em curso / work in progress

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português / english

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Estendal, o valor de uma experiência artística numa horta sem sustentabilidade / Estendal (Washing Line), the value of an artistic experiment in a communal garden without sustainability, Cláudia Madeira

( artigo / article – no. VIII . 2016-17 )

13 (eco)anotações na construção de um programa ecocritico ou algumas notas diarísticas sobre um programa de trabalho / 13 (eco) notes on the construction of an ecocritic program or some diary notes on a work program, Ilda Teresa de Castro

( artigo / article – no. IX . 2017-18 )

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13 (eco)anotações na construção de um programa ecocritico ou algumas notas diarísticas sobre um programa de trabalho

por Ilda Teresa de Castro

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nota 1 − A estranheza perante o distanciamento do sujeito contemporâneo face à dimensão cosmobiológica da vida sempre me acompanhou. Com o tempo, apercebi-me que esse distanciamento impede a mudança necessária para evitar a falência progressiva dos recursos naturais ao mesmo tempo que canaliza para regulamentos e convenções igualmente distantes, uma gestão do vivo estrategicamente integrada numa mecânica de conveniências económicas e políticas que resultam numa total ineficácia matizada de boas intenções.

nota 2 − Ao iniciar as minhas pesquisas, visualizei ligações entre a consciência ecológica e a imanência da existência, num fluido transcendente no movimento das coisas que algumas culturas designam de sagrado [trans·cen·den·te 3. Que excede os limites ordinários; sa·gra·do 5. Que é muito puro ou tem qualidades superiores]. Diligenciar esses processos, engrena o entendimento da interconexão entre os seres, forças e elementos; e a compreensão da interdependência e fragilidade do equilíbrio planetário; a conexão entre o humano e o não-humano no mundo natural. Orienta a ecovisão de grandezas não visíveis e imateriais: o Todo é maior do que a soma das partes.

nota 3 − O botânico, físico e zoólogo sueco Carl von Linné (1707-1778), no seu Systema Naturae, per Regna Tria Naturae secundum Classes, Ordines, Genera, Species cum Characteribus, Differentiis, Synonymis, Locis (Lugduni Batavavorum: Haak, 1735), classificou a Natureza em três reinos: Animalia, Vegetalia e Mineralia (ver ecovisões em cenário http://www.worldwidewebiano − secção ecosofias neste no. IX . 2017-18). Pela ideia de unidade na variedade em equilíbrio do mundo natural, esse foi o nome que escolhi para esta plataforma e jornal ecocritico online, fundad@s em 2014. animalia vegetalia mineralia = espaço internacional de investigação e divulgação sobre Ecomedia_Ecocinema_Ecocritica, com particular enfoque nos movimentos e mudanças adjacentes ao Antropoceno e relação humano/não-humano. Articula a estrutura de base de dados com a de um jornal, ambos bilingues. A base de dados perspectiva a integração de todas as áreas temáticas relacionadas, providenciando espaço para Disseminação de Conhecimentos e de Informação, veiculados na comunidade científica, na comunidade artística e na comunidade activista.

Algumas experiências de criação em desenvolvimento no projecto, e a permanente evolução / ajuste da estrutura, transparecem na evolução do formato e imagem do press release.

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nota 4 − Diários de uma Pesquisa, 2016, 21min − é um filme pensado para alunos do Ensino Básico e Secundário e realizado em regime de produção low-low-cost, a partir de registos das instalações ecocriticas que realizei nos últimos anos. Integra excertos de filmes e peças eco_arte, com enfoque nos objectivos programáticos: «O que significa ser “pessoa”, “animal” ou “árvore”? Porque é que ao contrário do que seria natural, a civilização insiste em prosseguir comportamentos que são nocivos?»

Estas e outras questões convocam o pensamento sobre estes tempos marcados por uma falência ambiental de abrangência planetária. Usa um “tom artesanal” na expectativa de criar afinidades com o espectador pré-adolescente ou adolescente. Uma versão de montagem foi exibida em 2015 no Ecocinema Festival and Conference, Tinai Ecofilm Festival, Goa; na Fundação Oriente em Goa e no BBC, no Funchal. A versão final, exibida em 2016 no Museu Geológico de Lisboa; no Centro Cultural Condes de Vinhais; em Flores do Cabo, Pé da Serra, Sintra e na 14ª Edição do CineAmazônia, Festival Latino Americano de Cinema Ambiental, Porto Velho, Rondônia, Brasil.

nota 5 − Falta estabelecer a ligação com as escolas e alunos do Ensino Básico e do Ensino Secundário. Como estabelecer essa ligação?

nota 6 − Diários de uma Pesquisa integra excertos dos filmes:

e algumas peças ECO_ARTE.

nota 7 − As peças ECO_ARTE das séries Homo-Humus (2016); Esculturas de Terra (2013-2016); Herbários_Relicários (2013); Relicários_de_Sementes (2015-2016); e Oxigenários (2015-2016), integram as instalações em diálogo com os filmes.

Homo-Humus no século XX – XXI (2016 – tríptico)

Esculturas de Terra (2013-2016)

Herbários_Relicários (2013)

Oxigenários (2015-2016)

Relicários_de_Sementes (2015-2016)

nota 8 − Descartes Nunca Viu Um Macaco, (2017) — ópera multimedia em 8 Actos, projecto em co-autoria com o músico e compositor Vítor Rua. Título inspirado numa nota de rodapé do mesmo Systema Naturae (1735) de Carl Linnaeus (1707-1778), nota que Giorgio Agamben menciona em L´Aperto. L´uomo e l´animale (2002) (ver ecovisões em cenário http://www.worldwidewebiano − secção ensaio, Hortas & Ecos, interact #26).

O libreto deste espectáculo de inscrição ecocritica foca a Natureza, o Vivo e a relação do humano com os outros animais − também aqui diferenciados, como o animot de Derrida em L´animal que donc je suis, (2006). A partir de excertos de Eu Animal – argumentos para um novo paradigma (Ilda Teresa de Castro, 2015) e sob a influência destes tempos Antropocénicos, Descartes Nunca Viu Um Macaco, reúne em Oito Cenas um conjunto singular de personagens. Alguns são seres vivos conhecidos de todos, como a Pulga, a Formiga, a Borboleta, o Macaco e o Humano. Menos conhecidos, o Imperador Asoka, a divindade Pachamama e a Sombra, materialização da Técnica.

nota 9 − o imperador Asoka viveu entre 304 a.C. e 232 a.C. Foi imperador da dinastia Maurya que ocupava o presente Paquistão, Afeganistão, Bangladesh e os estados indianos de Assam a leste, Kerala a sul e Andhra a norte. Reinou entre 274 e 232 a.C. Os seus editais estão gravados em grandes rochas espalhadas por mais de trinta locais na Índia, Nepal, Paquistão e Afeganistão, designados de Editais de Asoka. Foi um dos mais antigos, senão o mais antigo, governante vegetariano de que há registo na História e uma das figuras mais proeminentes, através das suas práticas de governação, na disseminação da percepção do vivo. Providenciou a mais antiga lista de espécies protegidas conhecida. Defendeu o bem-estar para os seres vivos, o não assassínio de seres viventes, a protecção dos animais, a plantação de árvores para benefício de humanos e não-humanos, e a provisão de poços e tratamentos médicos para todas as espécies. Asoka converteu-se ao budismo, ao vegetarianismo e foi seguidor da doutrina da não-violência ahimsa. Suprimiu a prática da caça e restringiu as matanças de animais em todo o seu vasto império. Terá sido o primeiro a proclamar: “Nos meus domínios os seres vivos não serão vítimas de matanças nem de sacrifícios.” (Asoka: The Fourteen Rock Edicts, 1). Esquecido durante cerca de 700 anos, foi encontrado com a tradução da literatura indiana pelos académicos europeus do sec. XIX, embora só em 1915 tenha sido possível dar início à reconstituição do seu trajecto e história admiráveis (Castro 2015, 44-45).

nota 10 − a divindade Pachamama, com quem os índios andinos têm uma forte ligação ancestral é a divindade da Terra, no centro da Vida. Na sua filosofia, os humanos são considerados iguais às outras entidades. Para os andinos, Pachamama é um ser vivo, “Ela é sagrada, fértil e a fonte da vida que alimenta e protege todos os seres vivos. Ela está em permanente equilíbrio, harmonia e comunicação com o cosmos. Ela é constituída por todos os ecossistemas, seres vivos e sua auto-organização. ”Pachamama, é deusa dos Andes, o antigo império Inca centrado na Cordilheira dos Andes − incluindo grande parte dos actuais Equador e Peru, sul e oeste da Bolívia, noroeste da Argentina, norte do Chile e sul da Colômbia e cujo centro é, na actualidade, a capital do Peru, Cusco, cujo significado em Quechua (língua oficial do império) é Umbigo do Mundo. Também é designada de Mãe Terra, embora a tradução literal seja Mãe do Mundo – nas línguas Aymara e Quechua: mama=mãe e pacha=mundo, posteriormente assumindo o significado de cosmos, universo. A par do culto a Apu Inti – o deus sol – o culto a Pachamama foi sempre representativo da função integrante da religião e da Natureza entre os andinos. Com a conquista espanhola, o culto de Pachamama foi associado ao culto da Virgem Maria pelos conquistadores católicos mas os valores religiosos e culturais originários da cultura própria mantiveram a sua força, não desaparecendo nem os costumes, nem a forma de vida ancestral daqueles lugares (Castro 2015, 188).

nota 11 − a Sombra, materialização da Técnica : a ganância e a estupidez humana, conduzem a eminência de catástrofe ambiental destruidora que assombra o Antropoceno. Nos arquétipos Junguianos, a sombra está relacionada com o que cada sujeito reprime e rejeita de si, com os aspectos menos nobres do comportamento ou carácter, tornando-se a sombra do ego um self negativo. A aceitação e o reconhecimento são as atitudes aconselhadas para lidar com a sombra, pois quanto mais reprimida maior se torna, podendo devir gigantesca e um grande perigo. Por analogia, a sombra da espécie humana assume a sua forma − uma das suas formas − nestes séculos de negligência dos recursos naturais e exploração das outras espécies; na subjugação do mundo natural a epistemologias centradas na superioridade da razão humana e ávidas de lucro económico, e similares. A dimensão exponencial dessa sombra conduz a necessidade de reconhecimento e reconversão. Se procurarmos a origem dos processos que engendraram tais epistemologias e práticas consequentes – agora que a sombra se transforma na assombração de uma civilização – encontramos na vontade humana de domínio da Natureza uma separação, uma scissura, um distanciamento da ideia de uma unidade fundamental que tudo conecta. Essa vontade é representada nessa avidez de progresso sem fim à vista, desejado e programado nos últimos séculos, no qual os engendramentos da Técnica são prioridade.

nota 12 − os 8 Actos de Descartes Nunca Viu Um Macaco

ABERTURA

Acto 1 : os humanos são plantas

Acto 2 : o senhor dos animais

Acto 3 : uma alforreca ao sol

Acto 4 : os processos dos animais

Acto 5 : a mosca que voa ao nosso lado

Acto 6 : por favor, ouça-me

Acto 7 : eu vi-me a mim mesmo na pulga

FINALE

nota 13 − Excerto sonoro do Segundo Acto de Descartes Nunca Viu Um Macaco

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13 (eco) notes on the construction of an ecocritic program or some diary notes on a work program

by Ilda Teresa de Castro

note 1 — The strangeness of the detachment between the contemporary subject and the cosmobiological dimension of life on Earth came to me very early and always accompanied me. Over time, I realized that the detachment promoted by this separation blocks the change in procedures that lead to progressive bankruptcy of natural resources. At same time it promotes equally distant conventions and regulations to a strategically management of the Life.Those, integrating mechanical economic and political conveniences which leads to a total ineffectiveness tinted of good intentions.

note 2 – In initiating my research, I have visualized links between ecological consciousness and the immanence of existence, in a transcendent fluid in the movement of things which some cultures call sacred [trans · cen · den · t 3. That exceeds ordinary limits; 5. Which is very pure or has superior qualities]. Delivering these processes, engages the understanding of the interconnection between beings, forces and elements; the understanding of the interdependence and fragility of planetary balance and the connection between the human and the nonhuman in the natural world. It guides the ecovision of non-visible and immaterial greatness: the Whole is greater than the sum of the parts.

note 3 – The botanist, physicist and Swedish zoologist Carl von Linné (1707-1778), in his Systema Naturae, per Regna Tria Naturae secundum Classes, Ordines, Genera, Species cum Characteribus, Differentiis, Synonymis, Locis (Lugduni Batavavorum: Haak, 1735), classified Nature into three kingdoms: Animalia, Vegetalia and Mineralia (see ecovisions in scenario http://www.worldwidewebiano – essay section, Hortas & Ecos, interact # 26) . Due to it idea of unity in the balanced variety of the natural world, this was the name I chose for the online ecocritic platform and journal I founded in 2014. animalia vegetalia mineralia = this international space for research and dissemination on Ecomedia_Ecocinema_Ecocritica, with a particular focus on movements and changes adjacent to the Anthropocene and human / non-human relationship. It articulates the database structure with that of a newspaper, both bilingual. The database looks at the integration of all related thematic areas, providing space for the transmission of knowledge and information transmitted in the scientific community, the artistic community and the activist community.

Some creative experiences under development and the permanent evolution / adjustment of the structure, are evident in the evolution of the format and image of the press release.

note 4 – Diaries of a Research, 2016, 21min – is a film designed for students of Basic and Secondary Education and created in a regime of low-low-cost production, from records of the ecocritical installations that I realized in recent years. It integrates excerpts of films and eco_arte pieces, focusing on the program objectives: “What does it mean to be” person “,” animal “or” tree “? Why is it that, contrary to what would be natural, civilization insists on pursuing behaviors that are harmful?

These and other issues summon up the thinking about these times marked by a planetary environmental bankruptcy. It is built in “handmade tone” in the expectation of an affinity with the adolescent or teenager viewer.
An editing version was shown in 2015 at the Ecocinema Festival and Conference, Tinai Ecofilm Festival, Goa; at the Oriente Foundation in Goa and at the BBC in Funchal. The final version, was exhibited in 2016 at the Museu Geológico de Lisboa; at the Condes de Vinhais Cultural Center; at Flores do Cabo, Pé da Serra, Sintra and at the 14th Edition of CineAmazonia, Latin American Festival of Environmental Cinema, Porto Velho, Rondônia, Brazil.

note 5 – There is a lack of connection with the schools and students of Basic Education and Secondary Education. How to establish this connection?

note 6 – Diaries of a Research integrates excerpts from the films:

and some ECO_ARTE pieces.

note 7 – The ECO_ARTE pieces of the Homo-Humus series (2016); Earth Sculptures (2013-2016); Herbarios_Relicários (2013); Relicários_de_Sementes (2015-2016); and Oxigenários (2015-2016), integrate the installations in dialogue with the films.

Homo-Humus no século XX – XXI (2016 – tríptico)

Esculturas de Terra (2013-2016)

Herbários_Relicários (2013)

Oxigenários (2015-2016)

Relicários_de_Sementes (2015-2016)

note 8 – Descartes Never Saw A Monkey, (2017) – multimedia opera in 8 Acts, project in co-authorship with musician and composer Vítor Rua. Title inspired by a footnote of the same Systema Naturae (1735) by Carl Linnaeus (1707-1778), note that Giorgio Agamben mentions in L’Aperto. L’uomo and l’animale (2002) (see ecovisions in scenario http://www.worldwidewebiano – essay section, Hortas & Ecos, interact # 26).

The libretto of this ecocritic opera focuses on Nature, on Living and the human relation with other animals — here differentiated like the animot of Derrida in L’animal que donc je suis, (2006). From excerpts of Eu Animal – arguments for a new paradigm (Ilda Teresa de Castro, 2015) and under the influence of these Anthropocene times, Descartes Never Saw A Monkey, brings together in Eight Scenes a unique set of characters. Some are living beings known to everyone, such as the Flea, the Ant, the Butterfly, the Monkey and the Human. Less known, the Emperor Asoka, the divinity Pachamama and the Shadow, materialization of the Technique.

note 9 — emperor Asoka lived between 304 bc. and 232 bc. He was emperor of the Maurya dynasty who occupied the present Pakistan, Afghanistan, Bangladesh and the Indian states of Assam to the east, Kerala to the south and Andhra to the north. It reigned between 274 and 232 BC. Its edicts are engraved on large rocks scattered over more than thirty locations in India, Nepal, Pakistan and Afghanistan, called the Asoka Edicts. He was one of the oldest, if not the oldest, vegetarian ruler in History and one of the most prominent figures, through his governance practices, in the dissemination of the perception of the living. Provided the oldest known list of protected species. He defended well-being for living beings, non-killing of living beings, protection of animals, planting trees for the benefit of humans and non-humans, and provision of wells and medical treatments for all species. Asoka convertes to Buddhism, to vegetarianism and was a follower of the doctrine of non-violence ahimsa. He suppressed the practice of hunting and restricted the killing of animals throughout his vast empire. He would have been the first to proclaim: “In my dominions living beings will not be the victims of slaughter or sacrifice.” (Asoka: The Fourteen Rock Edicts, 1). Forgotten for about 700 years, he was uncovered with the translation of the Indian literature by European scholars of sec. XIX, although it was only in 1915 that it was possible to begin the reconstitution of its admirable trajectory and history (Castro 2015, 44-45).

note 10 – the Pachamama deity, with whom the Andean Indians have a strong ancestral connection is the divinity of the Earth, at the center of Life. In their philosophy, humans are considered equal to other entities. For the Andeans, Pachamama is a living being, “She is sacred, fertile and the source of life that nourishes and protects all living beings. It is in permanent balance, harmony and communication with the cosmos. It is made up of all ecosystems, living beings and their self-organization. “Pachamama, is the goddess of the Andes, the ancient Inca empire centered in the Andes — including much of current Ecuador and Peru, south and west Bolivia, northwestern Argentina, northern Chile and southern Colombia. Today, the capital of Peru, Cusco, whose meaning in Quechua (official language of the empire) is Navel of the World. It is also called Mother Earth, although the literal translation is Mother of the World – in the Aymara and Quechua languages: mama = mother and pacha = world, later assuming the meaning of cosmos, universe. Along with the cult of Apu Inti – the sun god – the cult of Pachamama was always representative of the integral function of religion and nature among the Andeans. With the Spanish conquest, the cult of Pachamama was associated with the cult of the Virgin Mary by the Catholic conquistadors, but the religious and cultural values originating from the culture itself maintained their strength, neither disappearing nor the mores nor the ancestral way of life of those places (Castro 2015, 188).

note 11 — the Shadow, materialization of the Technique: greed and human stupidity, lead the eminence of destructive environmental catastrophe that haunts the Anthropocene. In the Jungian archetypes, the shadow is related to what each subject represses and rejects of itself, with the less noble aspects of the behavior or character, becoming the shadow of the ego a negative self. Acceptance and recognition are the advised attitudes to deal with the shadow, for the more repressed the more it becomes, being possible to become gigantic and a great danger. By analogy, the shadow of the human species takes its form — one of its forms — in these centuries of neglect of natural resources and exploitation of other species; in the subjugation of the natural world to epistemologies centered on the superiority of human reason and eager for economic gain and similar. The exponential dimension of this shadow leads to the need for recognition and reconversion. If we look for the origin of the processes that engendered such epistemologies and consequent practices — now that the shadow becomes the haunting of a civilization — we find in the human will of the domain of Nature a separation, a scissure, a distance from the idea of a fundamental unity that connects everything. This will is represented in this greed for progress without end in sight, desired and programmed in the last centuries, in which the engenderings of Technique are a priority.

note 12 — the 8 Acts of Descartes Never Saw A Monkey

OPENING
Act 1: humans are plants

Act 2: the Lord of Animals

Act 3: a jellyfish in the sun

Act 4: the processes of animals

Act 5: the fly that flies by our side

Act 6: please listen to me

Act 7: I saw myself in the flea

FINALE

note 13 – Excerpt from the Second Act of Descartes Never Saw A Monkey

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Estendal

o valor de uma experiência artística numa horta sem sustentabilidade

por Cláudia Madeira*

Estendal#0O Paraíso é um lugar onde nada acontece, decorreu no dia 12 de Junho de 2016 entre 17 horas e as 20 horas. Constituiu uma experiência daquilo que teve por objetivo ser o início de um ciclo de programação artística pensado para o espaço da Horta do Baldio, uma horta urbana comunitária existente perto do Campo Pequeno, em Lisboa.

O seu desenvolvimento enquanto projecto foi condicionado pelo enquadramento específico desta horta, quer em termos territoriais, de propriedade e mesmo programáticos: tratava-se de um extenso território baldio de propriedade privada, um espaço expectante da construção de um hotel quando foi cedido provisoriamente em 2014, à associação Rumo de Fumo para ter lugar um dos eventos da programação mais para menos do que para mais produzido pelo Teatro Maria Matos e pela Culturgest, sob a iniciativa de Vera Mantero.

Desse evento constou a criação de uma Horta que se manteve após a programação mais para menos do que para mais ter acontecido, enquanto horta comunitária, mobilizando diversos agentes, quer por vizinhança territorial, quer por afinidade ao projecto.

A manutenção dessa cedência do uso do espaço permitiu que se tenha projectado nesta Horta uma espécie de laboratório experimental de práticas de sustentatibilidade para a cidade. Foram desenvolvidos diversos encontros onde se elencaram futuros (provisórios) para o espaço, foi também ganho um projecto da EDP para a dinamização do espaço, entre outras iniciativas comunitárias, tais como mercados de produtos da horta e festas, e, por fim, desenvolveu-se este projecto colectivo – o estendal – através da minha mediação, enquanto uma das guardiãs do espaço.

A minha ligação ao projecto teve vários motivos decorrentes de vários “lugares” onde me situo: o facto de viver por coincidência ao lado da Horta; ter eu própria, enquanto socióloga, desenvolvido um projecto de planeamento estratégico em torno das hortas urbanas para a autarquia de Odivelas em 2007-2008; ser actualmente docente do seminário de mestrado em programação cultural FCSH-UNL. Por tudo isto, tive não só interesse de acompanhar desde o início a programação mais por menos do que para mais, como em participar no projecto da horta, desenvolvendo uma investigação-acção a partir dele, da qual resultaram não só processos de disseminação da actividade da horta através de artigos científicos e comunicações, mas também a mobilização dos meus alunos para o desenvolvimento de uma linha de programação para a Horta.

Deste modo, foi agendada uma visita ao espaço e solicitado aos que tivessem interesse nisso, que desenvolvessem os seus projectos em torno da horta e das suas especificidades, respeitando o seu carácter efémero, informal e comunitário.

Dos vários projectos que me foram apresentados houve um que me chamou a atenção pela sua simplicidade e exequibilidade: um estendal.

Assim, foi esse elemento que construímos na horta que permitiu dar corpo à pesquisa que vinha iniciando sobre os vários artistas que vinham fazendo em Portugal recolha documental fotográfica ou trabalho criativo em hortas ou espaços baldios ou desclassificados e que importava (re)mostrar/ discutir/ problematizar, no contexto da Horta do Baldio, de forma a dar de novo visibilidade a processos artísticos, de investigação ou outros que têm vindo a ser desenvolvidos em Portugal em torno da questão da ecologia das cidades.

A partir da conjugação de vários esforços desenvolveu-se, então, esta primeira iniciativa que se traduziu numa performance-exposição em lençóis através de cianotipia, desenvolvida por Joana Henriques, em torno de diversas ideias de vários artistas: esquissos do projecto “o paraíso é um lugar onde nunca nada acontece” que Fernanda Fragateiro desenvolveu, no âmbito da programação Marvila Capital do Nada em 2001, e que consistiu na criação de um jardim numa praça do Bairro dos Loios, redesenhando os espaços adjacentes à Urbanização da “Pantera Cor-de-Rosa”, em Lisboa; fotografias de Fernando Brito do seu trabalho “Nas Hortas” e ainda fotografias de Álvaro Domingues dos seus livros A Rua da Estrada e Vida no Campo, a partir dos quais Miguel Simões fez uma leitura encenada.

Tratou-se de tornar públicos estes “lençóis” através deste estendal para quem os quisesse ver: os colaboradores e guardiões da Horta, os moradores dos bairros adjacentes, as pessoas que usam o espaço para passear os seus cães.

A sustentabilidade do “estendal” depende da sustentabilidade da horta, mas a sustentabilidade da horta também depende da visibilidade destes vários projectos artísticos que precisam de continuar a ser divulgados. A bem do Paraíso possível.

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* Cláudia Madeira é Professora Auxiliar na FCSH – Universidade Nova de Lisboa. Desenvolveu um Doutoramento intitulado Hibridismo nas Artes Performativas em Portugal (ICS-UL 2007) e um pós-doutoramento sobre Arte Social. Arte Performativa? (ICS-UL 2009-2012). Publicou, complementarmente a diversos artigos em torno das novas formas de hibridismo e performatividade, os livros Híbrido. Do Mito ao Paradigma Invasor? (Mundos Sociais, 2010) e Novos Notáveis: os Programadores Culturais (Celta, 2002).

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* ver também Um Estendal na Horta do Baldio . produção Teresa Vieira* . 2016 . in (eco)visões – ver

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claudia

© Rita Silva

Estendal (Washing Line)

the value of an artistic experiment in a communal garden without sustainability

por Cláudia Madeira*

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Estendal#0- O Paraíso é um lugar onde nada acontece (Washing Line#0 – Paradise is a place where nothing happens) took place on 12th June 2016 between 5 and 8 pm. It was an experiment intended to be the beginning of an artistic programme designed for the Horta do Baldio, an urban community garden near Campo Pequeno in Lisbon.
Its development as a project was conditioned by the specific framing of this garden, in terms of the actual land, property rights and even as a programme. Baldio was an extensive, privately owned vacant space, with a pending development project for a hotel when, in 2014, it was provisionally lent to the association, Rumo de Fumo, as a venue for one of the events in Vera Mantero’s mais por menos do que para mais (more for less than for more) programme produced by the Teatro Maria Matos and Culturgest.

The terms of the authorization to use Baldio allowed for this kind of experimental workshop on sustainability practices for the city. Several meetings were held to plan (provisional) uses for the space, which also won EDP project funding. Other community initiatives took place, such as product markets and garden parties, and finally, this collective project – the washing line – was created through my mediation, as one of the Baldio guardians.

I had, in fact, a number of reasons to be connected to the project: I happen to live next to the community garden; as a sociologist, I developed a strategic planning project on urban gardens for the Odivelas town council in 2007-2008; and I am currently teaching the master’s seminar in cultural programming at FCSH-UNL. Therefore, I was not only interested in following the “more for less than for more” programme right from the start, but also in participating in the design of the garden and developing research work on it. This led not only to disseminating Baldio’s activities through scientific articles and papers, but also gave my students an opportunity to develop a programme for the garden.
Thus, a visit to Baldio was scheduled and students who were interested were invited to produce projects based on the garden and its specificities, bearing in mind its ephemeral, informal and communitary nature.

Of the various projects submitted, there was one that attracted my attention in particular through its simplicity and practicability: a washing line.

And so this was the feature that we built in the garden, incorporating the research that was being carried out on the various artists in Portugal who had been doing photographic surveys or creative work on gardens that were either vacant or declassified and whose results needed to be (re)shown / discussed / questioned, in the context of the Horta do Baldio, so as to give new visibility to artistic, research or other processes that had been developed in Portugal on the question of the ecology of cities.

Various efforts thus came together and produced this first initiative leading to a Cyanotype performance-exhibition of sheets by Joana Henriques, based on several ideas from a number of artists: sketches of the “paradise is a place where nothing ever happens” project developed by Fernanda Fragateiro as part of the Marvila Capital do Nada (Marvila Capital of Nothing) programme in 2001: the creation of a garden in a square in the Loios neighbourhood, redesigning the area next to the Pantera Cor-de-Rosa (Pink Panther) urbanization in Lisbon; photos by Fernando Brito from his work Nas Hortas (In the Community Gardens); as well as photos by Álvaro Domingues from his books A Rua da Estrada (The Street Road) and Vida no Campo (Life in the Country) based on which Miguel Simões performed a dramatized reading.

Through this washing line, these “sheets” were therefore made public to whoever wanted to see them: the Baldio volunteers and guardians, local residents and those from adjacent neighbourhoods, and people who use the space to walk their dogs.
The sustainability of the “washing line” also depends on the garden’s sustainability, but Baldio’s sustainability depends on the visibility of these various artistic projects that need to be disseminated further. The assets of a possible Paradise.

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Cláudia Madeira is an Auxiliary Professor at FCSH-New University of Lisbon. She holds a PhD on Hibridismo nas Artes Performativas em Portugal (Performing Arts Hybridity in Portugal) (ICS-UL 2007) and a post-doc on Arte Social. Arte Performativa? (Social Art. Performative Art?) (ICS-UL 2009-2012). In addition to numerous articles about new forms of hybridism and performativity in the arts, she has written Híbrido. Do Mito ao Paradigma Invasor? (Hybrid. From myth to the new invasive paradigm?) (Mundos Sociais, 2010) and Novos Notáveis: os Programadores Culturais (New Dignitaries: The Cultural Programmers) (Celta, 2002).

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* also see  Washing Line at Horta do Baldio . production Teresa Vieira* . 2016 . in (eco)visions . watch

Ano III . Número VIII . Inverno 2016-17 . Year III . Number VIII . Winter 2016-17

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