time. It all jumbled up together, a pile of history in her bunker to shift through and rearrange each time she decided it was a new day. She had to protect the pile, the Keeper of the pile. She couldn’t risk exposure.
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*Maile Costa Colbert é uma artista intermédia, investigadora e educadora com foco em som e media baseados no tempo. Foi bolseira de investigação de doutoramento em Estudos Artísticos com uma concentração em estudos de som, design de som cinematográfico e a sua relação com a ecologia da paisagem sonora na Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O seu projeto de prática e investigação intitulado Wayback Sound Machine: Sound through time, space, and place (http://www.mailecolbert.com/proj-wayback.html), questiona o que podemos recolher da auscultação do passado. É Professora Auxiliar convidada de Multimédia na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e Investigadora Júnior no grupo de trabalho Arte e Tecnologia do CineLab, o laboratório de investigação em cinema e filosofia do IFILNOVA (https://ifilnova.pt/en/people/maile-colbert/), onde está a trabalhar num projeto com o tema Atmosferas Artificiais, IA, arte e arquivos. É colaboradora da organização artística Binaural Nodar, onde é Curadora de Arquivos Digitais (https://www.archive.binauralmedia.org/). É também editora e autora no Sonic Field (http://sonicfield.org/author/mailecolbert/), e tem exposto, exibido e actuado globalmente. www.mailecolbert.com
*Maile Costa Colbert is an intermedia artist, researcher, and educator with a focus on sound and time-based media. She was a PhD Research Fellow in Artistic Studies with a concentration on sound studies, cinematic sound design, and its relationship with soundscape ecology at the Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, through the Fundação para a Ciência e a Tecnologia, her practice and research project titled, Wayback Sound Machine: Sound through time, space, and place (http://www.mailecolbert.com/proj-wayback.html), asks what we might gather from sounding the past. She is an invited Assistant Professor of Multimedia at the School of Fine Arts, University of Lisbon, and a Junior Researcher in the working group of Art and Technology at CineLab, IFILNOVA’s research lab for cinema and philosophy (https://ifilnova.pt/en/people/maile-colbert/), where she is working on a project with the theme of Artificial Atmospheres, AI, art, and archives. She is a collaborator with the art organization Binaural Nodar, where she is a Digital Archive Curator (https://www.archive.binauralmedia.org/). She is also an editor and author at Sonic Field (http://sonicfield.org/author/mailecolbert/), and has exhibited, screened, and performed globally. www.mailecolbert.com
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Mūtātiōnem
Maille Colbert . 9´. 2021
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Quando a pandemia chegou, comecei a escrever novamente a lápis. Senti-me ansiosa até poder aceitar um interior fragmentado com cem variações e versões, tudo em processo – processo sobre progresso. Texto, áudio, visual – em movimento e parado, compilações, complicações, em direção a combobulações, se é isso que acontece. Esta é uma cápsula do tempo de fragmentos, reflectindo um tempo fragmentado. Estes fragmentos tentam contar a história, encorajar um sentido do que aconteceu. Pequenos trabalhos, notas, momentos: a minha filha aos três anos, a luz salpicada no seu rosto através da janela, deitada no chão a olhar para o ecrã da máquina fotográfica virado para ela, uma bela imagem que mais tarde me faz pensar em contágio. Uma gravação de voz que relembra um sonho que tive quando estava grávida e tentava lidar com a minha culpa ecológica de trazer outra forma de vida consumidora para um mundo de consumo excessivo; um sonho em que chocava um dragão bebé que sabia ser perigoso, mas que amava e cuidava na mesma. A superlua de 2020 captada noutra noite de insónia, com um podcast enervante de um epidemiologista célebre como pano de fundo muito silencioso, a minha mão a tremer com a audição, a imagem a tremer com a minha mão. Imagens da missão Apollo Moon – também me fez pensar em contágio. A canção que criei em luto, a partir de um arquivo de aves extintas e em vias de extinção e de paisagens sonoras florestais. Tudo junto, de alguma forma, tentando, e transmitindo, um sentido de.
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When the pandemic hit, I began to write again in pencil. I felt anxious until I could accept a fragmented interior with a hundred variations and versions, everything in process–process over progress. Text, audio, visual-both moving and still, compilations, complications, towards combobulations, if that is what comes. This is a time capsule of fragments, reflecting a fragmented time. These fragments try to tell the story, to encourage a sense of what happened. Small works, notes, moments: my daughter at three, dappled light on her face through the window as she lay on the floor looking at the camera’s screen turned towards her, a beautiful image that later has me thinking of contagion. A voice recording recalling a dream I had when pregnant and trying to come to terms with my ecological guilt of bringing another consuming life form into an over-consuming world; a dream where I hatch a baby dragon that I knew was dangerous, but loved and cared for nonetheless. The 2020 super moon captured on another sleepless night, with an unnerving podcast from a celebrated epidemiologist in the very quiet background, my hand shaking with the listening, image shaking with my hand. Footage from the Apollo Moon mission–also having me thinking of contagion. The song I created in mourning, from an archive of extinct and endangered birds and forest soundscape. All together, somehow, trying, and transmitting, a sense of.
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*Maile Costa Colbert é uma artista intermédia, investigadora e educadora com foco em som e media baseados no tempo. Foi bolseira de investigação de doutoramento em Estudos Artísticos com uma concentração em estudos de som, design de som cinematográfico e a sua relação com a ecologia da paisagem sonora na Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O seu projeto de prática e investigação intitulado Wayback Sound Machine: Sound through time, space, and place (http://www.mailecolbert.com/proj-wayback.html), questiona o que podemos recolher da auscultação do passado. É Professora Auxiliar convidada de Multimédia na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e Investigadora Júnior no grupo de trabalho Arte e Tecnologia do CineLab, o laboratório de investigação em cinema e filosofia do IFILNOVA (https://ifilnova.pt/en/people/maile-colbert/), onde está a trabalhar num projeto com o tema Atmosferas Artificiais, IA, arte e arquivos. É colaboradora da organização artística Binaural Nodar, onde é Curadora de Arquivos Digitais (https://www.archive.binauralmedia.org/). É também editora e autora no Sonic Field (http://sonicfield.org/author/mailecolbert/), e tem exposto, exibido e actuado globalmente. www.mailecolbert.com
*Maile Costa Colbert is an intermedia artist, researcher, and educator with a focus on sound and time-based media. She was a PhD Research Fellow in Artistic Studies with a concentration on sound studies, cinematic sound design, and its relationship with soundscape ecology at the Universidade Nova de Lisboa, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, through the Fundação para a Ciência e a Tecnologia, her practice and research project titled, Wayback Sound Machine: Sound through time, space, and place (http://www.mailecolbert.com/proj-wayback.html), asks what we might gather from sounding the past. She is an invited Assistant Professor of Multimedia at the School of Fine Arts, University of Lisbon, and a Junior Researcher in the working group of Art and Technology at CineLab, IFILNOVA’s research lab for cinema and philosophy (https://ifilnova.pt/en/people/maile-colbert/), where she is working on a project with the theme of Artificial Atmospheres, AI, art, and archives. She is a collaborator with the art organization Binaural Nodar, where she is a Digital Archive Curator (https://www.archive.binauralmedia.org/). She is also an editor and author at Sonic Field (http://sonicfield.org/author/mailecolbert/), and has exhibited, screened, and performed globally. www.mailecolbert.com
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AI IA AI,
António Barros . 2024
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* António Barros_estudos na Universidade de Coimbra e na Facultat de Belles Arts Universitat de Barcelona. Investigação no domínio das linguagens. Na experienciação, em diferentes disciplinas das artes, explora a comunhão: Texto_Imagem (Visualismo, POEX_Poesia Experimental Portuguesa); Arte de Situação, numa Cultura FLUXUS (Wolf Vostell [Vostell Fluxus Zug Kunst Akademie], Robert Filliou, Serge III Oldenbourg, Juan Hidalgo – Grupo Zaj); Escultura Acústica e Paisagem Sonora (R. Murray Schafer, Joseph Moreno, Jimenez Blasquez); Transitividade do Objecto (Donald Woods Winnicott) / Obgesto. Criou Artitude:02 [Projectos & Progestos]; OIC_Oficina de Interacção Criativa [CAPC, Coimbra]; ARexploratóriodasartes; A_A [Barcelona; Nantes; Gibellina].
* António Barros_studied at The Universidade de Coimbra and in the Facultat de Belles Arts Universitat de Barcelona. Research in the field of languages. Within different art disciplines, he explores the communion: Text_Image (Visualism, POEX_Portuguese Experimental Poetry); situationist art in a FLUXUS Culture (Wolf Vostell [Vostell Fluxus Zug Kunst Akademie], Robert Filliou, Serge III Oldenbourg, Juan Hidalgo – Grupo Zaj); Acoustic Sculpture and Sound Landscape (R. Murray Schaper, Joseph Moreno, Jimenez Blasquez); Transitional Object (Donald Woods Winnicott) / Obgesto (Obgesture). Projectcs: Artitude:01 [Projectos & Progestos]; OIC [CAPC, Coimbra]; ARexploratóriodasartes; A_A [Barcelona, Nantes, Gibellina].
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De Profundis
– ecologia e videodança oceânica
por Marta Tomé e Rui Matoso, 21´, 2020
Life did not take over the world by combat, but by networking
Lynn Margulis
De Profundis é um projeto de criação em videodança concebido por Marta Tomé e Rui Matoso, tendo surgido da colaboração entre duas escolas de dança sediadas em cidades “gémeas”, Torres Vedras e Torres Novas.
A Escola de Dança Movimento (Torres Vedras) e O Corpo da Dança (Torres Novas), propuseram aos seus alunos a realização de exercícios de improvisação orientados por Marta Tomé. Depois de registados, os movimentos em vídeo foram sujeitos a um processo de edição e montagem resultando numa transformação do lugar do corpo e do movimento. O corpo humano é assim levado a submergir virtualmente nas profundezas e a coabitar com os seres abissais que vivem abaixo da zona eufótica dos oceanos, e, é nessa parte mais insondável do planeta, com temperaturas excessivamente baixas e fora do alcance da luz solar, que humano e animal se fundem numa coreografia interespécies.
O enquadramento conceptual da proposta artística reside na investigação acerca do conceito de “devir-animal” (Gilles Deleuze) e da sua integração na metodologia de improvisação desenvolvida pela coreógrafa. Em sentido amplo, é um projeto que toma como referência a relação entre práticas artísticas contemporâneas e a consciência ecológica emergente na época das alterações climáticas, do antropoceno e de inúmeras outras crises ambientais, designadamente da extinção massiva de espécies. O lugar de encontro entre a consciência artística e a poética da ecologia profunda, define-se na possibilidade de mergulhar na frágil complexidade da interdependência da vida e, consequentemente, na imanência de uma outra partilha do sensível.
Uma outra fonte de inspiração criativa para o De Profundis encontra-se no poema de John C. Lilly, onde o cientista notável e visionário extravagante exorta à experiência da profundidade interior em contacto com as forças vitais do planeta, do universo e dos oceanos.
John C. Lilly, “The Quiet Center: Isolation and Spirit” (2011)
[O Centro Silencioso: Isolamento e Espírito | tradução: Rui Matoso]
Para vires a existir, para seres, para te moveres,
Imagina sair daqui, subindo para um penhasco acima do mar.
Observa o mar
Mergulha no ar, em direção ao mar.
Mergulha profundamente em direção ao fundo.
Sente as entidades que habitam o mar, na escuridão fresca, sente a pressão.
Ouve e comunica com essas criaturas.
Eles sabem a maneira secreta de escapar daqui.
Viaja para outros lugares distantes deste planeta.
Sobe desde as profundezas do mar, até ao calor.
Desloca-te da superfície do mar até à luz.
Viaja através do espaço aéreo da Terra, para fora.
Acelera em direção à nossa estrela, o sol.
Sente o seu brilho a aumentar, a sua energia.
Essa energia criou-nos, mantém-nos, somos nós.
Entra no Eu flamejante do sol, torna-te a sua luz, transforma-te na sua energia, sente a estrela como sendo tu mesmo.
Sê o sol, brilhando no espaço.
Afasta-te agora da sua energia, torna-te maior que esta estrela.
Espalha como tua a sua luz em todas as direções.
Enche o universo, sê o universo.
Sê todas as estrelas, as galáxias são o teu corpo.
Sê o espaço vazio que se espalha até o infinito.
Sê o potencial criativo nos espaços vazios.
Sê o potencial, infinito no zero absoluto do nada.
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Produção: Escola de Dança Movimento | Estufa
Edição e montagem vídeo: Elisa Lopes
Sonoplastia: geiststudio
Poema: John C. Lilly, “The Quiet Center: Isolation and Spirit” (2011)
Imagens de arquivo: Nautilus | Nick Hope
com Adriana Reis, Anastásia Russkikh, Beatriz Taborda, Inês Azedo, Júlia Santos, Lara Dias, Luana Frade, Maria Malhado, Maria Santos, Maria Eduarda Tenório, Marta Tomé, Sofia Nobre, Tomé Ferreira, Oceano, Organismos marinhos
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*Marta Tomé, foi intérprete em obras de Clara Andermatt (2002), de Margarida Silva (Teatro Maria Matos, 1999); da Vortice Dance Company, Portugal, Madrid, Casablanca e Rabat (2005/06), de Vera Alvelos, Teatro Virgínia (2016); de Tânia Carvalho (2014). Fez assistência coreográfica à peça “Dança para Músicos” de Vera Mantero, com António Pedro e a Banda Filarmónica Euterpe Meiaviense, Teatro Virgínia (2016). Enquanto coreógrafa concebeu e produziu para o Labcriativo do Teatro Virgínia (2014); “Uma carta sobre a Dança” espetáculo para crianças, (2015); “O Fio e a Meada” com música ao vivo de Vasco Ribeiro Casais, co-produção Teatro Virgínia (2016); “Shadow” Centro Cultural do Entroncamento (2018). Em 2007 criou a Associação Cultural O Corpo da Dança – Estúdio de Dança em Torres Novas, com a componente de formação em dança e criação de projetos. Em 2019 criou “BlackBox’19”, uma co-produção do Teatro Virgínia. Desde 2016 vem colaborando com a Materiais Diversos na orientação de oficinas de movimento para professores para o Festival, com Margarida Mestre, Marina Palácio e Rita Pedro (O Antropoceno das Crianças) e assistência às oficinas de Dança e Filosofia de Sílvia Real e Rita Pedro. É licenciada em Dança – ramo de Espetáculo da Escola Superior de Dança (1997), onde trabalhou com os coreógrafos Clara Andermatt, Amélia Bentes, Rui Horta, Paulo Ribeiro, Francisco Pedro, Antonnio Carallo, Martin Vrany, Rui Pinto, entre outros. Frequentou Seminários abertos do Curso de Gestão e Produção das Artes do Espectáculo no Fórum Dança em 2010. Encontros de Movimentos Contemporâneos (1996/97/98).
**Rui Matoso, investigador-doutorando no laboratório CICANT – Centro de Investigação em Comunicação Aplicada, Cultura e Novas Tecnologias. Professor de Políticas Culturais na Escola Superior de Teatro e Cinema e na Universidade Lusófona onde leciona no curso de Ciências da Comunicação e da Cultura. Anteriormente investigou no ZKM | Center for Art and Media e foi research fellow no Arquivo Vilém Flusser (Berlin, Universitat der Kunst). Co-editou o livro “Art and Photography in Media Environments” (Edições Lusófonas – ECREA, 2016). Em 2020 realizou a curadoria da exposição “Carne”, de André Avelar (Galeria Municipal Paços – Torres Vedras) e da exposição “Vagueamos na noite sem sentido e somos devorados pelo fogo”, de Carina Martins; e foi cocriador, com a coreógrafa Marta Tomé, do projeto de videodança “De Profundis – ecologia e videodança oceânica” (2020).
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Hope_Esperanza
ilda teresa castro . 13´ . 2017
por/by Catarina Alfaro
Hope_Esperanza é uma proposta fílmica invulgar, uma experiência que transgride as práticas ortodoxas do cinema e convida a explorar estados perceptivos de som-imagem-imagem mental. Os sentidos (audição e visão) são conduzidos para um estado em tudo semelhante ao onírico, onde o que é real e o que é imaginado se sobrepõem criando-se, assim, na consciência do espectador, a sensação de uma viagem imersiva, sendo a Natureza o seu elemento indutor.
O espectador é convidado a seguir as indicações que surgem no ecrã, no escuro e em silêncio, como no cinema e, em termos técnicos, atribuir ao som pelo menos as mesmas condições da imagem (na definição e volume sonoro). Tal como noutras pesquisas da autora o filme traça uma aproximação aos domínios vegetal, animal e mineral.
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Hope Esperanza is an unusual film proposal, an experience that transgresses orthodox cinema practices and invites us to explore perceptual states of sound-image-mental imagery. The senses (hearing and vision) are led to a state in everything similar to the dream, where what is real and what is imagined overlap, creating in the consciousness of the viewer the sensation of an immersive journey, being Nature its inductive element.
The viewer is invited to follow the indications that appear on the screen, in the dark and silence, as in the cinema and, in technical terms, to assign to the sound at least the same conditions of the image (in the definition and sound volume). As in other proposals of the author, the film traces an approach to the vegetable, animal and mineral domains.
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* Catarina Alfaro é Licenciada em História da Arte e Mestre em Museologia e Património. Colaborou na edição do Catálogo Raisonné de Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), sendo autora da Fotobiografia do artista (Volume I do Catálogo Raisonné, 2007). Realizou a investigação preparatória da exposição Amadeo de Souza-Cardoso Diálogo de Vanguardas, assumindo as funções de Comissária-adjunta e coordenadora editorial do catálogo da referida exposição (coordenação partilhada com Helena de Freitas). Integrou a equipa científica do volume II do catálogo Raisonné de pintura de Amadeo de Souza-Cardoso. Actualmente é Coordenadora da Programação e Conservação do museu Casa das Histórias Paula Rego, assumindo a curadoria das exposições deste museu, bem como a edição dos respectivos catálogos, desde 2011.
*llda Teresa de Castro é ecóloga, artista e investigadora. Realiza o pós-doutoramento (2013-2019) Paisagem e Mudança – Movimentos, com apoio da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Doutorada em Ciências da Comunicação / Cinema e Televisão, na FCSH, da Nova de Lisboa, com uma tese sobre a participação do filme na sensibilização ecológica. É formada em Cinema na Escola Superior de Teatro e Cinema de Lisboa, e em Peritos em Arte na Escola Superior de Artes Decorativas da Fundação Ricardo Espírito Santo e Silva, Lisboa. É autora de vários ensaios e dos livros Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015); de uma trilogia de entrevistas sobre Cinema Português, Animação Portuguesa (2004); Cineastas Portuguesas (2001); Curtas Metragens Portuguesas (1999) e do cartoon book Não Fazer Nada É que É Bom 1991-2004 (2005). Enquanto ecoartista desenvolve projectos multidisciplinares num cruzamento entre arte, ecologia, filosofia e ciência com enfoque no domínio ecocritico, ambiental e animal. Os seus ecofilmes têm sido exibidos em ecofestivais e ecoconferências na Amazónia – Brasil, Panjim – Goa, Mexico City – México, Porto, Lisboa e Colares – Portugal. É co-autora da ópera multimedia Descartes Nunca Viu Um Macaco (2017). É a fundadora e editora da plataforma e revista online: ecomedia, ecocinema e ecocritica_animalia vegetalia mineralia.
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* Catarina Alfaro holds a degree in Art History and a Master’s degree in Museology and Heritage. She collaborated in the edition of the Raisonné Catalog of Amadeo de Souza-Cardoso (1887-1918), being the author of the artist’s Photobiography (Volume I of the Raisonné Catalog, 2007). Carried out the preparatory research for the exhibition Amadeo de Souza-Cardoso Dialogue of Vanguards, assuming the functions of assistant Commissioner and editorial coordinator of the catalog (coordination shared with Helena de Freitas). She was part of the scientific team of the Raisonné catalog of painting by Amadeo de Souza-Cardoso, volume II. She is currently Coordinator of the Programming and Conservation of the Paula Rego House of Stories museum, taking over the curatorship of the exhibitions of this museum, as well as the edition of the respective catalogs, since 2011.
* Ilda Teresa de Castro is an ecologist, artist and researcher. She is doing the postdoctoral researcher (2013-2019) Landscape and Change – Movements, with support by the Foundation for Science and Technology. PhD in Communication Sciences/Cinema and Television at Faculty of Social and Human Sciences, at NOVA University of Lisbon with a thesis which deals with the part films play in the construction of an ecocritical perception. She is graduated in Cinema Studies at Superior School of Theater and Cinema in Lisbon, and in Art Experts at Superior School of Decorative Arts, Foundation Ricardo do Espírito Santo Silva in Lisbon. She is the author of several essays as well as the book Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (I Animal – arguments for a new paradigm – cinema and ecology, 2015); a trilogy of interviews on Portuguese Cinema, Animação Portuguesa, (Portuguese Animation Movies, 2004); Cineastas Portuguesas (Portuguese Women´s Cinema, 2001); Curtas Metragens Portuguesas (Portuguese Short-Films, 1999) and the cartoon book Não Fazer Nada É que É Bom 1991-2004 (To Do Nothing At All – That’s The Life!, 2005). As ecoartist she develops multidisciplinary projects at a crossroad between art, ecology, philosophy and science, focusing on the ecocritic, environmental and animal domain. As a ecocinema filmmaker and video artist, she has had his works screened in ecofestivals and ecoconferences in Amazonia – Brasil, Panjim – Goa, Mexico City – Mexico, Porto, Lisboa and Colares – Portugal. She is co-author of the multimedia opera Descartes Never Saw A Monkey (2017). She is the founder and editor of the online ecomedia, ecocinema and ecocritic platform and journal_animalia vegetalia mineralia.
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Ecocídio
Ecocide
ilda teresa castro . 9´. 2017
* Ilda Teresa Castro assume um cruzamento entre arte e ecologia, com enfoque no domínio ecocritico, ambiental e animal. Conjuga práticas artísticas distintas, realiza filmes e instalações ecocriticas. Investigadora no Laboratório de Cinema e Filosofia do IfilNova. Pós-doc com o projecto “Paisagem e Mudança − Movimentos”, apoiado pela FCT. Fundadora e editora da plataforma e jornal online AnimaliaVegetaliaMineralia. Autora do livro Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015). PhD em Ciências da Comunicação/Cinema e Televisão, pela FCSH, da Universidade Nova de Lisboa. Prossegue investigação em Estudos Fílmicos e Ecocriticismo.
* Ilda Teresa Castro assumes a cross between art and ecology, with a focus on the ecocritical, environmental and animal domain. It combines different artistic practices, makes films and ecocritic instalations. Researcher in the Laboratory of Cinema and Philosophy at IfilNova Institute of Philosophy. She is developing the Postdoctoral project “Landscape and Change – Movements”, with support by the FCT. Founder and editor of the online journal and homonym platform AnimaliaVegetaliaMineralia PhD in Communication Sciences, Faculty of Humanities and Social Sciences, Universidade NOVA de Lisboa. Author of the book Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015) [I Animal – arguments for a paradigm shift – cinema and ecology (2015)] . She continues making research in Film Studies and Ecocriticism.
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Um Estendal na Horta do Baldio
Washing Line at Horta do Baldio
produção / production Teresa Vieira* . 2016
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.Este vídeo dá a ver a Horta do Baldio, existente perto do Campo Pequeno, um espaço expectante para construção que se encontra cedido temporariamente a um grupo de guardiões que têm feito a manutenção de uma Horta. Sob a proposta de Cláudia Madeira aos seus alunos do seminário de Programação Cultural do Mestrado de Artes Cénicas da FCSH-UNL criou-se um projecto estendal para a Horta cujo objectivo é expor através de lençóis processos artísticos, de investigação ou outros, que têm vindo a ser desenvolvidos em Portugal em torno da questão da ecologia das cidades.
This video gives a glimpse of Horta do Baldio, a community garden that exists near Campo Pequeno. A space expected to be a target of construction, that was temporarily conceded to a group of guardians that have been responsible for maintaining a community garden. The Washing Line project was created thanks to a proposal from Cláudia Madeira to her students of the Cultural Programming’s seminar, from the Performing Arts Master’s degree. Its main goal is to show, through sheets, artistic processes – of research or others – that have been developed throughout Portugal, with the theme of ecology of the city.
.relacionado / related :
Estendal – o valor de uma experiência artística numa horta sem sustentabilidade, por Cláudia Madeira
Estendal (Washing Line) – the value of an artistic experiment in a communal garden without sustainability, by Cláudia Madeira
ecosofias / ecosophies – ler / full text
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*Teresa Vieira é licenciada em Jornalismo e é, actualmente, estudante do Mestrado de Comunicação e Artes na FCSH/NOVA. Os seus tópicos e interesses de investigação são Cinema e Performance, desenvolvendo ensaios relativos a estes mesmos tópicos – Jonas Mekas, Joan Jonas, Natalia LL, Yvonne Rainer e Věra Chytilová, por exemplo. A sua dissertação de Mestrado será uma análise das formas e conteúdos do cinema lituano, durante os anos 90.
*Teresa Vieira has a bachelor’s degree in Journalism and is currently a Communication and Art’s Master student, in FCSH/NOVA. Her main research topics and interests are Cinema and Performance, developing several essays regarding these topics – Jonas Mekas, Joan Jonas, Natalia LL, Yvonne Rainer and Věra Chytilová, for example. Her Master’s dissertation will be an analysis of the forms and contents of Lithuanian Cinema during the 90s.
.in animalia vegetalia mineralia 8 . ano / year 3 . Inverno 2016 / Winter 2016
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Diários de uma Pesquisa
Diaries of a Research
ilda teresa castro . 2016
«O que significa ser “pessoa”, “animal” ou “árvore”? Porque é que ao contrário do que seria natural, a civilização insiste em prosseguir comportamentos que são nocivos?» Estas e outras questões cruzam a arte e a ecocritica num registo diarístico, e convocam o pensamento sobre estes tempos marcados por uma falência ambiental de abrangência planetária.
.“What means to be a “person”, “animal” or “tree”? Why in opposition to what is natural, civilization insists in pursuing behaviours that are harmful?” These and other questions intersect art and ecocriticism in a diaristic registration, and summon the though about these times marked by an environmental bankruptcy of planetary scope .
.exibições / has been screened at Ecocinema Festival and Conference, Tinai Ecofilm Festival 2015, Goa, India; Fundação Oriente, Panjim, Goa, India, 2015; BBC, Funchal, Ilha da Madeira, 2015 (versão final do filme/ a final version of the film); Museu Geológico de Lisboa, 2016; Centro Cultural Condes de Vinhais, 2016; Flores do Cabo 2016 e na 14ª Edição do CineAmazônia, Festival Latino Americano de Cinema Ambiental, Porto Velho, Rondônia, Brasil, 2017.
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* Ilda Teresa Castro artista pluridisciplinar, no seu trabalho mais recente assume um cruzamento entre arte e ecologia − arte e ciência, com enfoque no domínio ecocritico, ambiental e animal. Conjuga práticas artísticas distintas: desenho, fotografia, webdesign, joalharia, escultura e filme. Investigadora pós-doc no AELab – Laboratório de Estética e Filosofia das Práticas Artísticas do IfilNova, com o projecto “Paisagem e Mudança − Movimentos”, apoiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia. Fundadora e editora da plataforma e jornal online AnimaliaVegetaliaMineralia, realiza filmes e instalações ecocriticas. Publicou Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015). Doutorada em Ciências da Comunicação/Cinema e Televisão, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa. Prossegue investigação em Estudos Fílmicos e Ecocriticismo.
* Ilda Teresa Castro is a multidisciplinary artist, her most recent work assumes a cross between art and ecology — art and science, with a focus on the ecocritical, environmental and animal domain. It combines different artistic practices: drawing, photography, webdesign, jewelery, sculpture and film. Researcher in the AELab – Laboratory of Aesthetics and Philosophy of Artistic Practices at IfilNova Institute of Philosophy, Castro is developing the Postdoctoral project “Landscape and Change – Movements”, with support by the FCT. Founder and editor of the online journal and homonym platform AnimaliaVegetaliaMineralia she makes films and ecocritic instalations. PhD in Communication Sciences, Faculty of Humanities and Social Sciences, Universidade NOVA de Lisboa, she published the book Eu Animal − argumentos para uma mudança de paradigma – cinema e ecologia (2015) [I Animal – arguments for a paradigm shift – cinema and ecology (2015)] and continues making research in Film Studies and Ecocriticism.
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in animalia vegetalia mineralia 7 . ano / year 3 . Primavera 2016 / Spring 2016
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